<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863</id><updated>2012-02-08T09:03:15.038-08:00</updated><category term='vida amorosa'/><category term='nós mulheres'/><category term='música'/><category term='literatura'/><category term='cinema'/><category term='aldeia global'/><category term='psicologia do cotidiano'/><category term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>gisela haddad</title><subtitle type='html'>textos,crônicas,idéias sobre o dia a dia</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>189</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8485010708968866084</id><published>2012-02-08T08:56:00.001-08:00</published><updated>2012-02-08T09:03:15.053-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>E o Oscar “poderia” ir para...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;o filme iraniano “A Separação”, um dos grandes favoritos ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro de 2012. Filmes iranianos não são tão comuns, marcam sua presença apenas em festivais e mostras internacionais e em geral atraem um público restrito, formado por críticos e aficionados. No Brasil chegam a serem alvos de comentários irônicos&amp;nbsp;ou piadas, na boca dos que inadvertidamente acompanham alguns mais intelectualizados ao cinema. Geralmente produzidos com poucos recursos, são considerados arte de resistência ao mostrar ao mundo (sempre driblando a censura de seu país) um pouco de sua cultura e seus anseios de liberdade de expressão. Mas o jovem diretor Asghar Farhadi , 39 anos, conseguiu um feito sem igual, conquistando não só o premio de melhor filme (Urso de Ouro/2011) na Alemanha - além do Globo de Ouro/USA de melhor filme estrangeiro e sua indicação para o Oscar deste ano- mas a quase unanimidade do público que o assistiu e que não se cansa de reverenciar a força de sua bem sucedida trama. O título já anuncia que o tema será um drama familiar: os trâmites difíceis da separação de um casal que possui uma filha pré-adolescente. Com este disparador, todos, do ocidente ao oriente sentem-se à vontade para participar dos detalhes da vida íntima da família. Uma câmera ágil e à maneira de um reality show, o diretor (que também é o roteirista) apresenta, através do cotidiano das pessoas envolvidas, um universo antropológico importante ao contemplar tanto a dimensão subjetiva e os conflitos específicos do espaço conjugal/familiar quanto as marcas do funcionamento da sociedade iraniana. Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moadi) estão diante de um juiz que precisará concordar com as razões do pedido de sua separação. Ela deseja sair do país por achar que o lugar não oferece o ambiente ideal para o crescimento de sua filha, mas ele não concorda, em parte por não poder/querer deixar o pai que está com Alzheimer. Quem fica com a filha? A disputa sobre o destino da filha é o mote para as tentativas de solucionar o embate, seja no desejo desta menina que prefere imaginar que a separação não irá se consumar, no anseio desta mãe, que aposta em um novo começo da família e da relação (fora daquele ambiente), ou nas certezas do pai, mais ligado às tradições e a manutenção “das coisas como elas estão ou são”. O árbitro (juiz) cuja função é fazê-los explicar-lhe as razões de seus conflitos mostra-se pouco ou nada aparelhado para entender as sutilezas destes impasses amorosos. Isto se repete quando o mesmo juiz deverá arbitrar sobre um acontecimento que envolverá a doméstica Razieh contratada por Nader para cuidar de seu pai durante as tardes, enquanto ele trabalha e a filha está na escola. Grávida, ela aceita relutante o emprego (não tem certeza se sua religião permite que ela troque e dê banho em homens), mas esconde o fato do marido, que além de violento está desempregado. Sai o espaço privado, entra o público e o conflito passa a girar em torno da separação abismal entre uma elite que tem acesso a educação e busca na modernidade soluções para os impasses sociopolíticos e religiosos e a classe mais pobre, fechada na tradição e na religião. Parte-se de forma insana em busca de uma verdade (impossível) para os fatos e dilemas através de depoimentos meticulosos de cada envolvido e das testemunhas de cada um. É como se a única via de solução de conflitos, pudesse ficar a cargo da fragilidade de um judiciário (representado ali pelo mesmo homem) que deverá julgar a partir de certas crenças e códigos, qualquer espécie de "litígio", o que deflagra o mapa da precariedade do país para lidar com as contradições morais, religiosas e sociais. O diretor encontra uma forma inteligente e feliz de tecer sua crítica ao caos civilizatório provocado por qualquer estado autoritário (teocrático ou não). Ao mesmo tempo, revela sua aposta na maior flexibilidade das mulheres iranianas, seja na coragem de Simin (a mãe), que não hesita em sonhar com novos horizontes, seja na figura da filha (Termeh), convocada pelo pai e pela mãe a escolher entre as raízes e as tradições ou a um futuro que poderá lhe ser diferente. Pura arte!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Para conferir: A Separação (Jodaeiye Nader az Simin) - Irã/2010 &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Direção: Asghar Farhadi&lt;br /&gt;Com: Hatami, Peyman Moadi e Sarina Farhadi&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8485010708968866084?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8485010708968866084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/02/e-o-oscar-poderia-ir-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8485010708968866084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8485010708968866084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/02/e-o-oscar-poderia-ir-para.html' title='E o Oscar “poderia” ir para...'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8589558565789135399</id><published>2012-02-02T03:06:00.001-08:00</published><updated>2012-02-02T03:06:42.083-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Posso chorar?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Era possível que seu rosto estampasse a sensação de bem estar que lhe invadia. Naquele momento deveria fazer parte de uma ínfima porcentagem de pessoas que estariam ali, naquele dia, hora, minuto, tendo a chance de passar por aquela experiência. Seus olhos bem que tentaram alcançar algum ser humano. Não havia ninguém, ao menos até onde sua visão lhe guiava. Que privilégio. Tentou convencer sua memória a jamais se “esquecer” daquele quadro. Mas um friozinho desceu e subiu por sua coluna. Ai, esta incômoda sensação que chamamos de medo e que nos invade sem ser chamada. Percebeu que se armava uma guerra em seu interior. De um lado, um forte anseio de prolongar até o impossível aqueles momentos - que mais pareciam oníricos - em que a conjunção de tantos e belos fatores da natureza pareciam encher a alma (ao nível máximo) daquilo que pensamos ser a felicidade. Sentada ali, à beira daquela falésia, cuja altitude deveria ser matematicamente perfeita para lhe proporcionar o conforto de uma visão macroscópica do “universo”, era possível entrar em contato com o “verdadeiro” horizonte: acima o céu azul anil, impecável, juntando-se tal e qual um tom sobre tom ao verde claro e límpido do mar. E que mar! Belo e misterioso, a lhe seduzir insidiosamente com suas águas a ir e vir, às vezes provocantes outras raivosas, até se aquietar nas tranquilas, quando finalmente parava de se exibir e se entregava, deixando-se apreciar, e até ser desejado. Neste tom, o vento ameno da brisa acariciava seu rosto e ela podia sentir-se livre e capaz de amar a si, ao mundo, a vida. Era o medo, um medo difuso e corrosivo que conseguia turvar as águas marinhas antes límpidas. Da sensação de dona do mundo direto a de grão ínfimo e insignificante. Como era possível? Sentia-se tomada por uma vulnerabilidade inaceitável e nada, nada mesmo parecia ser capaz de aliviar seu corpo e sua alma daquela passividade indesejável. Quase se deixando tomar pela tristeza, resolveu enfrenta-lo. Medo de que? A voz ficou presa, segundos antes que seu grito ecoasse infinito abaixo. No fundo sabia que era um conjunto ou uma soma de medos. Um horror por imaginar-se incapaz de “viver a vida que tem que ser vivida”, uma apreensão diante do futuro incerto, talvez sem a constatação de ser amada como esperava ou de amar como deveria, um pânico diante do imprevisível dos perigos e dificuldades e até uma certa vergonha por este “não saber” o que fazer, por perceber-se tão frágil. Poderia ficar ali a aumentar a lista, mas isso começava a lhe dar um gosto de ressaca moral. Lembrou-se de Verinha, que costumava usar esta expressão, com seu jeito cômico de relatar (sem jamais parar de falar) suas peripécias quase sempre desastradas. Entre ela e Verinha havia esta diferença que fazia a “diferença”. Verinha não tinha dentro dela este “modelo” de si perfeito, sempre inalcançável, que lhe cobrasse tiranicamente (e sem piedade) suas falhas. Conseguia rir de si mesma ou chorar quando era assaltada pelas decepções e tristezas que a vida lhe impunha. Tampouco parecia temer (ao menos não tanto quanto ela) se apresentar aos outros com suas feridas e perdas, assim como recompor-se para embarcar no próximo trem que ali passasse. Aquietou-se. Tinha que ser grata à sua memória por trazer-lhe a tona a lembrança desta amiga querida. Não conseguia evitar um esgar risonho ao evocar aquela figurinha amada, tão presente em sua vida sempre que o chão ameaçava lhe faltar. Suspirou. Voltou a sentir um ventinho leve e agradável em seu rosto. Olhou o horizonte e lágrimas (nem um pouco amargas) desceram silenciosas. Que privilegio! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8589558565789135399?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8589558565789135399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/02/posso-chorar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8589558565789135399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8589558565789135399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/02/posso-chorar.html' title='Posso chorar?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-572631971222564831</id><published>2012-01-26T05:08:00.000-08:00</published><updated>2012-02-02T02:50:39.700-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Ode aos rituais</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Um amigo querido informava-me o quanto sua (única) filha andava mergulhada na construção de uma nova vida a dois. Percebendo seu semblante apreensivo perguntei-lhe como ele estava vivendo este momento. Seu rosto se iluminou ao me responder prontamente que já havia tido “aquela” conversa com o futuro genro. “Foi uma exigência minha - completou- afinal os rituais são sábios.” A quais rituais ele se referia? Sabemos que os rituais de uma determinada cultura são ritos mitológicos. E ainda que “mitologia” invoque uma volta ao estágio primitivo de nossa espécie em que nosso conhecimento sobre a condição humana e sua relação com a natureza era quase nulo, de certa maneira ela se mantém ressignificada, já que &lt;span style="color: black;"&gt;os motivos da imaginação mítica estariam sempre ligados à busca do que ainda nos escapa&amp;nbsp;sobre as nossas origens, mas principalmente como damos sentido (ou significamos), como entendemos e interpretamos nossa existência.&amp;nbsp;É difícil imaginarmos um fio evolutivo para este entendimento, pois teríamos que levar em conta um movimento incessante entre a tradição e a inovação, entre forças produtivas e criativas em todos os domínios da vida cultural. Pensemos por exemplo que antes da criação de leis, era o sistema de tabus que regulavam as ações humanas e a vida social de determinado grupo. Ao mesmo tempo em que cada membro tinha uma série de deveres e de obrigações, os inúmeros ritos ameaçavam paralisar suas vidas, com suas infindáveis restrições de comer ou não certos alimentos, andar ou ficar parado em determinados locais, pronunciar exatamente certas palavras e por aí vai. A proibição contava com o medo da transgressão e seus rituais de purificação, ao mesmo tempo em que promovia uma obediência passiva. Hoje somos livres, graças ao fato de acreditarmos que somos capazes de refletir sobre o bem e o mal, fazer escolhas e ser responsável por elas. Nossa relação com nossos semelhantes é regulada não mais pelo medo e sim pelo cumprimento de leis sempre renováveis e pela ética. Apostamos em nosso amplo conhecimento sobre nós, os outros e o mundo para entendê-los e promover uma convivência possível. Contamos com a culpa e a vergonha como balizas para nossos pensamentos e atos. Há um novo “zeitgeist” ou “espirito da época”, um novo ethos. E novos desafios para se pensar sobre o que transgride ou não se inclui neste espírito em suas infinitas&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;razões. A narrativa mítica tanto serve para acomodar o que é aceitável quanto o que ultrapassa a percepção ou&amp;nbsp; a explicação racional do mundo. Talvez a literatura, mais do que a filosofia, seja a herdeira da mitologia nesta tarefa de transmissão cultural, ao recontar e adaptar os mitos, incluindo aí este eterno e difícil papel dos pais na função de apresentar, escolher e compartilhar (transmitir) o mundo humano e seus símbolos para suas crianças. Crianças que precisam cumprir outro &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;importante “ritual”, ao abrir todas as janelas possíveis que a ajudem a transpor o ninho familiar, e assim promover a continuidade da roda da vida humana.&lt;/span&gt; Meu amigo falava como se a complexidade de seus sentimentos em relação a esta “passagem” de sua filha, pudesse ser exorcizada naquele ritual. Tinha razão. O ritual contém esta história de nossa história. Era com pesar que ele encerrava seu papel de homem e adulto privilegiado de sua filhinha. Talvez tivesse sido duro encenar a “entrega das mãos” dela para o futuro genro. Mas ele estava satisfeito pela sensação de missão cumprida. Era bom perceber que sua menininha havia crescido e transformara-se em uma mulher adulta e autônoma. Melhor ainda era vê-la feliz! Afinal se há algo extremamente “moderno” é o fato de que cada um de nós precisa&amp;nbsp;se responsabilizar por estas tarefas civilizatórias, e a de sermos pais carrega o severo peso da perfeição. Vigiamos a felicidade dos nossos filhos como medida de nossa competência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-572631971222564831?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/572631971222564831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/ode-aos-rituais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/572631971222564831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/572631971222564831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/ode-aos-rituais.html' title='Ode aos rituais'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2733781605882067094</id><published>2012-01-19T03:59:00.000-08:00</published><updated>2012-01-23T18:02:40.953-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Dorviver</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Todos nós já pudemos viver os transtornos que a falta de energia causa em nossas rotinas. Seja em casa, no trabalho ou nos momentos de lazer, só conseguimos avaliar como e quanto o aparato eletroeletrônico governa nossas vidas quando este mundo- cujo funcionamento nos é quase sempre desconhecido e inacessível - emudece. Desamparados e impotentes resta-nos esperar que aquela “entidade” formada pelos técnicos que dominam esta linguagem esquisita possa rapidamente nos devolver o mundo iluminado e eficiente que rege nosso cotidiano. Uma lembrança que deve ter contribuído para me introduzir a este tipo de “consciência crítica” foi quando, pela primeira vez, conheci o interior de meu radinho de pilha. Como era possível que alguém pudesse saber onde começar a procurar as razões de sua “morte” naquela infinidade de micro pontinhos - prateados e dourados- ligados por milhões de finos e coloridos fios? Assim também nos sentimos quando nossos carros param de funcionar ou nossos corpos passam a emitir ruídos de “dor”. Sem entender os motivos de seu “cansaço” ou de suas “falhas” buscamos aqueles que nos darão alguma pista do que fazer. Não há dúvidas de que temos que dar graças a esta porcentagem da população global que se dedica a estudar e a pesquisar este complexo mundo biotecnoeletronico e suas minúcias e assim nos contemplar com novas e melhores chances não só de usufruirmos de suas benesses, mas de contar com seu conhecimento quando somos assaltados pelas suas deficiências e caímos nesta “vala” dos “sem saber o que fazer com isso”. Por isso investimos na “saúde” de nossos aparelhos, veículos e corpos. Com os dois primeiros podemos trocá-los constantemente por novos e mais eficientes. Para o nosso corpo existem computadores e máquinas de última geração que nos informam sobre seu funcionamento geral e acusam os setores precários que necessitam cuidados pontuais. De certa forma sabermos que existe este “Saber” nos conforta. O duro é q&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;uando estamos em algum tipo de sofrimento, já encerramos a investigação sobre suas causas e voltamos para nossas rotinas com etiquetas que indicam serem nossas dores advindas do “stress” ou de problemas emocionais. Como traduzir isso em explicações plausíveis? Na tentativa de preencher esta falta de saber passamos a buscar pedaços de nossa história que nos pareçam reveladores de tal sofrimento. Traumas violentos, famílias desestruturadas, bullying, injustiças amorosas, vale qualquer coisa que compartilhe das tendências das manifestações do espirito para legitimar nosso sofrer, mesmo que ele resista a medicamentos e persista ao longo dos anos. É como se este tipo de sofrimento, mais conhecido como dores da alma, nos impusesse um certo “não saber” sobre nós mesmos. Pior, um “não saber” que, sem nos darmos conta, não fazemos questão de saber. Na verdade a própria “natureza” de nossa alma é paradoxal já que gestada-&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;desde o início de nossas vidas - em torno de nossos conflitos e de nossas tentativas de solucioná-los, nem sempre satisfatórias. Na briga entre o que precisamos e o que desejamos, o que deveríamos fazer- segundo as normas que regem nossa cultura ou&amp;nbsp;as apostas&amp;nbsp;que fizemos em nós mesmos- e o que queremos fazer, nas escolhas (nem sempre claras) que fazemos, e no que esperamos receber daqueles que nos são caros, cada um tece de forma particular um&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt; estilo, um jeito de ser e de enfrentar a vida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt; E de produzir seus males. Os psicanalistas precisam passar pela experiência de descobrir suas próprias cegueiras, seus pontos estratégicos de fuga de suas dores, e todas as proteções que criam para os excessos de luzes e sombras que atormentam seu espirito, para&amp;nbsp;tentar ajudar (ou guiar) aos que os procuram, a mergulhar na profundeza de suas almas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2733781605882067094?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2733781605882067094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/dorviver.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2733781605882067094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2733781605882067094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/dorviver.html' title='Dorviver'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-664571483660303274</id><published>2012-01-16T08:07:00.001-08:00</published><updated>2012-01-16T08:07:41.680-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Reticências</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt;Uma amiga gaúcha que reside há décadas em uma praia paradisíaca do Nordeste (afastada dos grandes centros), fazia um relato pesaroso sobre a relação dos “nativos” com a pesca de peixes ou com a exuberância de suas praias e mares. Como era possível que não se importassem com a visível degradação ambiental via despejo de dejetos e restos de todas as naturezas? Sentia-se propensa a criar uma associação de moradores locais para fiscalizar a preservação daquele pedaço de “céu”, mas temia que sua proposta não encontrasse eco algum. Eles pareciam longe de se perceberem agentes políticos capazes de fazer diferença na melhoria das condições de suas próprias vidas. O pescador sabe que a lei o impede de usar uma rede muito fina que retenha junto aos peixes grandes, os recém-nascidos, mas não sabe avaliar as consequências de seu desinteresse para o futuro de sua vida e de seus filhos. Mesmo falando de um lugar de impotência, minha amiga incitava a uma reflexão, convocava seus ouvintes a pensar junto com ela as ações (soluções) que pudessem “afetar” a consciência crítica do povoado e quem sabe provocar mudanças em seu comportamento. Sua preocupação poderia ser considerada uma gota no oceano, uma atividade política bem ao estilo contemporâneo. Os movimentos “Ocupe” que pipocaram nos USA e repicaram em muitos outros países (inclusive por aqui), as ocupações de praças em países árabes islâmicos, ou na Europa, seriam novas maneiras de escrever ou fazer história, um movimento social globalizado facilitado pelo acesso cada vez maior de todos ao mundo internáutico. Mesmo que combinem diferentes reivindicações ou que fracassem em curto prazo ninguém pode negar-lhes o estatuto de ato politico e democrático no sentido de permitir a cada um, fosse o quê e quem, o direito de clamar por algo que lhe pareça justo. A novidade estaria na maneira pouco usual de se fazer politica, pelo menos em sua relação com o poder, não mais concentrado na soberania dos países e seus estados, nem no líder e sua massa alienada , mas na assunção de “potencia” e autonomia de cada um em sua chance de inventar novas maneiras de dar sentido ao mundo, de transformar o utópico em criação ou detonar a paralisia dos cenários do cotidiano. Sem dúvida existem os que olham com descaso algumas das recentes manifestações de ocupação do espaço público, classificando-as como desprovidas de ideologia ou fadadas ao vazio já que compartilhadas (em sua extensão e abrangência) apenas pelas pontas dos dedos dos que clicam frenética e indiscriminadamente nas redes sociais. Não importa. Como bem lembrou, em artigo recente na Folha de São Paulo, a filósofa e professora da USP Olgária Matos, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt;movimento que paralisou a França em 1968 e disparou no ocidente um número sem fim de mudanças radicais em seus valores, teve seu início com estudantes que reivindicavam o direito de receber a visita de suas colegas e namoradas em seus quartos de estudantes. Minha amiga já conseguiu arrebanhar alguns jovens “doutores” que ali residem e que queimam suas pestanas escrevendo livros sobre a sustentabilidade futura do planeta. Pode ser um começo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-664571483660303274?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/664571483660303274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/reticencias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/664571483660303274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/664571483660303274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/reticencias.html' title='Reticências'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1131540930555489319</id><published>2012-01-08T03:33:00.001-08:00</published><updated>2012-01-08T03:33:37.366-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Um homem invisível?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Claudio Torres ficou mais conhecido pelo público brasileiro após o sucesso de seu filme “A mulher invisível” (2009) em que Selton Mello inventa a mulher perfeita (Luana Piovani) para não precisar mais sofrer de amor. Mas tem em seu “DNA” o fato de ser filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres (já falecido), além de irmão de Fernanda Torres, um time de atores nacionais de primeiríssima linha. Em 2011 ele lançou mais um filme, “O homem do futuro” em que Wagner Moura interpreta um cientista e professor amargurado e solteiro (João), na faixa dos quarenta anos, que pesquisa uma nova fonte de energia barata e renovável, mas está prestes a ter sua verba cortada. Pressionado e sem perspectivas, ele decide testar (apesar de muito medo) sua máquina de produção de energia que acaba levando-o “involuntariamente” ao passado, na mesma data em que foi humilhado publicamente por Helena (Alinne Moraes) e ganhou o apelido de Zero, sua sina até os dias atuais. Gago, “nerd” e perdidamente apaixonado por Helena - a “deusa” desejada por todos os homens da faculdade - neste mesmo dia ela havia declarado seu amor por ele depois de tê-lo conhecido mais intimamente graças às aulas particulares de matemática que ele gentilmente lhe concedia. Em êxtase total, minutos antes da trágica e para sempre dolorosa humilhação, ele se prepara para cantar com sua amada a música “Tempo Perdido” de Renato Russo na festa à fantasia que anuncia o final do curso. É neste instante que o “outro” João, aquele que ficou trancafiado neste vergonhoso e insuportável sentimento de si, chega do futuro, consegue “assistir” as cenas do triunfante e inocente João e decide tentar mudar seu próprio destino. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;A comédia romântica é um gênero que agrada ao público em geral e foi este clima ameno e engraçado que o diretor escolheu para abordar um dos sentimentos humanos mais adstringentes: a humilhação e a vergonha que a acompanha, cujo peso aumenta e muito quando vivida na adolescência. Não por acaso o bullying se tornou uma preocupação quase global. Embora alguns críticos classificassem o filme como ficção cientifica, sua trama estaria muito mais comprometida com a complexidade de nossas vidas subjetivas, principalmente ao apontar a importância de certas vivencias passadas e traumáticas e o quanto elas podem nos enclausurar para sempre em circuitos fechados e repetitivos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;O João que sofrerá esta fatídica exposição é um jovem tímido, cuja gagueira já sinaliza suas inibições e, portanto fadado a viver com horror sua vergonha pela revelação de sua fragilidade e perda de qualquer dignidade. Seu precário mundo interno irá se desmoronar aos olhos dos outros, e só lhe restará viver uma vida monocromática, melancólica e ocupar o desagradável lugar de vítima com espasmos ocasionais de muito rancor. Seu fundo musical será embalado pela cáustica letra de “Creep”( Radiohead) anunciando o sentimento de si (“verme”) e o ressentimento que permeará sua vida, estampado na frase “I wish I was especial” ( eu queria ter sido especial).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;O mais interessante deste filme, no entanto é a solução encontrada pelo diretor para retificar este destino e possibilitar uma virada na vida de João a fim de que ele deixe de ser Zero. Se em um primeiro momento a “volta ao passado” (quem nunca se imaginou retrocedendo a algum acontecimento passado para muda-lo?) tem a finalidade de apagar o sofrimento dilacerante da vergonha, impedindo simplesmente que o fato aconteça, na sequencia e diante das consequências desta tentativa de eliminar os “maus” momentos e as dores por eles geradas, um terceiro João, mais distante de seu ódio e sina, admite a humanidade da experiência de sua vergonha e reúne a coragem necessária para &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;deixar sua vida rolar. Wagner Moura fará três versões de João, em momentos diferentes de sua vida, tratando de fazê-los conversar um com o outro para ampliar sua visão de homem e de si, rever/ajustar sua historia e enfim viver o amor e a dor. O trecho abaixo da letra de “Tempo perdido” é uma amostra deste deslocamento: sai o tom ácido do drama, ainda que não se elimine as dificuldades do caminho sempre tortuoso que cada um precisa percorrer para se tornar “gente”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Não tenho medo do escuro&lt;br /&gt;Mas deixe as luzes&lt;br /&gt;Acesas agora&lt;br /&gt;O que foi escondido&lt;br /&gt;É o que se escondeu&lt;br /&gt;E o que foi prometido&lt;br /&gt;Ninguém prometeu&lt;br /&gt;Nem foi tempo perdido&lt;br /&gt;Somos tão jovens...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Para conferir: O Homem do Futuro (Brasil, 2011) &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Direção: Claudio Torres&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Elenco: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luísa Mendonça, Gabriel Braga Nunes e Fernando Ceylão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1131540930555489319?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1131540930555489319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/um-homem-invisivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1131540930555489319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1131540930555489319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2012/01/um-homem-invisivel.html' title='Um homem invisível?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2678136370144605921</id><published>2011-12-30T10:25:00.000-08:00</published><updated>2012-01-03T16:50:14.963-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Natal &amp; Amor</title><content type='html'>&lt;div style="line-height: 21.6pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-size: 14pt; mso-ansi-language: PT; mso-themecolor: text1;"&gt;As imagens, os textos, os sons não deixam dúvidas. Se a origem é cristã, o dia 25 de dezembro repete o momento em que milhões de famílias buscam se reunir e a grande maioria das pessoas admite celebrar a irmandade da espécie e pensar nos desvalidos da vida. Parece que precisamos desta data para abrir nossos corações, ajudar aos menos afortunados, em uma espécie de busca de sentido para nossas vidas. Ou somente para fazermo-nos merecedores da compaixão divina, com seu poder de “tirar os pecados do mundo” e os nossos. Tentamos enumerar nossas boas ações e encontrar razões para nossos sonhos mesquinhos ou egoístas. Pedimos perdão por nossos prazeres e gozos. Enfim, o clima convida a um “mea culpa” que zere o cronômetro moral e nos coloque sob os trilhos da solidariedade e da possibilidade de “amar qualquer que seja o próximo”. Mesmo que pareça simplório crer que nossos gulosos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 14pt; mso-themecolor: text1;"&gt; prazeres e nossa culpa consequente expliquem o bem e o mal que regem nossas vidas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-size: 14pt; mso-ansi-language: PT; mso-themecolor: text1;"&gt;Embutido, mas não tão claro, há neste singelo balanço um sentimento de nossa precariedade diante das misérias e violencias que podemos cometer. Pressentimos que se a reunião dos homens em sociedade é uma condição de sobrevivência para a espécie, ela contraria os interesses individuais, pois exige toda uma gama de limites e renúncias aos nossos excessos de amores e ódios. Por mais que inventemos leis e propaguemos o valor do amor, não conseguimos tornar estas forças do “mal” inoperantes. Nossa “realidade psíquica” é uma realidade que ultrapassa aquela que organiza nosso mundo; pior, é particular de cada um e não pode ser coletivizada.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-size: 14pt; mso-themecolor: text1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 14pt; mso-themecolor: text1;"&gt;Teríamos que acreditar que as grandes revoluções só aconteceriam na consciência dos homens que pudessem contemplar &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;sua humilde existência (moral/ psíquica). Mas isso, na hierarquia moderna de nossos valores, desbancaria a felicidade e a segurança como os itens mais ansiados e honraria nossa “autonomia” ou o fato de ser possível a cada um&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-size: 14pt; mso-ansi-language: PT; mso-themecolor: text1;"&gt; escolher seu projeto de vida e realizá-lo, ou melhor ainda, inventa-lo.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; font-size: 14pt; mso-themecolor: text1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 14pt; mso-themecolor: text1;"&gt;Fácil? Assim parece ou poderia ser. Mas na verdade é extremamente doloroso e árido admitirmos que sejamos os únicos responsáveis por nossas desventuras. Não por acaso construímos sentidos místicos que nos dão a impressão de que não somos autônomos e evitamos “saber” que em nosso mundo não há tantos mistérios além de nossas próprias dificuldades, medos e confusões. Precisamos mais que nunca de datas como esta que nos envolvam e nos permitam desfrutar do clima do amor entre os homens. Amor que, mesmo vestindo novas roupagens, continua a cumprir sua função de ligar e encantar nosso mundo. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Resta-nos juntar as boas coisas que a vida ainda nos oferece e lembrarmos em retrospectiva, como alguns de nós sabem mostrar que o “amor” existe e que o mundo vale a pena. São b&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin; mso-themecolor: text1;"&gt;oas histórias que nos ajudam a viver e a desejar um feliz 2012 a todos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 21.6pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2678136370144605921?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2678136370144605921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/natal-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2678136370144605921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2678136370144605921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/natal-amor.html' title='Natal &amp; Amor'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-9051552164544410822</id><published>2011-12-28T13:05:00.001-08:00</published><updated>2011-12-28T13:05:22.115-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Eu, tu, eles.</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Havia sentido um friozinho no estômago em algum momento próximo ao final do mês de novembro. Pensar que logo mais dezembro se iniciaria causava-lhe tamanha ansiedade que precisava respirar, “deletar” tais pensamentos e forçar a volta à rotina. Misturava-se a isso certo pesar já que em sua infância os dias que antecediam o Natal eram impacientemente esperados. Sua cidade vestia-se de verde e vermelho e todas as luzes do mundo se acendiam. Papais Noéis de verdade, sinos, presépios, lojas que estendiam seu horário de fechamento até às dez da noite e exibiam vitrines reluzentes, músicas com temas natalinos. Assim começavam as férias escolares, praticamente junto ao anúncio de proximidade da celebração do Natal. Era uma conjunção de boas novas. Os adultos ficavam mais imersos e apressados a fim de poder cumprir os prazos para a compra dos presentes e dos quitutes da ceia e do almoço do Natal. Nozes, castanhas, avelãs e panetones ganhavam espaço. Parentes chegavam de suas cidades promovendo o encontro de primos que podiam brincar quase sem limites de horários. Pensando bem, era como se este pequeno espaço de tempo entre o final do ano letivo e o 24 /25 de dezembro fosse o verdadeiro “carnaval” infantil: desapareciam as rígidas medidas disciplinares impostas pelos pais e pelas obrigações escolares ao mesmo tempo em que se descortinava um mundo colorido, agitado e cheio de novidades prazerosas. Da penúria ao excesso, dormir era perder tempo. O dia seguinte já estava ali, à espera de novos e deliciosos momentos. Quem poderia imaginar tantas mudanças? Como tudo na vida, o período que antecede o Natal também tinha seu lado B. Não que a reunião dos familiares - cada vez mais escasso em números, mais concentrado em seus núcleos- tivesse deixado de ser agradável. Mas a velha “aura” mágica deste período do ano havia se dissipado quase completamente. Ok, o olhar de um adulto cinquentão (ou sessentão?) pode ser cético, duro demais. Pintava sim um olhar invejoso aos que podiam manter a alegria e o entusiasmo através dos tempos, uma alegria sem dúvida necessária para empolgar filhos e netos. Ele tinha que se esforçar. Muito! Nem sabia ao certo se podia chamar de preguiça ou de dor o fato de evitar as aglomerações em torno de shoppings e de “visitas” aos enfeites majestosos de Natal espalhados pela cidade. Não conseguia ver sentido naquele bloco de pessoas zanzando pela cidade, nem mesmo nas inúmeras confraternizações que pipocavam nos bares, dos amigos da infância, dos colegas de faculdade, daqueles do antigo trabalho, do atual, etc, etc. E a passagem do ano? Só de imaginar as estradas coalhadas de carros ou os aeroportos lotados com todos bufando pelos atrasos dos voos, sentia falta de ar. Preocupava-se com este azedume. Seria assim para sempre? Não conseguiria mais desfrutar (nem compartilhar) minimamente o clima especial de todo final de ano? Não poderia responder a esta questão, ao menos não agora. Sabia bem que sua tristeza, apatia ou aflição (sabe-se lá) estavam atreladas a uma reflexão mais profunda que havia sido disparada desde julho, quando completara sessenta anos. O futuro ficara bem mais curto e estava difícil ajustar os sonhos para que se amoldassem melhor à realidade. Um choque, uma ferida aberta que pedia um tempo, quem sabe uma nova lente para encarar as mudanças que o corpo começava a anunciar e a mente precisava processar. Era isso. Estava doendo demais e não havia energia disponível para a alegria transformadora que estas festas pedem. Quem sabe o próximo ano reservasse a ele alguma surpresa. Que fosse boa, que lhe devolvesse o pique, o encanto pela vida, pelas pessoas, pelos seus. E por ele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-9051552164544410822?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/9051552164544410822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/eu-tu-eles.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/9051552164544410822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/9051552164544410822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/eu-tu-eles.html' title='Eu, tu, eles.'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-952483642469818087</id><published>2011-12-15T11:05:00.001-08:00</published><updated>2011-12-15T11:05:49.277-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Por uma ação de graças</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Semanas atrás, em conversa com brasileiros que residem nos USA, falávamos sobre a força da "tradição" que o feriado do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Thanksgiving &lt;/i&gt;mantém entre os americanos. Uma das pessoas comparou o clima desta data &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;- em que as famílias americanas&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;se reúnem em torno do famoso "turkey"- ao nosso Natal. Comemorado toda 4ª quinta feira do mês de novembro, o dia de Ação de Graças rememora a refeição coletiva de agradecimento pela fartura da colheita conquistada pelos peregrinos vindos da Inglaterra, graças aos ensinamentos de alguns índios nativos sobre as técnicas de plantio. O período anterior havia sido de penúria diante do frio e da fome. De certa forma nos familiarizamos com esta celebração e pudemos comprovar seu valor em inúmeros filmes (made in USA) que mostram jovens estudantes e adultos cruzando estados para se reunirem com seus familiares. Muitos destes filmes contam historias de afirmação de vínculos de pertencimento, alguns do reasseguramento dos afetos de amor, mas não são poucos os que descortinam os desencontros tanto pelo via do drama quanto da comédia. Tal e qual as histórias sobre a noite de Natal em torno das expectativas das reuniões familiares, não importa o quão difícil, trabalhoso e tenso seja, a tradição funciona como um polo agregador e inevitável e todos se sentem melhor se puderem "cumprir" com este protocolo. Por não compartilhar de fato do significado do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Thanksgiving&lt;/i&gt;, uma de minhas interlocutoras, que ali reside há mais de uma década, trazia seu olhar "estrangeiro" sobre esta festa. Insistentemente convidada a participar e incitada a escolher um entre os “anfitriões”, percebia ser difícil para a grande maioria, suportar o fardo da solidão ou da exclusão dos que não possuem famílias e não podem desfrutar do calor da data. Aos poucos foi se acostumando a planejar seu feriado, escolhendo as “famílias” principalmente pelo critério de seu acolhimento e flexibilidade, já que em seu currículo constavam vários jantares que expunham o paradoxo da reunião. Embora houvesse um movimento geral em torno de compra de passagens e presentes, definição de cardápios e receitas de peru, nada garantia que o evento fosse agradável. Na verdade, a produção de intimidade por vezes “involuntária” da família parecia induzir uma espécie de visita ao seu "acervo de memoria afetiva" despertando os pequenos dramas infantis de cada um. Em geral as festas de Natal também impõem a todos o cumprimento de seus rituais - juntar o maior número possível de familiares, decidir a casa, o cardápio, fazer o amigo secreto ou presentear aos que somos gratos - mas nada impede que possam ser tensas, e os motivos podem ser os mais variados. Talvez um denominador comum seja o fato de que nossos mais pungentes dramas são os vividos em nossa infância, no seio familiar, dramas construídos pela força dos amores, das preferencias, do carinho, mas também dos ciúmes, das disputas, das rivalidades e das violências. Muitas famílias, ao longo de suas histórias, conseguem minimizar os efeitos às vezes mortíferos, às vezes agressivos que permeiam suas relações e podem manter um funcionamento mais &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;cool&lt;/i&gt;, em que o humor e o amor sobrepujam as diferenças e as tensões. Outras perpetuam este ranço e suas reuniões são palco de trocas ferinas, mágoas e ressentimentos. Porque continuam se reunindo? Saber-se parte de uma família, ter uma origem, uma "organização" a qual se pertence pode ser mais importante do que sentir-se excluído em uma data em que se imagina que TODOS estão "felizes" comemorando com os seus. Pode ser que a dor e o sofrimento deste desamparo sejam mais insuportáveis do que o convívio familiar, mesmo que seja para brigar, beber, falar o que não se deve, ouvir o que não se quer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-952483642469818087?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/952483642469818087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/por-uma-acao-de-gracas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/952483642469818087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/952483642469818087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/por-uma-acao-de-gracas.html' title='Por uma ação de graças'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4359617601197700269</id><published>2011-12-08T07:58:00.001-08:00</published><updated>2011-12-08T07:58:58.459-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Conto de fadas moderno</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;A frase saiu pronta, rápida, mas eu nem havia pensado sobre ela. Provavelmente fazia parte destes momentos em que fazemos alguma associação, mas seu sentido nos escapa. Diante da necessidade de eleger um tema a ser abordado em nossa seção de debates do próximo numero da Revista Percurso (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.revistapercurso.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;http://www.revistapercurso.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoHyperlink"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;) &lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;, pedi às minhas colegas que assistissem ao filme “O garoto da bicicleta” (ainda em cartaz na capital) e deixassem-se afetar por sua trama. Depois voltaríamos a conversar. Saí dali e fiquei a tentar buscar o sentido daquele convite. Porque aquele filme me parecia paradigmático a ponto de suscitar questões importantes? Assistira-o há dois dias antes, não só por ele ter conquistado o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes/2011 ou fazer parte da &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.guiadasemana.com.br/cinema/noticia/35-mostra-internacional-de-cinema" target="_self"&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;, mas por ter visto seu trailer algumas vezes e me encantado pelas cenas do menino “voando” em sua bicicleta no verão de alguma pequena cidade do interior. Cenas de crianças que circulam sozinhas de bicicleta pela cidade não são mais usuais em nosso panorama paulistano nem mesmo em cidades do interior como Ribeirão Preto ou Campinas, mas fazem parte de meu repertorio afetivo infantil. Com pouco mais de oito anos era meu veículo de transporte para fazer pequenas compras ou ir às aulas de piano, a algumas quadras de minha casa. Nunca me esquecerei da sensação de liberdade e até de uma certa autonomia protegida, que me permitia transitar as vezes pelas calçadas outras pelas ruas asfaltadas da minha querida Morada do Sol. De fato a bicicleta tem um significado importante na historia de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Cyril. Ela funciona ao mesmo tempo como uma possibilidade dele transitar entre seu passado para resgatar as boas coisas e fechar suas feridas, e ajuda-o a buscar um lugar para si no futuro. Aos 11 anos, deixado por seu pai em um orfanato &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;com a promessa de que seria apenas por um mês, Ciryl &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;se inquieta com a falta de noticias deste pai (que desaparece quase sem deixar rastros), e passa a criar estratégias de fuga, convicto de que o encontrará, assim como a sua bicicleta. Em uma destas tentativas, consegue voltar ao seu apartamento, mas ele está vazio, quase sem vestígios de sua antiga vida, inclusive sem sua amada bicicleta. Ao tentar se desvencilhar da captura dos agentes de seu orfanato, esbarra em Samantha, uma cabelereira da cidade, e a abraça forte e desesperadamente como a impedir que o levem. Aos berros ele deixa claro sua crença de que o sumiço do pai é improvável e clama por uma história que o convença. Seu pedido de socorro desperta a compaixão e a curiosidade desta moça que acaba encontrando a tal bicicleta à venda e decide dá-la de presente a Cyril no orfanato. Mas ele ainda não pode crer que o pai tenha colocado a venda algo tão valioso sem consulta-lo. Faz mais sentido imaginar que isso teria sido obra de algum ladrão de bicicletas. O orfanato abre às famílias da cidade a chance de se oferecerem como guardiãs dos órfãos para os finais de semana. Samantha, a pedido do próprio Cyril, acolhe-o e o ajuda na busca do pai perdido. Deixando de lado o restante da trama (para não eliminar as surpresas de quem ainda não viu), em entrevistas a imprensa, os irmãos Dardene, diretores do filme, proclamaram ser este um conto sobre o amor cujas referencias seriam os contos de fada, no estilo de um conto de fadas moderno. Curiosamente, se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;os contos de fadas costumam assegurar um final feliz, eles também são a maneira que nós adultos inventamos para revelar aos nossos filhos as dificuldades das relações familiares, em que pais e filhos podem odiar aqueles que mais amam, em que invariavelmente há desencontros amorosos, e perdas de ilusões de perfeição. Nem descrença absoluta, nem ingenuidade ou julgamento moral na composição dos personagens, somos convidados a “escutar” os motivos e justificativas de atos humanos. Até mesmo o mito da infância feliz está sendo questionado, aquele em que um casal parental amoroso e presente seriam garantia para um filho se tornar um adulto com autoestima permanente, apto a enfrentar as dificuldades da vida. Cyril é um personagem contemporâneo, meio insuficiente, meio atrapalhado, às vezes agressivo, outras corajoso, aflito e terno que busca valentemente um lugar no mundo para si. E os diretores parecem apostar em nossa capacidade de nos aproximarmos dos personagens, não para repeli-los por aquilo que nos incomoda neles, mas para reconhecer neles possibilidades nossas, e quem sabe nos solidarizarmos com suas dores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Para conferir:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;O Garoto da bicicleta &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;(Le Gamin au Vélo). Bélgica, 2011. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Direção: Jean Pierre e Luc Dardenne.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Com Cécile de France, Thomas Doret, Jérémie Renier. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4359617601197700269?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4359617601197700269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/conto-de-fadas-moderno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4359617601197700269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4359617601197700269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/conto-de-fadas-moderno.html' title='Conto de fadas moderno'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-7382224664053918371</id><published>2011-12-01T07:27:00.001-08:00</published><updated>2011-12-01T07:27:52.875-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Benvindos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;O Brasil poderia ser comparado a um jovem e inquieto adulto que, na falta de boas referências que pudessem dar-lhe um contorno mais definido de sua identidade, estaria sempre em busca de confirmação sobre seus talentos e falhas, suas possibilidades e misérias. Quase todas as celebridades estrangeiras que aqui aportam são assediadas pela mídia para deixarem suas impressões, seja sobre as características mais marcantes de nosso povo e suas proezas, pelos contrastes sociais fartamente exibidos pelas nossas cidades, pelo funcionamento “caseiro” de nossa politica ou pela grandeza de nossos recursos naturais. No cômputo geral conseguimos impactar a maioria dos que nos visitam e não é raro ouvirmos alguns elogios a alguns destes itens. Claro que não podemos deixar de registrar as regras de boas maneiras exigidas para todo visitante. Que não se atrevam a melindrar seus anfitriões apontando-lhe falhas às vezes escancaradas. É de bom tom evitar constrangimentos e enaltecer nossas qualidades ou agradecer nossas gentilezas. Por isso chamou a atenção os comentários feitos por&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Alain de Botton em sua recente visita ao Brasil. S&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt;uíço &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;de nascimento, mas &lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt;na &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Inglaterra desde os 12 anos, ele é um dos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt; filósofo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;s&lt;/span&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt; mais &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;pop&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;s&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-size: 14pt;"&gt;da atualidade&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;. Simpático, não se esquiva de quaisquer questionamentos que lhe sejam dirigidos ou que lhe imponham algum tipo de crítica ou avaliação. Convicto de que os saberes das humanidades precisam se aproximar da vida cotidiana de todos, versa com segurança sobre temas como o amor, a religião, o trabalho, a educação, a literatura, a arquitetura, a vida em sociedade e o significado da existência humana. Com respostas sempre à ponta da língua, rebate as críticas feitas ao estilo “autoajuda” de seus livros, lembrando que tal estilo de literatura sempre fez sucesso em tempos mais remotos, quando filósofos e pensadores em geral escreviam verdadeiros tratados para ajudar os indivíduos a se situarem melhor em suas vidas. Levando sua convicção às ultimas consequências em 2009 fundou em Londres a “&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;The School of Life&lt;/i&gt;”, uma universidade voltada a todos os que desejam estudar “como viver” e que oferece possibilidade de se discutir temas como morte, casamento, escolha de profissão, ambição, criação de filhos. Temas que estariam hoje relegados a alguns gurus (segundo ele), mas que precisariam ser considerados com rigor e seriedade por sua importância na vida de todos. Por isso em sua escola é possível se inscrever em cursos como política, trabalho, família, amor, além de conversar com um terapeuta, aprender a fazer jardinagem, etc. Um claro desafio à educação vigente que estaria longe de valorizar as respostas para os grandes dilemas da vida. Durante o curto período em que aqui esteve - uma semana – com a finalidade de participar de conferências e lançamento de seu último livro, a cada cidade que visitava (São Paulo,&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Porto Alegre e &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Rio de Janeiro) o filósofo tuitava comentários (nem sempre lisonjeiros) de forma espontânea. Em uma de suas últimas entrevistas confessou estar com a impressão de que estava aqui há séculos, tamanho era o país e sua diversidade. A Inglaterra lhe parecia não só pequena como pacata. Sensível, detectou as diferenças entre as culturas de cada uma das cidades visitadas, e embora tivesse comparado Porto Alegre ao Texas, São Paulo a Nova York e o Rio de Janeiro a Los Angeles, não deixou de sublinhar as diferenças entre Brasil e EUA, principalmente na maneira como a religião aqui funcionaria de forma mais acolhedora e menos fundamentalista. Deixando-se afetar sem pré-conceitos, Alain de Botton pareceu aglutinar a inquietude de sua geração (tem 42 anos), mas mais que isso, despiu-se de qualquer arrogância intelectual sem cair na banalidade e sem perder o interesse e a curiosidade pelas vidas humanas em geral. De forma generosa, emprestou sua vitalidade e conhecimento em todas as pontuações que nos fez. Só nos resta dar-lhe as boas vindas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-7382224664053918371?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/7382224664053918371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/benvindos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7382224664053918371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7382224664053918371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/12/benvindos.html' title='Benvindos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4015464949734938475</id><published>2011-11-26T05:10:00.001-08:00</published><updated>2011-11-26T05:10:30.474-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>A invenção da vida</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Betina ouviu as batidas na porta de seu quarto e suspirou contrariada. Tentou responder “não” à sua mãe de forma o mais gentil possível. Na verdade não desejava sair de sua cama. Queria ficar ali, deitada, pensando, rodando o filme de sua vida sem que seu corpo se mexesse. Era uma técnica que ela havia desenvolvido e que lhe dava uma extrema sensação de conforto. Gostava de se imaginar &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;em uma viagem como se fosse apenas um ponto, sem matéria, ao mesmo tempo em que era tudo: as ideias ficavam claras, os sentimentos eram aparados e o peso das dúvidas e do medo afastava-se. Mas agora teria que “retornar”, abrir a porta e enfrentar sua mãe. Ela não deixava barato. Já havia sentido muita raiva por ela ser tão “presente”, por ficar tão atenta. Depois de tantas vezes em que as mães foram tema de discussões entre as amigas, foi situando a sua de forma diferente. No fundo era bom que ela se importasse. A mãe de Aninha, por exemplo, nunca telefonava para saber seu paradeiro, e isso já tinha sido motivo de inveja de muitas. Mas não mais dela. Até o fato de serem apenas as duas, ela e a mãe, já estava mais acomodado em sua bagagem de vida. Sua inquietação do momento era o fato de seu aniversário de 18 anos estar próximo, já na semana seguinte. Sentia necessidade de pensar sobre esta passagem, ajustar melhor seus planos. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Estava no final do primeiro ano da faculdade e empolgada com o curso que havia escolhido - à revelia de seu pai que apostara em uma carreira mais “consistente”. Quase prestara Arquitetura só para deixa-lo mais contente. No fundo sentia uma pontinha de orgulho por não ter desistido de ser uma designer gráfica. O desenho sempre tivera um significado importante em sua vida e desde os oito anos, acostumara a retratar situações familiares e de seu cotidiano em pequenas folhas brancas. Em geral os adultos ficavam muito entusiasmados com sua capacidade de apreender certas nuances das pessoas e das situações naquelas “mal traçadas linhas”. Não tinha sido nada fácil convencer os pais a dar-lhe esta chance, e na época isso tinha sido muito sofrido. É difícil e injusto o confronto entre o que os filhos querem para si e o que os pais querem que eles sejam e para ela em especial havia sido tumultuado escolher algo que desagradava aos dois. Rolou muita conversa, muita saliva e tentativas de persuasão de um lado e de outro. Filha única de pais separados, exigentes, intelectualizados, que colocavam nela um caminhão de expectativas. Ufa! Carga pesada para uma adolescente que sonhara desde sempre em ser artista, esta palavra tão solta, sem grandes definições prévias, sem vínculo empregatício, sem lugar de destaque no mercado das profissões promissoras. Começara o ano letivo com ganas de absorver ao máximo as técnicas e ferramentas oferecidas para aprimorar seu talento. Queria (precisava) descobrir algum nicho diferenciado e era preciso convencer seus pais sobre a importância de adquirir programas digitais de ultima geração. Suas ideias fervilhavam e era deste tempo mágico que as batidas da porta do quarto destoavam. Uma coisa era imaginar sua nova empresa de produtos descartáveis com designs criativos dirigidos às grandes redes de hotéis e restaurantes. A outra, bem diferente, era começar a falar disso com sua mãe (ou pior, com seu pai). Da fantasia à realidade havia uma distancia desanimadora. Abriu a porta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4015464949734938475?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4015464949734938475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/invencao-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4015464949734938475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4015464949734938475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/invencao-da-vida.html' title='A invenção da vida'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-3193692389483635146</id><published>2011-11-19T04:26:00.001-08:00</published><updated>2011-11-29T17:58:54.659-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Eu como você</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Em geral os filmes de Almodóvar dispensam apresentações. São filmes que trazem a marca e o estilo de seu “autor”, este espanhol que conseguiu abordar a temática da sexualidade latina (e humana, claro) escancarando o preconceito, mas principalmente o que fica escondido nas bordas, na periferia ou no avançado das noites, quando a grande maioria já dorme em suas camas e casas protegidos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Sua a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;rte não cabe nos bons nem nos maus valores: causa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt; espanto, ambiguidade e surpreende por tocar-nos seja pela com-paixão ou pela perturbação (caso de seu ultimo filme “A pele que habito”). Sem o colorido e o excesso que marcam seus filmes anteriores, neste, Almodóvar parece querer “esterilizar” e até banalizar os impactos da sexualidade ao trazer ao grande público um tema perseguido desde sempre pela humanidade, o controle da vida e da morte ou, se quisermos, o controle (silencio) das dores do viver. Tal como um&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; Dr. Frankenstein &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt;pós-moderno, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Antonio Banderas interpreta o cirurgião plástico Ledgard, que utiliza como cobaia (de forma inescrupulosa), uma mulher que mantém cativa em sua mansão/ clinica, e na qual irá implantar &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;um novo tipo de pele transgênica (feita com DNA suíno) que, embora mantenha a sensibilidade ao toque, deixa-a resistente ao fogo, a picadas de inseto e ,é claro, a dor. A frieza/indiferença deste cientista ousado esconde, no entanto, não só sua busca obsessiva pela esposa perdida (e reconstruída nesta mulher-objeto), como sua vingança pela morte da filha, pela qual tentará fazer “justiça” com suas próprias “mãos”. Na medida em que o filme avança e regressa no tempo para situar o espectador, a trama se abre aos personagens almodovarianos, agora sim se apresentando com suas historias dramáticas, seus segredos, infortúnios, perdas, enfim, tudo o que pode tentar justificar o uso e o abuso de uns contra os outros. Há com certeza uma espécie de crítica aos avanços inimagináveis da ciência, mas há mais que isso. Como toda &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;arte &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que exerce seu papel de apontar para valores futuros, transgredindo os vigentes, Almodóvar escancara o homem por trás da ciência&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e seu anseio em se apossar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;do próprio corpo através do&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;controle de seus excessos, suas vontades, seus prazeres e &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;dores, em especial, as dores psíquicas. Corpos que se transformam em meros objetos, que podem adquirir novas formas e sexo ou descartar o que não serve. O perturbador da trama é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt; o que ela revela sobre os avessos e sombras do espírito humano - a violência do desprezo, do constrangimento e da humilhação própria das relações de domínio e submetimento. É a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt; constatação de que estamos sujeitos a construir, ainda que de forma defensiva, um eu todo poderoso e onipotente, que facilmente nos conduz ao abuso de poder,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #000011; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; ao canibalismo utilitário e instrumental,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt; subvertendo o que temos de mais caro em nossa escalada humana - a possibilidade de dimensionar o valor do outro/ próximo como um parceiro em nossa empreitada do viver. Se é pelas parcerias que podemos enfrentar o medo e os percalços de nosso encontro com a sexualidade e a morte, tal percepção não está dada e nem sempre é possível; precisa ser buscada, desejada, fazer-se necessária. Por isso o filme incomoda, e ficamos sem saber em que arquivo guarda-lo: teremos que inventar ou nos indignar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;Para conferir: A Pele Que Habito (La Piel que Habito) – Espanha 2011&lt;br /&gt;Direção: Pedro Almodóvar&lt;br /&gt;Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-3193692389483635146?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/3193692389483635146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/eu-como-voce.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3193692389483635146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3193692389483635146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/eu-como-voce.html' title='Eu como você'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-3873646176146937113</id><published>2011-11-14T10:14:00.001-08:00</published><updated>2011-11-14T10:14:11.744-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>O que a gente pode fazer</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;As dores em seu corpo funcionavam como lembretes ao não lhe deixar esquecer que a noite tinha sido um calvário. Acordara pelo menos duas vezes na madrugada, assaltado por sua angústia e por uma sensação de medo. Talvez não houvesse nada pior do que estes “sentimentos agudos” que ficam a brigar com o torpor do sono até que finalmente vencem a batalha e inundam todo o corpo. Ponto para a &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;consciência crítica a lhe importunar sem descanso. O quarto ainda estava escuro, mas o barulho da manhã já invadia o ambiente. Tentou evitar olhar para os enormes números digitais vermelhos do relógio, mas eles haviam sido colocados ali no alto justamente para facilitar a organização de sua rotina diária. Medo. Medo de ter que pensar, de ter que se lembrar de tudo. De ter que resolver, decidir, agir. Nestas horas parecia fácil visualizar que à proporção da evolução,também pipocavam formas de se safar do peso da administração da própria vida. Na medida em que o orçamento ganhava algum volume era possível nomear agentes que passavam a funcionar como co-autores desta empreitada. Tinha se beneficiado desta prerrogativa sem nenhuma culpa. Seu secretário “faz tudo” e seu motorista – cuidadosamente selecionados – foram assumindo parte a parte de suas obrigações a ponto de se confundirem com ele mesmo. Os três juntos eram imbatíveis e podiam jogar horas sem deixar a bola cair, tamanha a sincronia. E quando se atinge um estágio em que é possível se ter a ilusão do controle (quase) absoluto é muito fácil se esquecer do imponderável. Do inesperado. Das surpresas. Tem-se a impressão de que a vida vai (mesmo) andar no trilho da tranquilidade, para sempre. Sentiu a vergonha inundando seu corpo, ultrapassando e se misturando por alguns segundos com o tormento do medo – um medo que não ousava dizer o seu nome, uma espécie de covardia autocomplacente. Será que havia estudos sobre estas diferenças, anunciadas pelo corpo, para as sensações de medo/ angustia, vergonha/humilhação, nojo/horror? Cada grupo parecia movimentar órgãos e vísceras específicos, como se fossem tonalidades diferentes de desconfortos. Vergonha de que? Não sabia ao certo, mas tinha dificuldade em se lembrar de si mesmo no passado recente. A figura poderosa que se tornara, um pouco arrogante e muito vaidosa, cuja presença provocava uma ruidosa avalanche de luzes, câmeras e microfones. Pensar que quase todos buscam esta espetacularização de suas vidas, este reconhecimento estampado nos olhos dos outros, a satisfação de estar em evidencia. Tal como um balão de aniversário, foi só a festa acabar para que ele ficasse sem ar, sem função, esquecido ali, à mercê dos que se ocupam da limpeza geral no dia seguinte. De repente &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;aquela parafernália tecnológica de sua casa que tanto lhe enchia de orgulho, da qual ele se ufanava de ter bolado e conquistado, já não fazia o menor sentido. Aninha bem que tentara lhe alertar. Mas desistira. Na ultima reunião familiar (antes do “desastre”) ela já fazia comentários irônicos, sem aquela preocupação/indignação de irmã mais velha diante dos “maus” comportamentos do caçula. A experiência humana seria mais complexa do que a tarefa de buscar, comprovar e ostentar status, teria dito. Para ela, qualquer atividade humana deveria - &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;antes de mais nada - ser reconhecida por sua responsabilidade social. Aninha seguia este modelo de gestão de vida, em que os encontros, as reuniões, a solidariedade, as trocas entre as pessoas precisavam ocupar a primeira linha de ações de qualquer ser humano. Balançou a cabeça. Com tantas coisas para decidir, surpreendia-se por este resgate de ideias sobre a vida. Ele que&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;sempre engrossara o coro dos que&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;consideravam sua irmã uma militante social, agora sentia-se tal e qual um mendigo desamparado, sem amigos que valessem a pena, louco por uma lembrança que lhe devolvesse um valor, uma medida de sua capacidade de ser amado. Resolveu ligar para Aninha.&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-3873646176146937113?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/3873646176146937113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/o-que-gente-pode-fazer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3873646176146937113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3873646176146937113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/o-que-gente-pode-fazer.html' title='O que a gente pode fazer'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5020396155788735953</id><published>2011-11-03T07:48:00.001-07:00</published><updated>2011-11-08T13:04:45.785-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Quem sou eu?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Quando o historiador Walter Isaacson, escolhido pelo próprio Steve Jobs para ser seu biógrafo, perguntou-lhe ao final da maratona de entrevistas e conversas sobre sua vida, porque ele, sempre discreto, estivera tão disposto a &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;se abrir e&amp;nbsp;falar de si, ouviu algo surpreendente. Steve Jobs queria que seus filhos o conhecessem melhor, soubessem de seus feitos e entendessem as razões pelas quais ele nem sempre pudera estar presente. Personalidade midiática, glamourizado e convertido em símbolo, é provável que Steve Jobs quisesse desvendar o homem atrás do mito e quem sabe, ao ajudar a construir textos sobre sua vida pessoal, tornar cada leitor um crítico/parceiro de sua identidade. Não só pelas biografias - que as estatísticas apontam um crescimento jamais visto - mas há hoje um certo apelo para o entendimento de si e o falar de si. E os motivos não parecem simples ou poucos. Por um lado, em um mundo sem critérios rígidos e prévios para eleger celebridades, a fama projeta pessoas dos mais variados setores e as coloca sob o foco da curiosidade mundana, um verdadeiro culto à privacidade pública. Pessoas que se veem, de repente, incitadas a criar discursos atraentes sobre si e a ensinar os passos para se alcançar uma “identidade” bem sucedida. Por outro lado a invisibilidade assusta: como viver sem saber quem somos ou sem ter algum reconhecimento que nos devolva um saber sobre nós? O temor a este vazio (ou vácuo) poderia ajudar a alimentar uma dimensão imaginária do si mesmo? A verdade é que a complexidade do ser humano (que não cessa de aumentar) nos mostra que não há fórmulas mágicas e prontas que possam dar conta de todas as suas dimensões. Desde que nos pusemos a tentar entender nosso “eu” só conseguimos falar de nós como seres fragmentados, ora apontando nossos ideais, nossos sonhos, ora nossas conquistas e triunfos, ou ainda nossas descrenças e medos, nossas fragilidades e impotência, e por aí vai. A psicanalise contribuiu bastante para um olhar diferenciado sobre o funcionamento de nosso psiquismo, nossa subjetividade com seus paradoxos e incertezas. O fato de a cultura atual funcionar&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;em grande parte pela lógica do marketing, buscando incessantemente capturar &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;nossos desejos e paixões mais profundos para produzir ofertas de prazer e felicidade, ou criando formas de encantamento que nos projetem e nos tornem visíveis não garante a cada um, um lugar ao sol. No mundo business, por exemplo, a subjetividade ganha espaço e há um verdadeiro mercado de identidades profissionais bem planejadas, cuidadosamente descritas para que ganhem coerência, atualidade e estilo. Se no escurinho de nossas camas, precisamos nos esforçar para acreditar no personagem, nem sempre é fácil &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“cair na real” &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e viver &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;a vida na sua dimensão real. Ao planejar sua própria biografia por saber que sua vida estava próxima ao fim, Steve Jobs pode ter desejado participar de alguma maneira na perpetuação de sua imagem. Porque não planejar seu futuro pós-morte? No final das contas todos &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;precisamos “esquecer” que &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;a vida dura somente o espaço entre o nascimento e a morte &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e precisamos sim da construção de uma confiança imaginaria no destino e da criação de ficções sobre a importância que temos para os outros ou sobre o significado de nossos atos corriqueiros. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5020396155788735953?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5020396155788735953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/quem-sou-eu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5020396155788735953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5020396155788735953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/11/quem-sou-eu.html' title='Quem sou eu?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-3715793073136252913</id><published>2011-10-27T10:48:00.001-07:00</published><updated>2011-10-27T10:48:38.058-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Memoria dissolvida</title><content type='html'>&lt;div class="Default"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Mas porque precisava ser desta maneira? A vida estaria lhe dando uma chance ou lhe punindo? Vitória sentia-se confusa, justo ela, tão intelectualizada, sempre rápida no gatilho, a dar palpites e sugestões ou a resolver problemas cabeludos (seus e de outros). A família- todos do interior de Minas- sentia orgulho desta menina e não lhe poupava elogios. Fazia tempo que ela havia se mudado para o Rio de Janeiro atrás de seus sonhos e sim... podia dizer sem titubear que muitos deles se realizaram. De jornalista famosa passara a cineasta, algo que imaginara desde a sua infância, quando “dirigia” a turma da rua improvisando cenários e vestimentas. Era ela quem escrevia o roteiro, mas costumava incentivar todos a escolherem quem seria o melhor ator para cada papel. Esta estratégia não só evitava os conflitos advindos dos ciúmes e das rivalidades, como conferia maior legitimidade aos eleitos. Os “estúdios” de seu Cinemoção ficavam no enorme quintal de sua casa e seus pais jamais se opuseram, ao contrário, até palpitavam e algumas vezes ajudavam na composição dos cenários. Sua mãe, ah... ela era o máximo! Que saudades daquele olhar interessado, investido de energia. Tinha certeza que aquela sua paixão pela vida a alimentara e a movera o tempo todo. Por isso não encontrava palavras para descrever a “cena” do cotidiano de um portador de Alzeimer, este sujeito que rompe os fios de sua memória. Consultas ao Google, aos neurocientistas, aos familiares de outros atingidos por esta doença não puderam responder aquela pergunta que insistia: por quê? Como é possível que ainda saudável, resultados de exames apontando a saúde de uma “jovem”, sua mãe havia abandonado sua bem instalada identidade, sua mais valiosa morada? Porque ela havia preferido este não lugar, sem história, um caminho sem volta, parecendo não se importar em perder-se de si mesmo? Tal como um “filme”, Vitoria tentava achar o fio que pudesse dar sentido a este quadro dramático. Era muito difícil estar ali ao seu lado, ao lado daquele corpo tão conhecido e tão querido e perceber que em algum lugar dele havia um “ralo” sugador de histórias passadas, das quais ela se sentia parte. História de uma mulher e mãe tão sabida, centro nervoso da casa, daquelas que levavam a palavra aonde ainda não existia. Que sabia tecer devagarinho as asas de seus filhos e separar-se deles na hora certa. Todos voaram. Vitoria se surpreendia ao perceber, no entanto, quanto ela se mantinha presente na ausência. Saber que ela existia, que estaria ali para recebê-la, para atender seus telefonemas a qualquer hora e dia, fazia tanta diferença! Não tinha se preparado para perder esta mãe. Havia reservado estes dias para estar com ela, ficar ali ao seu lado, olhando com atenção cada menção daquele corpo às vezes acenando com alguma possibilidade de resgate de seu eu, às vezes alheia a tudo e a todos. Pretendia não adiar este olhar para o passado, não deixar para traz esta história. Queria ser uma espécie de memoria-prótese de sua mãe. Quantas vezes mencionara aos amigos quão “especial” era ela, e como admirava&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;sua capacidade de conhecer a si e aos outros, fato que usava para intervir com delicadeza ao menor sinal de desamparo ou pedido de socorro. Uma máquina de compor, organizar, traduzir, interpretar. Que mundo estranho ela habitava agora? Aos 78 anos, no auge da “velhice”, o conforto e o refúgio dos idosos costuma ser suas lembranças do passado. Alguns com tons mais melancólicos pelo que não puderam realizar, outros a cotejar o passado e o presente com um olhar mais justo. Tantos filmes são baseados nas memórias de prazeres e descobertas de alguém, histórias que nos fazem chorar, arrepiar, acelerar nossos corações. Ali, em silencio, de mãos dadas, Vitoria imaginou uma das cenas de seu próximo filme, as duas, mãe e filha, conversando sobre a dor da morte de seu pai. Vitoria a lhe garantir a possibilidade de ela inventar novos laços para ocupar o lugar dos perdidos. A impedir que sua memória-história se perdesse e com ela a sua paixão pela vida. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-3715793073136252913?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/3715793073136252913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/memoria-dissolvida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3715793073136252913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3715793073136252913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/memoria-dissolvida.html' title='Memoria dissolvida'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6450855414718441067</id><published>2011-10-24T08:27:00.001-07:00</published><updated>2011-10-24T08:27:35.207-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Este seu olhar</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Sentia-se cética demais para levar adiante aquele papo sobre “mau olhado”. Resolveu dar uma volta, beber um copo de água, mas aquele mal estar não lhe deixava. Se desse corda aos seus impulsos voltaria àquela roda de conversas e endossaria o coro dos que já haviam se sentido vítima do famigerado olho gordo. Tantas histórias. Mas mesmo afastada dali não podia evitar que algumas imagens de pessoas viessem à sua memória. (Suspiro). Não. Sua autocrítica não lhe permitiria arremessar a responsabilidade de seus infortúnios a outros, ainda que algumas destas figuras desenterradas de suas lembranças pudessem desfrutar de certa unanimidade quanto ao adjetivo (amedrontador?) de invejoso. Não devia ser por acaso que a inveja figurava entre os sete pecados capitais e muitos de seus portadores fossem personagens famosos na historia da literatura. De Iago (da peça de Shakespeare) que invadido por este “líquido mortífero” destrói a vida de Otelo ao leva-lo a matar injustamente sua amada Desdêmona e depois enlouquecido de remorso, a si próprio, à Rainha Má, cujo espelho não lhe deixa esquecer que Branca de Neve existe e é portadora de tudo o que ela deseja ter/ser, ou ainda o trio da Madrasta e suas duas filhas, que tentam impedir a bela Cinderela de comparecer ao baile promovido pelos reis à caça de uma esposa para o príncipe, e depois, de experimentar o sapatinho de cristal que lhe pertence. Sábias histórias infantis que permitem a nós crianças identificarmos nossos traços mais vis ainda que seja para imagina-los bem longe de nossas mentes, habitando apenas aqueles seres perversos ou asquerosos. Sentir inveja dói. Perceber-se alvo dela é ao mesmo tempo enlouquecedor e paralisador. E é por “conhecermos” quão devastador pode ser este sentimento que atribuímos força ao “olhar” às nossas costas, pronto a nos devorar, arrancar nossas entranhas, se apossar de nós. (Ufa!). O desconforto aumenta, sente-se inquieta com estes pensamentos e claramente dividida quanto ao rumo de suas digressões. De um lado tem ganas de dar vazão a estas rememorações, voltar à infância, não evitar a percepção de sua própria inveja, esta emoção viva e marcante, de cor rubra, que só pode ser incômoda quando somos alvo, porque &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;sua saliva quente e raivosa nos é familiar. Quantas vezes se é surpreendido por este insuportável ruído ao constatar que uma outra pessoa consegue ser ou ter algo que se deseja ou que se imagina que perdeu? O ideal seria poder fazer uma espécie de acordo com esta luta interna, ao sustentar as lembranças da invasão sorrateira da inveja em seu ser, mas não mais deixar de lado a experiência única de saber-se personagem passivo do “olhar” faminto e raivoso da inveja de um outro. Afinal a força deste olhar malévolo e devastador (mesmo quando seu portador não o reconhece) acompanha a própria historia da humanidade e desde os tempos mais remotos a sabedoria popular se encarregou de inventar medidas protetoras, algumas universais. Quem não conhece a figura das benzedeiras de “quebranto” - aquele estado de falta de vontade &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e esmorecimento geral que toma conta do corpo principalmente das crianças indefesas expostas ao olhar dos invejosos ou mal-intencionados? Ou a figa, um amuleto muito utilizado para afastar seus efeitos? Quando ainda não sabíamos que a inveja era tão humana, quase parte de nosso DNA, era mais fácil imagina-la como uma “emoção má” e passível de ser eliminada. Ser benzida por uma curandeira podia trazer um alívio contra as forças invisíveis do mal dos outros. Duro mesmo parecia ser conviver com o saber-se passível de sentir &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;a mais venenosa das emoções. E era isso que iria dividir com a turma. Que atirasse a primeira pedra quem nunca sofreu deste mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6450855414718441067?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6450855414718441067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/este-seu-olhar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6450855414718441067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6450855414718441067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/este-seu-olhar.html' title='Este seu olhar'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2923935130571155657</id><published>2011-10-12T07:27:00.000-07:00</published><updated>2011-10-12T07:29:09.976-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>A era D S J (Depois de Steve Jobs)</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 12pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;No ultimo dia 5 de outubro estreou em São Paulo, no SESC Belenzinho&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; "Os Náufragos da Louca Esperança", &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;uma peça de teatro inusitada, tanto por sua companhia (&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Théâtre du Soleil&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;, França) , cuja historia se mistura ao cenário ideológico dos anos 60 (e as apostas em um mundo socialmente mais justo), quanto pela escolha do tema, baseado em um livro póstumo de Julio Verne. Com mais de quatro horas de duração e um pequeno intervalo de 10 minutos, a encenação surpreende (agradavelmente) em todos os sentidos. Conhecida por manter um trabalho alternativo de criação, articulado ao próprio funcionamento da companhia que participa das decisões e interfere nas direções dos projetos, o teatro de Ariane Mnouchkine consegue manter vivo na atualidade um engajamento social e uma dimensão crítica em relação ao mundo em que vivemos. Com algumas pequenas alterações a historia do livreto de Julio Verne - um grupo de pessoas que no final do século 19 deixa a costa do Reino Unido, parte para a Austrália em busca de uma vida nova, mas&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;naufraga próximo a uma ilha da América do Sul -&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;será o mote para a companhia recriar em cena, com os recursos artesanais do teatro, uma &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;filmagem de cinema mudo no sótão de um restaurante francês, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Ou seja, o ano é 1914, o século é XX (com sua aura de Luzes e Modernidade), o cinema acaba de nascer, as “loucas esperanças” estão espalhadas, mas começa a guerra, justamente enquanto estes atores tentam filmar a historia do grupo de náufragos que acreditam poder enfim criar uma nova sociedade - uma vida civilizada fora da civilização- mas que acabam se matando um ao outro porque por diferentes motivos, são capturados pela possibilidade de encontrar (e se apossar do) ouro nestas terras. A guerra interrompe a gravação do final do filme. A peça acaba.No mesmo dia 5 de outubro morre Steve Jobs, imediatamente alçado a herói do nosso século e ao “hall da fama” ao lado dos que contribuíram para as grandes reviravoltas da vida humana. Um homem que nos ofereceu o que ainda nem sabíamos que desejávamos, um gênio visionário e criativo que elevou a tecnologia tanto a um objeto de culto quanto de consumo diário. Com a família iPod, iPhone e iPad, não precisamos mais de relógios, câmeras, álbum de fotos, filmadoras, calculadoras, calendários, rádios, gravadores, GPS, agenda de telefone, de compromissos, etc, etc. Há um mundo infinito na ponta de nossos dedos, que pode ser transportado junto ao nosso corpo, para qualquer lugar. Podemos consultar sobre o tempo, as pessoas, nossas dúvidas, nossos amores, escrever, ler, enviar mensagens, jogar, rir, chorar, assistir a filmes, ouvir qualquer música.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt; &lt;/span&gt;A peça de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Ariane Mnouchkine nos transporta ao mundo das utopias humanas que de forma cíclica e permanente nos embalam e cumprem seu papel de nos fazer caminhar. Mas elas demandam uma certa distancia para que não nos deparemos com o real de nossa humanidade. A figura (agora já mítica) de Steve Jobs vai aumentar o panteão de nossos heróis, todos meio humanos meio deuses já que em suas vidas conseguem combinar pitadas de inovações, arte e genialidade, mudando rotas, alterando sentidos, abrindo novos horizontes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2923935130571155657?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2923935130571155657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/era-d-s-j-depois-de-steve-jobs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2923935130571155657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2923935130571155657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/era-d-s-j-depois-de-steve-jobs.html' title='A era D S J (Depois de Steve Jobs)'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-309783619096709738</id><published>2011-10-06T17:36:00.000-07:00</published><updated>2011-10-06T17:36:37.289-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Queremos uma boa (vida) morte</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Todo ano há certa expectativa em torno dos laureados pelo Nobel de Medicina, premio que costuma dar destaque a pesquisas e descobertas&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;de cientistas imersos na busca de respostas às perguntas aflitas sobre ruídos, descontroles e enigmas de nosso corpo ou em novas formas de suplantar seus limites. No ano passado o britânico &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/809301-britanico-ganha-nobel-de-medicina-por-pesquisa-em-fertilizacao-in-vitro.shtml"&gt;&lt;span style="color: windowtext; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;Robert Edwards&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt; foi o escolhido por ter desenvolvido a técnica (fertilização in vitro) em que óvulos são fertilizados fora do corpo humano e implantados no útero. Neste ano foi a vez de três cientistas (um francês, um americano e um canadense) que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;desvendaram segredos do&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt; nosso&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; sistema imunológico, abrindo caminho para novas vacinas e tratamentos contra o câncer&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;. A nota destoante ficou por conta do fato de um deles, o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;canadense radicado nos EUA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ralph Steinman, ter falecido três dias antes de ser anunciado como um dos vencedores do premio. Diagnosticado com câncer de pâncreas há quatro anos, Steinman&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;prolongou sua vida graças à aplicação da imunoterapia à base de células dendríticas que ele mesmo criou. Para lá de moderno, as notícias sobre possíveis soluções para as “anormalidades” de nosso corpo passaram a ser destaques na mídia e assunto a ser debatido entre todos. Afinal nossas vidas atuais estão orientadas em função de nossa relação com nossos corpos (até o nosso amor próprio) e tudo o que desejamos é que ele seja o mais perfeito, saudável e “técnico” possível, a fim de garantir-nos prazeres, mas principalmente vida. E se a avaliação de&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;uma vida bem vivida muitas vezes está articulada a uma boa morte, no caso do pesquisador &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;recém falecido a dignidade fica por conta de seus esforços em lutar, pesquisar, apostar na possibilidade de superar os “invasores” cancerígenos indesejáveis de seu corpo. Bem longe de uma era que admirava e reverenciava certos heróis prontos a morrer ou a enfrentar sacrifícios corporais e superar dores sem reclamar, estamos de bem com nossa busca sem fim de meios que nos protejam das dores do viver e que nos ofereçam visões (versões) menos dolorosas do morrer. A tecnociencia é hoje, sem sombra de dúvida, aquela que mais se assemelha a uma mãe prometeica pós-moderna. Quase todos nós, mesmo os mais desconfiados, nos rendemos às suas benesses e bendizemos suas descobertas de novas e melhores ferramentas que possam trazer conforto e bem estar. O júbilo aumenta quando as noticias respondem ao apelo de um corpo que deseja “viver” mais e melhor. O paradoxo é que na medida em que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-fareast-font-family: Calibri;"&gt;a existência de nosso corpo ganha esta dimensão inusitada, nossa vigilância sobre sua saúde e aparência se amplia e fica muito mais detalhista e obstinada. Manter o corpo perfeito e saudável&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;exige de cada um não só cuidados, mas sacrifícios e renúncias importantes e portanto quanto mais&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;valoroso é, mais ele se torna alvo de preocupações e mais nos tornamos sensíveis à sua presença. Quase a desbancar a antiga aura de nossa alma, o corpo é hoje o lugar privilegiado de manifestação do sentido da vida, nosso espelho, e por isso palco de muitos de nossos conflitos que, a despeito de nossa resistência, muitas vezes &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;insistem em se tornar visíveis através de seus órgãos, tecidos, células e sistemas. Nossas doenças (orgânicas ou psíquicas) são nossas formas de buscar um equilíbrio para as nossas relações com o mundo e com os outros. Mas certamente não há como negar nossa subserviência ao mito cientifico ao redor do qual todos oramos &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;para que continue a nos premiar com o aprimoramento e a sobrevivência da espécie, e assim seguimos alternando entre formas inimagináveis e protéticas de nos reproduzirmos (por exemplo) e a corrida atrás de novas e mais eficientes defesas contras as inesperadas, (as vezes) surpreendentes e muitas vezes enigmáticas perturbações (físicas ou morais).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-309783619096709738?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/309783619096709738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/queremos-uma-boa-vida-morte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/309783619096709738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/309783619096709738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/queremos-uma-boa-vida-morte.html' title='Queremos uma boa (vida) morte'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1482822104423174431</id><published>2011-10-01T10:31:00.001-07:00</published><updated>2011-10-01T10:31:34.158-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Cibervida</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;Para alguns um profeta, para outros apenas um otimista, mas para ele próprio, um estudioso da cultura e dos impactos que as novas tecnologias já anunciam sobre o futuro de nossas vidas. O filósofo tunisiano Pierre Levy, professor do Departamento de Comunicação da Universidade de Québec, Canadá, tem sido um incansável arauto da cibercultura e da crescente virtualização de nosso cotidiano. Fugindo do pensamento apocalíptico, ele prefere mapear as diversas experiências políticas, atividades militantes e comunidades virtuais na Internet que, a seu ver, promovem o desenvolvimento social e político do mundo contemporâneo e c&lt;span style="background: white;"&gt;ontribuem para um processo geral de emancipação.&lt;/span&gt; Às questões levantadas sobre o ainda enigmático futuro deste&lt;span style="background: rgb(253, 255, 225);"&gt; sistema técnico e universal chamado Internet, ele lembra que graças a esta rede mundial, todos podem estar interligados num mesmo espaço - o ciberespaço - e num mesmo tempo presente, estabelecer contatos de um para com cada um, de um para com todos, e de todos para com todos. Que este ciberespaço produzido pela coletividade humana &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;não seria somente uma rede de conversas on-line, mas promoveria um reconhecimento das competências pessoais de cada indivíduo, e por decorrência incidiria em novas maneiras de se entender a vida de cada um e de todos no planeta. De fato, a facilidade de acesso a um mundo ilimitado de saberes e fazeres, conexões e intercâmbios muda o entendimento que temos principalmente sobre a cultura porque abre um inusitado espaço (leia-se liberdade) tanto para a criatividade quanto para a produtividade individual ou coletiva. De certa forma pode-se visualizar uma radical democratização no acesso a novos meios de produção e de conhecimento e a boa nova seria que de seres passivos, qualquer um poderia ser agente do processo cultural mundial e enriquecer os diferentes &lt;/span&gt;enfoques que se cruzam nas fronteiras da ciência, tecnologia e arte. &lt;span style="background: rgb(253, 255, 225);"&gt;Enfim, para Levy a digitalização da cultura, somada à corrida global para conectar todos a tudo o tempo todo, torna o fato histórico das redes abertas algo a ser pensado e refletido. Mas longe de anunciar um novo “Messias”, ele tenta mostrar que isto faz parte de um movimento de continuidade na incansável tarefa&lt;/span&gt; humana de expandir seu conhecimento, que por isso pode e deve ser utilizado como recurso para&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;se &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;vislumbrar novas maneiras de&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;tornar a exclusão menos desumana, de&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;reduzir a miséria, e de &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;elevar o nível da educação mundial, ou seja, de se fazer política. E se estas tarefas há algum tempo fazem parte do que se espera de &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;educadores, políticos e empresários ele convida a todos a assumirem sua porção de responsabilidade. Em sua visão a internet pode permitir que a democracia se imponha (&lt;span style="background: white;"&gt;de cima para baixo) ao desvendar um mundo em que qualquer pessoa com habilidades e qualificações pode ser reconhecida em qualquer parte do globo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; E se há muitas comunicações transversais numa sociedade, se a informação circula facilmente e podemos ter acesso ao que ocorre “fora”,&lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt; acesso a documentos complexos, a informações que antes pertenciam a uma pequena minoria, se é possível mapear o destino do dinheiro (publico ou não), aumenta-se a força dos consumidores para um mercado internacional mais transparente, convoca-se a justiça a perseguir aqueles&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que fraudam, e por aí vai. Ou seja, abre-se uma nova rota para a sociedade que pode deixar de esperar sua salvação via políticos (ou líderes religiosos) diante da possibilidade de cada cidadão poder (ele mesmo) exigir prestações de contas de seus direitos a todos os que têm como função representar o povo. Acaba o reinado do segredo, das decisões veladas, dos lobbies que manipulam nas sombras. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;De olho em uma escala universal e antropológica da evolução do mundo Pierre Levy prefere salvar o bebê e jogar a agua usada do banho fora. A seu favor está a própria historia da internet e suas ferramentas que se confundem com a genialidade de pequenos grupos de jovens aficionados que aqui e ali inventam caminhos ou territórios dentro deste novo mundo, e mostram mais uma vez que&lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; eles são os atores da inovação cultural.&lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt; Se a cultura digital não cessa de oferecer novas possibilidades, muitos jovens têm respondido a elas não só ao&lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; se adaptar rapidamente às suas tecnologias, mas oferecendo-se como agentes d&lt;/span&gt;&lt;span style="background: rgb(253, 255, 225); font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;a construção de novos conhecimentos, novas maneiras de se relacionar, de se comunicar, de se posicionar, de conviver uns com os outros e com o mundo.&lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; Uma verdadeira arena humana que &lt;/span&gt;&lt;span style="background: white; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;amplia sobremaneira a diversidade de opções e ultrapassa as fronteiras dos países,&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;das disciplinas e das instituições. Uma força que de certa maneira cria um alento virtual de amparo e pertencimento, ainda que a liberdade, a infinidade de opções, a possibilidade de ampliar &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;as fronteiras de nosso conhecimento não nos garantem discernimento, agir moral e preocupação para com o outro. Continuamos passiveis do melhor e do pior e quanto a isso, sempre estaremos por nossa própria conta. Afinal&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;a ética nasce do reconhecimento da insuficiência da moral e da lei para dar conta dos atos humanos.&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1482822104423174431?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1482822104423174431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/cibervida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1482822104423174431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1482822104423174431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/10/cibervida.html' title='Cibervida'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-3064716057343353618</id><published>2011-09-29T16:50:00.000-07:00</published><updated>2011-09-29T16:50:07.157-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Politicamente Incorretos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;É no mínimo engraçado pensar nas fronteiras do correto e do incorreto como critério para as regras de cortesia ou de polidez necessárias ao nosso convívio, no mundo atual. Principalmente quando ainda “respira” a cartilha dos bons costumes que costumava ser parte importante do legado entre gerações no mundo moderno. Havia ali uma separação importante e confortável para se transitar entre a vida pública e a privada. Na primeira, todos deveriam se conter e seguir religiosamente as normas de boa conduta fosse para se dirigir às autoridades, aos subalternos ou mesmo aos pares. As “gafes” tinham um peso danado no currículo moral de cada um. Na intimidade dos lares, ali sim, era possível se desfrutar de liberdade para amar, odiar, blasfemar, judiar, enfim expor suas entranhas. Esta dicotomia consensual permitia a cada um desfrutar de um código claro para escolher entre o certo e o errado, o bem e o mal, o normal e o transgressor. Mas a rigidez dos julgamentos produzia mais um moralismo do que um agir moral. Isto porque é mais fácil e tranquilo se imaginar de posse de um saber sobre como, o quê ou porquê cada um deve ou não fazer/dizer algo. Parece que não precisamos cavoucar as razões, avaliar caso a caso ou as circunstancias. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Aos poucos o mundo privado foi se misturando ao público e as pessoas convocadas a refletir mais não só sobre seus pesares e ímpetos como aos dos outros, assim como aos meios em que transitam. À liberdade individual que cada um conquistou corresponde uma maior responsabilidade sobre suas escolhas. Zapeando a programação da TV, dias atrás, me deparei com um programa de entrevistas que falava sobre alguns comerciais que estão sendo veiculados. A pauta? C&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;elebridades que não se importavam em ser apresentadas por suas peculiaridades não tão engrandecedoras, ou seja, em serem motivos de piada. Quem já não assistiu o grandão Ricardo Macchi&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e seus 1,80metros - malhado por seus dotes limitados como ator – atuando ao lado do “ um metro e meio” e consagrado ator Dustin Hoffman ? Ou o lutador musculoso e campeão mundial Anderson Silva de terno branco a ecoar sua voz fininha em um comercial de fast food? Constrangedor ou engraçado? Ambos? A verdade é que se fosse possível reduzir nossa escalada a uma reta esta estaria sempre em ascensão como a nos lembrar que a tal evolução humana é permanente embora também o seja sua complexidade. E a evolução, como já dizia Darwin, está sempre a modificar o que já existe, assim como a buscar uma regulação ou um equilíbrio que garanta nossa sobrevivência (biofísica, psíquica, moral). Sem dúvida um raciocínio demasiadamente simples para questionarmos o lugar (de suma importância) da responsabilidade moral e com ela temas complicados como a liberdade, a espontaneidade e a preocupação com o outro. O rir de si mesmo, por exemplo, quando é o resultado de uma percepção aguçada sobre si e o outro, sobre a falta de garantias e de certezas e a necessidade de cada um assumir por sua conta e risco as agruras do viver, provoca uma identificação (permite ao outro sentir-se um igual) ou seja, poder ficar a vontade com suas faltas, seus altos e baixos,temores, amores e dores. Claro que não podemos deixar de ter uma moralidade vigente a cada época que desfrute de um acordo coletivo. Mas não dá para calcular previamente quando podemos “transgredir” de forma positiva certas fronteiras. O que ontem era constrangedor hoje pode ser engraçado. E isso não deve ser visto como um passo atrás e sim como uma evolução e com ela novos desafios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-3064716057343353618?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/3064716057343353618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/09/politicamente-incorretos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3064716057343353618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3064716057343353618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/09/politicamente-incorretos.html' title='Politicamente Incorretos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-664558816626293610</id><published>2011-09-26T13:33:00.001-07:00</published><updated>2011-09-26T18:08:35.252-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>De mãos dadas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Não conseguia pegar no sono. Aquele vazio insuportável lhe imobilizava a alma. Ninguém pode dormir se o “dia seguinte” não existe mais, não há nada agendado, nem as obrigações de praxe, nem algo novo ou prazeroso. Nada. O cérebro pensante e o coração pulsante estavam no modo “pausado”. Pausa necessária, pois não poderia suportar nem mais uma gota de dor. Estranha sensação esta de se estar entre a dormência de quem tenta impedir a angustia e um deixar-se apagar, morrer. Não, não queria morrer. Pensar sobre isso lhe devolvia um pouco a sanidade e com ela as lembranças. Sentira certo alívio quando Pedro morrera há um ano, depois de tantas internações, tanto sofrimento. Seus olhos pediam para ir, para descansar e ela chegara a se convencer de que não havia nada melhor a acontecer no momento. E se era inevitável que ele fosse, passou a imaginar sua vida sem ele (depois de quase 42 anos juntos). Tentava visualizar-se forte, viva e disposta a encarar esta perda como uma mera contingencia do viver. Até sua vida profissional poderia ser retomada assim como alguns velhos projetos. Tudo parecia fazer sentido. Mas não agora. Nem que quisesse poderia prever o rombo que a falta dele faria. Também não encontrava palavras para descrever seu estado, o que deixava todos a sua volta, bem aflitos. Sabia que alguns conseguiam falar sobre sua própria dor, construir frases que narravam este estado absurdo, mas eram poucos, bem poucos. Não por acaso o mundo reverenciava os poetas, sempre atentos às dores de perdas e paixões humanas, as quais descrevem inventando vocábulos, usando metáforas ou comparando-as com os enigmas do universo. Não saberia explicar porque seu casamento fora tão excepcional, para ela um mero encontro de duas almas que prezavam a vida a dois. Parece pouco? Sim e não. Como construir uma parceria tão longeva e rica sem compartilhar o valor das trocas, da cumplicidade e do carinho? Depois de tantos anos juntos, a vida a dois fica quase “vida a um”. Não porque estivessem sempre juntos ou tivessem as mesmas ideias e crenças sobre tudo (ao contrário), mas porque haviam se acostumado a falar um para o outro o que pensavam, desejavam, sofriam ou causava indignação. Evitava confessar que ainda falava com ele mesmo sabendo que não ouviria respostas, contestações, apoio. Era exatamente isso: uma parte dela havia ido embora para sempre. E se a principio ela considerou a hipótese de construir algo novo, agora esta coragem andava sumida. Não foram poucas as vezes em que ambos haviam antecipado a velhice. Brincavam de adivinhar se pareceriam com aquela senhora gordinha, ou aquele careca barrigudo, se seria possível &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;passear de mãos dadas (como era de costume) ou se cada um precisaria apoiar seu braço no outro para dar conta dos reumatismos e desconfortos musculares. Era preciso apagar esta cena, com certeza, para que o dia seguinte começasse a existir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-664558816626293610?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/664558816626293610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/09/de-maos-dadas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/664558816626293610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/664558816626293610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/09/de-maos-dadas.html' title='De mãos dadas'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5513795451881664149</id><published>2011-09-26T13:22:00.001-07:00</published><updated>2011-09-26T13:22:51.651-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>11desetembro.com</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-line-height-alt: 12.5pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Todos temos lembranças de mortes ou historias de lutos importantes que trazem a marca de um rompimento com nossa reticencia em relação ao fato de que cedo ou tarde, um dia morreremos. Assim como o tema da sexualidade, ficamos desorientados quando precisamos explicar para uma criança o que significa a morte de alguém com quem ela já havia feito um vinculo amoroso. Tememos que, tal como nós, ela também venha a se sentir ameaçada por este &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;sentimento de se saber&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;a vida tão frágil, e por isso tentamos adiar seu contato com o real da morte, afim de não “perturbar” suas chances de construção de um mundo de sonhos e fantasias que delineiem um possível (e bom) futuro. Também é verdade que as lembranças ou vivencias em torno da morte de entes queridos são absolutamente pessoais. Buscando em minha memória estas lembranças posso reconhecer que as mortes importantes começaram a acontecer quando eu já era adolescente. Cavoucando a infância vivida em uma cidade do interior no seio de uma família católica, o dia de Finados era um feriado reverenciado pela população que acorria ao cemitério local. Mas longe de evocar cenas melancólicas ou pesadas, em minha memória essas manhãs eram ensolaradas e minha mãe se punha bonita e arrumada, buscava as flores previamente encomendadas em sua floricultura preferida e nos levava para ajuda-la na tarefa de enfeitar o túmulo onde seu pai e seu irmãozinho de 6 anos estavam enterrados. Havia satisfação na maneira como ela procurava uma harmonia estética para dispor as flores de modo a formar lindos arranjos nos inúmeros vasos ali existentes. Nas fotos, meu avô, seu pai, aparecia rindo simpaticamente. A de seu irmãozinho, mais amarelada, indicava um tempo bem mais remoto, quase mítico. As historias ali contadas sobre meu avô eram as melhores possíveis, alinhavadas por um contato amoroso e um reconhecimento de sua importância para a família. Não era raro ouvi-la lamentar (sem mágoas) o fato de termos sido privados da possibilidade de conhecê-lo e conviver com sua enorme “vitalidade”. A morte podia ser tema de um passado cujo resgate era quase indolor. Nesta ultima semana pudemos rever pela mídia as imagens de um 11 de setembro fatídico para o mundo todo, em que aviões se atiraram às duas torres mais imponentes do skylight nova-iorquino forçando seu desmoronamento e tirando a vida de um numero sem fim de pessoas. Imagens se fixaram nos rostos de desespero dos que assistiam impotentes, dos que &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;choravam copiosamente diante daquela tragédia absurda, dos familiares que se aproximavam perplexos e se punham angustiados de plantão a espera de noticias de seus entes queridos. Dez anos depois há inúmeras reportagens sobre estes mesmos familiares, cada um relatando sua historia, uma historia que a despeito de se passar pelo mesmo e terrível acontecimento, compõem os mais diferentes textos. Em sua obstinada missão de entender o funcionamento psíquico humano, em 1917, Freud escreveu um texto intitulado “Luto e melancolia” em que tentava mostrar como o luto seria uma tristeza reativa (e esperada) à perda de alguém querido (podendo ser também de um ideal ou algo importante), que afastava a pessoa de seu cotidiano normal e transformava temporariamente seu mundo em pobre e vazio. Mas também apontava como para outros, os mesmos fatos produziam melancolia (ou depressão), como se ao invés do seu entorno, o próprio sujeito passasse a se sentir incapaz de olhar o mundo e dota-lo de algum significado que pudesse conforta-lo. Sobre ele pesaria uma desesperança condenando-o a transitar nostalgicamente pelas cinzas do passado e impedindo-o de formular novos projetos. Longe de abordar a complexidade deste modo (penoso) de funcionar, não deixa de ser interessante ler estas historias e constatar como alguns podem encarar a contingencia do viver enquanto outros mergulham no espaço da melancolia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-line-height-alt: 12.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5513795451881664149?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5513795451881664149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/09/11desetembrocom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5513795451881664149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5513795451881664149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/09/11desetembrocom.html' title='11desetembro.com'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2578869250437939733</id><published>2011-08-28T14:32:00.001-07:00</published><updated>2011-09-01T12:49:21.257-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Ping pong</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Uma das dificuldades que brasileiros enfrentam ao passar a morar nos USA é a diferença com que os americanos encaram sua relação com os deveres e direitos de cidadãos. É comum alguns imigrantes usarem o jargão “fazer à moda brasileira” quando transgridem certas regras que ali são consideradas preciosas como atravessar as ruas sem utilizar as faixas e faróis para pedestres ou o contrário, dirigir sem respeitar estes pedestres ou quaisquer outros códigos de trânsito. O mesmo vale para o tempo de espera para ser atendido, ou de permanência em filas. Pensar sobre estas diferenças pode nos levar a um debate (interminável) sobre um tema que tem se tornado corriqueiro em nossos noticiários: os (des) caminhos da corrupção no Brasil. Basta acessar o tema no Google para perceber quão constante tem sido as denúncias de desrespeito pela legalidade, pelo Estado de direito e pela democracia em nosso país. E a cada vez que as falcatruas de governantes, parlamentares, juízes, promotores, empresários e policiais vem à tona, chovem textos na mídia de jornalistas e leitores indignados ou de acadêmicos e cientistas sociais que tentam analisar a “história” deste nosso “jeitinho” de burlar leis e normas ou manter a impunidade dos transgressores, na geléia geral brasileira. Claro que o tema é universal. Há estatísticas que calculam que a corrupção mundial envolva mais de um trilhão de dólares&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;por ano. Mas é verdade que cada país tem o seu modo próprio de “ser corrupto”, de tratar “seus corruptos” ou &amp;nbsp;protestar contra eles, o que não quer dizer que isto não possa mudar. A Índia, por exemplo, tem seu ativista anticorrupção: Anna Hazare, 74anos,está em greve de fome e conseguiu levar milhões de pessoas de seu país a protestar e exigir leis anticorrupção. Há dois anos, em uma ação conjunta, os jornais britânicos resolveram "censurar" as manchetes e textos de suas primeiras páginas em protesto contra o fato dos membros do Parlamento terem vetado as informações disponíveis na internet sobre seus gastos na atividade parlamentar. É possível que aqui estes atos não façam sentido ou não tenham o mesmo impacto, mas pode ser que há 20 anos as chances de nossa sociedade pressionar setores públicos a agirem diante de denúncias graves fossem ainda menores. Quem sabe a quantidade de escândalos divulgados recentemente já seja uma alteração neste termômetro. Enquanto isso não acontece, ficamos tentando entender os caminhos do que parece ser uma apatia do povo diante de certas práticas tidas como moralmente inaceitáveis, mas cotidianamente toleradas. Os prejuízos são evidentes, sobretudo em termos de cultura política, já que prevalece a tese de que o mundo é dos espertos e de que as leis não são para todos. Não é difícil imaginar que neste quadro tanto a exclusão quanto a falta de perspectiva podem gerar descrença, ou pior, a violência aparentemente gratuita contra a “ordem” social. Quem sabe o Estado brasileiro ainda não consiga se livrar de um histórico e vicioso modo de gestão patrimonial quando decide intervir e explorar, repetindo infinitamente alguns tipos de ligação com a sociedade como o clientelismo. Sociedade que responde igualmente ávida por favores e privilégios. E assim ficamos todos, com nossas grandes "bocas" à espera de abocanhar algum, e sem uma cultura que valorize o papel e a responsabilidade de cada um pelo funcionamento social, algo que exigiria certo discernimento para a importância das delicadezas, das gentilezas, enfim das regras de uma boa e saudável convivência. E é claro, sem saber os custos justos dos deveres e as chances para negociar ou exigir os direitos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2578869250437939733?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2578869250437939733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/ping-pong.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2578869250437939733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2578869250437939733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/ping-pong.html' title='Ping pong'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8329803139712593989</id><published>2011-08-18T09:37:00.001-07:00</published><updated>2011-08-18T09:37:43.178-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Californianas II</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;"&gt;Mesmo os que nunca estiveram nos USA já ouviram comentários ou puderam confirmar através de sua ilimitada indústria cinematográfica, as nuances de uma cultura que com exceção de alguns nichos diferenciados, segue sendo preferencialmente branca, cristã e conservadora, um dos fatores que propicia a formação de guetos em suas cidades, geralmente divididas em bairros especiais para negros, chineses, italianos, etc. Outra característica marcante desta cultura é uma crença quase cega na hegemonia dos caminhos da economia (e da política) de seu país, que durante anos esteve à frente no panorama mundial, exportando modelos e impondo métodos. Longe da intenção de se fazer uma crítica (ou mesmo uma análise) do &lt;i&gt;american way of life&lt;/i&gt;, esta introdução pretende apenas refletir sobre certas “marcas” culturais. Ao viajar livremente pelas estradas americanas e visitar suas cidades e estados é difícil não perceber os vestígios de uma cultura homogeneizada, em que predominam as grandes redes de hotéis, restaurantes, lojas e supermercados sempre a exibir os mesmos produtos. O contraponto é uma imensa população de consumidores desta cultura. Por isso, ao visitar a Califórnia, em especial a &lt;i&gt;Bay Area - &lt;/i&gt;uma extensa área ao redor da baía que banha cidades como São Francisco, Oakland, Berkeley, Sausalito, Palo Alto, Nappa Valley, etc - somos invadidos por um sentimento de surpresa. Um bom e envolvente sentimento de se estar em um pedaço do mundo em que a conjunção de certos fatores (geográficos, culturais, históricos e econômicos) altera e muito a cultura local. A região exibe uma beleza exuberante que combina águas, montanhas, praias, rochas, mas sua topografia é tão diversa quanto a população que ali vive. Para se ter uma idéia desta diversidade basta lembrar duas das mais badaladas e importantes universidades do país - com históricos diferentes -&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Stanford e Berkeley- além do famoso Vale do Silício, ícone da tecnologia de ponta mundial ou o Nappa Valley, imenso produtor dos melhores vinhos do país. A pequena cidade de Berkeley, por exemplo, guarda com orgulho as marcas de seu passado de berço da contracultura, movimento que despertou gerações de jovens para a importância de sua militância política de reivindicar mudanças ou exigir reparações nas injustiças sociais. Mas na atualidade,se fosse possível escolher uma das dimensões das conseqüências desta história política e social da região,elegeria o termo “local”. Ou seja, ao contrário da cultura massificada que se observa em muitas regiões do país, na &lt;i&gt;Bay Area&lt;/i&gt; cultua-se um &lt;i&gt;modus vivendi&lt;/i&gt; que privilegia a cultura local. Talvez um dos exemplos mais significativos seja sua culinária e quem sabe a história de Alice Waters possa resumir estes rumos. Em plenos anos 70 na fervilhante Berkeley, na onda de um movimento hippie pela naturalização dos alimentos, Alice abre seu restaurante (Chez Parnisse) e contra a industrialização e homogeneização do consumo americano de comidas propõe uma cozinha que utilize somente alimentos orgânicos, frescos e locais. Rodeada por uma população considerada “alternativa” por suas crenças e costumes, este “estilo” se propaga e consegue tornar-se ao longo dos anos, uma marca não só da (boa) cozinha californiana, como da maneira como a economia alimentícia valoriza a produção local e investe pesado na agricultura sustentável. Para se ter uma idéia há redes locais de supermercados só de produtos orgânicos, que exibem lindas verduras, legumes, frutas além de grãos, sucos, pães, todos naturais e locais, fora os &lt;i&gt;Farmers Markets&lt;/i&gt; (feiras de ruas) que vendem orgânicos, diretos de seus produtores. Acrescente-se a isso uma enorme população de asiáticos e latinos (em especial os mexicanos), muitos indianos, negros, alguns muçulmanos que convivem lado a lado com uma tradição de intelectuais liberais e críticos e uma bem-vinda população gay mundial: um verdadeiro &lt;i&gt;melting pot&lt;/i&gt;. Claro que não estamos computando as dificuldades e os “restos” de qualquer forma de vida que exista pelo mundo afora. Mas é gratificante quando se podem observar certas “acomodações” interessantes entre o novo e o velho, o conservador e o ousado, as soluções criativas e os cuidados, em um país que preza o cumprimento de leis e normas sociais em favor da boa convivência. Na cola de uma visada para o futuro nada melhor do que experimentar esta verdadeira “salada étnica e cultural” em que a mistura valoriza as diferenças. &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: EN-US;"&gt;Bon appetit!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: EN-US;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8329803139712593989?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8329803139712593989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/californianas-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8329803139712593989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8329803139712593989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/californianas-ii.html' title='Californianas II'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8124426071921558661</id><published>2011-08-14T15:25:00.001-07:00</published><updated>2011-08-18T18:36:40.791-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Californianas I</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Na edição da Revista Época do dia 7 de agosto há uma reportagem que questiona o grau de satisfação dos jovens com seus trabalhos e mostra que apesar do atual aquecimento da economia brasileira propiciar um aumento de oportunidades de empregos, há uma diferença entre a expectativa de um bom salário, promoções e status e a noção de “bem estar” (welfare) de cada um com seu trabalho. O que permeia o texto parece ser uma pergunta básica: é possível ser feliz no trabalho? Com várias consultas a especialistas no assunto, a matéria segue mostrando que a felicidade no trabalho existe quando anseios de diversos tipos (e não somente financeiros) são preenchidos pelas características da atividade realizada, ou seja, quando é possível para o sujeito se identificar com a natureza, o tema, o momento e o propósito de seu trabalho. O texto ainda pontua os fatores que podem obstruir e deixa receitas e dicas, mas seria preciso acrescentar que nem sempre é fácil para um jovem saber sobre seus anseios, assim como ter ferramentas para gerenciar sua própria carreira ou coragem e maturidade para &amp;nbsp;buscar &amp;nbsp;suas paixões no campo profissional, quando (e se) as conhece. Em geral as qualidades técnicas cada vez mais exigidas no mundo corporativo e as ofertas de bons salários para os mais competentes criam um mundo imaginário de carreiras promissoras, às vezes sem o real conhecimento sobre&amp;nbsp; os “altos custos” de dedicação ou de submissão à exigências de todos os tipos. Sabemos quão difícil é para todos validar a si e os seus recursos perante os outros.Por outro lado, falar sobre o “novo mundo” do trabalho exige que se analisem as transformações ocorridas nas últimas décadas e se assinale o quanto o crescimento do poder do consumidor e a importância das redes sociais contribuíram para o que hoje é considerado um grande valor: a &lt;b&gt;qualidade&lt;/b&gt; ou&amp;nbsp; aquilo que fará com que o produto ou serviço oferecido seja visto como diferenciado do resto. Isto permitiu a abertura de um campo em que a criatividade e a inovação pudessem ser consideradas o motor e as pessoas o ponto de partida e de chegada das empresas, que por este motivo, passaram a tentar mudar seus planos de gestão tradicional, investindo em novos modelos principalmente do que hoje se chama gestão de pessoas. Em visita recente à Califórnia, pude conhecer uma empresa que tem sido considerada um dos melhores lugares do mundo para se trabalhar. Com 6.500 empregados nos Estados Unidos (sem contar os que vivem em outros países, inclusive no Brasil) a Google, que se encontra sediada no conhecido Vale do Silício e que revolucionou os sistemas de busca na internet, também se tornou em pouco tempo a companhia de mídia com maior valor de mercado nas bolsas americanas. Minha curiosidade, porém, passava pelo fato de ser uma empresa fundada e mantida toda ela por jovens desta geração. Mais, por jovens fissurados em TI (tecnologia da informação) e incentivados a contribuírem com suas idéias, não só relativas ao trabalho, mas ao próprio funcionamento da empresa. Esbanjando uma estética colorida (há bicicletas espalhadas enfrente aos blocos para a circulação das pessoas) chamou minha atenção a liberdade das vestimentas, mas principalmente a liberdade de movimentação entre blocos ou ambientes: há um permanente vai e vem de grupos de jovens (de etnias diferentes), não há horários restritos para o uso das inúmeras cafeterias gratuitas (com vários tipos de cereais, doces, castanhas, iogurtes, cenouras, frutas frescas, sucos naturais), assim como há diferentes opções de cozinhas nos vários restaurantes (também gratuitos). No&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt; horário do almoço &amp;nbsp;as mesas espalhadas pelos espaços entre blocos enchem os olhos pelo colorido dos jovens que ali se sentam. Integradas ao ambiente de trabalho é fácil ser surpreendido por mesas de sinuca, pingue-pongue, pebolim ou grupos jogando videogames. As seleções são participativas e cada um é convidado a dar seu parecer (positivo ou não) sobre o trabalho que os colegas estão desenvolvendo.Tantas regalias e boas novas levaram-me a perguntar à jovem que nos guiava se ela acreditava naquele modelo Google, ou seja, se também para ela ali seria um dos melhores lugares para se trabalhar. Ela nos contou que havia sim uma preocupação importante com o bem estar dos funcionários e um incentivo interessante para o convívio amistoso e de trocas em diversas dimensões. Mas confessou que há dois anos alocada &amp;nbsp;na área de advocacia, a qual pretendia inicialmente desenvolver com cursos extras, havia descoberto que sua antiga paixão - tornar-se enfermeira- precisava ser revista com mais carinho. Estava decidida a ir atrás deste sonho. Pensei que na verdade não há garantias - por parte de empresa alguma - de que ali você será finalmente feliz. Também não há garantias por parte dos funcionários de que eles serão eternamente gratos ou fisgados por quaisquer benefícios oferecidos pelas empresas. Mas é bom saber que em alguns lugares, empresa e trabalhador podem conviver em um ambiente de trocas de responsabilidades e compromissos, um lugar em que a liberdade seja um valor para ambos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8124426071921558661?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8124426071921558661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/californianas-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8124426071921558661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8124426071921558661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/californianas-i.html' title='Californianas I'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8588795497056319741</id><published>2011-08-14T15:22:00.001-07:00</published><updated>2011-08-14T15:22:24.231-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Ecos de uma morte anunciada</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Não teria sido necessário ler os incontáveis textos escritos no pós morte de Amy Winehouse. Bastava escutar os comentários: homens e mulheres, jovens, adultos e velhos, todos tinham algo a dizer sobre esta moça inglesa, judia e tão nova, cuja linda voz ecoava longe, mas não parecia se importar em ser noticia permanente da mídia que explora o lado “B” da vida alheia, no seu caso, o lado negro e árido dos que tentam sobreviver às duras penas, anestesiando-se até a morte, já que o que chamamos de “vida” parece- lhes acenar com demandas impossíveis de serem cumpridas. Houve os que se chocaram e lamentaram a rapidez com que esta menina se foi, os que confessaram ser sua morte inevitável diante das idas e vindas do uso de álcool e drogas, os que fizeram piada de sua vida desregrada e os que se aproveitaram para usá-la como exemplo do que não se deve ser ou fazer. Assim também eram as imagens divulgadas sobre sua vida: ora a mocinha provinciana que frequentava pubs londrinos com amigos e ressuscitava a &lt;i&gt;soul music&lt;/i&gt; com sua voz poderosa, ora a cantora famosa que fazia muitos de seus shows totalmente alcoolizada ou drogada. Algum consenso? Talvez o adjetivo excessivo, para o bem e para o mal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 14.0pt; mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Figura alternativa, com dezenas de tatuagens e penteados exagerados, Amy mostrava um talento exuberante ao inundar os ouvidos dos loucos por uma boa musica e surpreendia pela indiferença com que encarava a exploração da mídia sobre sua vida errante. Deixava-se fotografar em condições físicas precárias, às vezes exibindo seu corpo emagrecido ou assumindo um ar de franca rebeldia com cigarros na boca, copos e garrafas na mão. Resta deixar de lado os voyeurs de plantão, e acompanhar seus inúmeros fãs que souberam homenageá-la, respeitando seu universo controverso cujo percurso fazia o roteiro oposto da cartilha que todos seguimos a fim de alongarmos cada vez mais nossas vidas. Perplexos, não desejavam sua morte e exibiram uma comoção sincera quem sabe por acompanharem de perto o tormento de sua vida exposto na maior parte de suas&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;composições. Muitos cantaram no mesmo tom de sua dor ou de seus pedidos de amor. Outros se perguntaram mais de uma vez se sua música poderia salvá-la de seu inferno. Quem sabe desconfiassem que suas canções tentavam de forma intuitiva (e desesperada) dar&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;sentido ao que em sua vida&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;lhe parecia sem sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8588795497056319741?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8588795497056319741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/ecos-de-uma-morte-anunciada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8588795497056319741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8588795497056319741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/ecos-de-uma-morte-anunciada.html' title='Ecos de uma morte anunciada'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6033979640714564489</id><published>2011-08-13T15:30:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T09:57:50.035-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Quem quer casar?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Percebia-se aflito. A data meio temida e meio ansiada em que o martelo dos 30 anos bateria sem voltas já havia passado, mas não a sua agonia. Como as pessoas o viam? O que elas esperavam dele agora? Será que do lado de “fora” seria possível perceber o descompasso entre sua imagem de homem de negócios - terno, camisa e gravatas impecáveis – e aquela sensação desesperadora de menino desprotegido? Se a vida ganhava sentido pelo futuro que cada um traçava para si, porque o dele lhe parecia escrito ainda no livro infantil? Tinha acabado de trocar seu carro por outro mais novo e mais possante e pago um bom bocado para transformar seu interior em uma espécie de estúdio musical com uma acústica impecável. Suas milhas não haviam se transformado em passagens porque ainda não conseguia se decidir entre Amsterdã ou Berlim para as próximas férias. Este item merecia uma boa pesquisa na internet o que lhe demandaria um certo tempo. No entanto, o coro dos “adultos”- neste que todos tratavam como sendo o inicio do segundo tempo - era categórico. Estava na hora de pensar em se casar! Não que esta questão tivesse lhe passado despercebida, até porque nos últimos dois anos o numero dos amigos casados engrossara consideravelmente. Mas todas as vezes que tentara se imaginar vivendo uma vida mais ou menos parecida com a deles o chão lhe faltava, a respiração acelerava e um súbito sentimento de pânico lhe envolvia. Sentia-se despreparado para ingressar neste complexo e assustador “mundo adulto”. Seu namoro, ainda que já acumulasse uns pares de anos, seguia uma rotina agradável, mas principalmente suportável. Já o casamento acenava-lhe uma passagem definitiva, sem volta. Ele pressentia serem ventos internos, algo que dizia respeito a si e aos recursos que pareciam lhe faltar para administrar tantas responsabilidades. Mais do que nunca o significado da palavra amadurecimento lhe escapava e seu processo lhe parecia inalcançável. Entre a angustia paralizadora que a visão deste futuro oferecia e o torpor aparentemente tranqüilizador de seu cotidiano seria preciso “construir” um novo espaço. Ele estava certo disso. Mas ficaria para depois. Acabara de receber noticias interessantes sobre a vida noturna de Berlim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6033979640714564489?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6033979640714564489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/quem-quer-casar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6033979640714564489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6033979640714564489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/quem-quer-casar.html' title='Quem quer casar?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8672870838397969743</id><published>2011-08-13T15:27:00.001-07:00</published><updated>2011-09-28T06:33:10.951-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Quanto custa viver?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Sob diferentes temas repete-se na mídia um coro em torno do temor de um mundo sem “governo”, ou melhor, sem sujeitos preparados para manter a existência desta nossa civilização de terráqueos. Diante da percepção da instabilidade de governos, partidos e mesmo da precariedade do antes vigoroso mercado econômico, resta um olhar expectante ao nosso universo “humano”. Quem seremos? Como viveremos? Muitos se debruçam sobre as novas gerações e, diante de um exército de jovens &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;hightecnologicamente&lt;/i&gt; mais preparados, constatam horrorizados seu despreparo no quesito “custos” do viver. Seriam mimados à espera de um mundo que lhes acene com bonificações e boas surpresas. Não parecem dispostos a pagar qualquer “quantia” em pró de um funcionamento mais justo e saudável da sociedade. De outro lado, impregnados ainda por uma moral do sacrifício, herança de nossa tradição judaico-cristã, para nós, geração dos mais velhos, é difícil imaginar um mundo humano em que Deus, adultos, professores e pais não sejam mais os fiadores nem os únicos detentores das normas do viver. Esquecemos que criticamos nossos pais pela rigidez de seus valores ou pelo culto hipócrita a uma moralidade de aparência que insistia em ocultar as contradições, o sexo, as fragilidades e as maledicências. Apostamos em nossos filhos- pequenos príncipes - e sentimo-nos livres para nos incumbir de uma missão gloriosa ao oferecer-lhes felicidade, liberdade e o melhor da vida em troca de uma boa dose de orgulho ao constatar sua dependência amorosa, seus progressos, suas façanhas. Eles seriam tudo o que não pudéssemos ser ou conquistar. A verdade é que certos deslocamentos e mudanças de valores acontecem sorrateiras, ao largo de nossas possibilidades de apreensão. A ciência nos contemplou com saberes que substituíram nossas “magias” e superstições. Temos novas crenças e nossas ousadias passam a conter novas medidas. Sentimo-nos cada vez mais cidadãos do mundo e menos enraizados em nossas culturas locais. A felicidade, por exemplo, não é mais algo que estaria negado a priori graças à nossa dívida eterna com um Deus que nos concedeu a vida. Ela estaria ao alcance de todos, é quase um direito. Torna-se difícil constatar que temos valores tão díspares entre as gerações o que talvez nos dê a impressão de que o “custo” do viver anda sem preços definidos. A percepção de uma “virada” moral escancara uma falsa possibilidade de viver grátis, sem que seja necessário pagar preço algum. No extremo oposto aos sacrifícios e renúncias esperados de todos para alcançar um “paraíso”, estariam as luzes e estrelas de nossa era &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;tecnomidiática&lt;/i&gt; que acena com promessas de acesso imediato, sem dores ou custos. Como ajustar os preços? Quanto custa viver? Um livro recém lançado no Brasil e escrito por um jornalista americano – &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O preço de todas as coisas&lt;/i&gt; – &amp;nbsp;embora tenha um enfoque econômico, problematiza o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;modus vivendi&lt;/i&gt; atual em que nossas escolhas estariam pautadas pelo preço que acreditamos pagar por elas ao mostrar que a atribuição de preços é muito mais complexa (e fascinante) do que sugerem as máquinas calculadoras. Mostra, por exemplo, que o grátis, como princípio, não existe, mas que ficamos capturados na ilusão de conseguirmos algo de graça, estratégia fartamente utilizada pelas promoções. Enfatiza o lugar da cultura, que além de ajudar a estabelecer os custos numa sociedade, dá uma narrativa aos preços e termina apontando como a confiança nas instituições (graças a sua transparência), ao permitir &amp;nbsp;que uma população se identifique mais com seus pares, possibilita uma melhor fluência nas transações econômicas. A verdade é que a felicidade e a liberdade – sempre valores transitórios que dependem de inúmeras circunstâncias e época - parecem habitar compartimentos opostos à seara que comanda os “custos do viver”. Se nossa geração pagou um preço ao buscar uma vida mais justa &amp;nbsp;e mais prazerosa para todos , a geração atual ainda tateia o preço destas conquistas para estipular outros sobre o que aspiram viver ou vivem. Até porque tudo o que criamos como cultura só adquire sentido se puder ser compartilhado ou se despertar paixão em boa parte dos viventes, mesmo que tocado em outros tons. Mas tem sim o seu preço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8672870838397969743?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8672870838397969743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/quanto-custa-viver.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8672870838397969743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8672870838397969743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/quanto-custa-viver.html' title='Quanto custa viver?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4735035178715979756</id><published>2011-08-10T17:03:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T06:44:02.839-07:00</updated><title type='text'>Funeral de ideais</title><content type='html'>&lt;div style="line-height: 14.25pt; margin: 0cm 0cm 7.5pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Em um texto publicado recentemente no caderno&amp;nbsp; Ilustríssima da Folha de SP, a professora da USP e crítica literária&amp;nbsp; Leyla Perrone-Moisés discorria sobre as inúmeras tentativas de se anunciar&amp;nbsp; a “morte” da literatura durante o século que &amp;nbsp;passou. Que literatura? Em sua opinião, haveria de se reconhecer as mudanças ocorridas no mundo, nos leitores e nos escritores, além de se fazer um retorno às origens do termo cuja pretensão seria a de abarcar o conjunto das obras escritas e não ser um critério de valor das mesmas. Ou estaria esta insistência em celebrar tal funeral ligada a um certo tipo de textos que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;interroga e desvenda o homem e o mundo de maneira aprof&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;undada, complexa e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt; surpreendente? Este debate&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt; me fez recordar o filme &lt;b&gt;Meia noite em Paris&lt;/b&gt;, em que o diretor Woody Allen, com a licença poética que somente os “velhinhos” reverenciados pela crítica se apropriam sem nenhum protesto, nos brinda com uma Paris dos sonhos de todos. Eleita por unanimidade como a mais linda cidade de nosso globo, é a Paris em sua fase áurea, em que intelectuais e artistas do mundo todo sonhavam poder viver e desfrutar de seu clima &lt;i&gt;avant guarde&lt;/i&gt; que interessa ao diretor nova-iorquino. Com uma fotografia que enche a alma de qualquer um, Paris é mostrada em sua beleza estarrecedora e com Woody Allen realizamos nossa fantasia de viver neste passado ao sermos apresentados a Hemingway, Cole Porter, Picasso, Dali, Toulouse-Lautrec e outros. Assim como a professora em seu texto sobre a morte da literatura, Woody Allen, através de seu personagem principal - um roteirista de cinema hollywoodiano que decide realizar seu velho sonho de escrever um livro - nos conduz a esta época fervilhante em que a arte de escrever, de pintar, de compor músicas estava comprometida de fio a pavio com as ansiosas perguntas (sem respostas) sobre o sentido e o destino da vida humana. Buscando os segredos de se escrever um “bom” livro, o protagonista quer beber na fonte de seus ídolos, que lhe parecem distantes e preservados do mundo frívolo e despojado em que vive com sua noiva e seus sogros. Quem sabe por sermos seres humanos comuns que temos que suar para viabilizar nosso destino e “inventar” formas de negociar com os parâmetros internos e externos de cada época, gostamos de supor uma dívida impagável com um legado pomposo da transmissão cultural. Mas tanto a crítica Leyla Perrone-Moisés quanto Woody Allen fogem da melancolia queixosa dos “bons tempos que não voltam mais” ou dos jargões que congelam a idealização de um passado. Afinal, nunca se produziu tanto no mercado de livros, filmes, artes, músicas. Talvez, como nas palavras de “Paciência” do músico pernambucano Lenine, é preciso que possamos apostar mais no fato indelével de que a vida não pára e é tão rara. A vida só pode ser admirada pelo que se espera dela e não porque será boa. Ela é única.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4735035178715979756?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4735035178715979756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/funeral-de-ideais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4735035178715979756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4735035178715979756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/08/funeral-de-ideais.html' title='Funeral de ideais'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5666269545624956915</id><published>2011-07-11T11:25:00.001-07:00</published><updated>2011-07-11T11:25:48.209-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Passagens</title><content type='html'>&lt;p style="margin:0cm;margin-bottom:.0001pt;mso-line-height-alt:13.5pt; vertical-align:baseline"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;Ao visitar recentemente uma exposição no Pateo do Collegio (centro de São Paulo) aproveitei para&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;rever o museu que abriga a igreja e o antigo colégio fundado pelos jesuítas que deram origem a esta que é hoje uma das mais importantes metrópoles do mundo. Dois fatos paralelos me chamaram a atenção. Em uma das salas era possível conferir a importância da era das navegações (séculos XV e XVI) para a&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;história do conhecimento humano, um marco na visão que o homem tinha de si e do mundo, obrigando-o a rever suas hipóteses de centro do universo e ampliando o espectro geográfico em que vivia. Na sala vizinha, a história do movimento jesuíta encabeçado pelo espanhol Inácio de Loyola também apontava para uma inovação dentro de uma Igreja Católica que tentava se equilibrar nas águas renascentistas corrompidas pelo poder. Ao fundar uma Companhia (formada inicialmente por ele e mais seis colegas) voltada exclusivamente para a ação apostólica, ou seja, para levar a “palavra” de Jesus a todos os habitantes da Terra, eles se dividiram pelos diferentes territórios tanto do mundo já habitado quanto dos novos mundos descobertos fincando igrejas e colégios. Sabemos como a história do descobrimento do Brasil se mistura a um movimento de catequese de nossos índios, considerados selvagens- excluídos da escala humana- e, portanto pecadores – suas almas precisavam ser transformadas para que eles pudessem fazer parte da cultura (européia) de então. Corte. Daqui a alguns dias se inicia a nona edição da FLIP – Feira Internacional de Literatura de Paraty e seu homenageado será Oswald de Andrade, poeta que viveu intensamente o movimento de ruptura modernista no Brasil e cunhou o conceito de antropofagia cultural, processo pelo qual os brasileiros devorariam e assimilariam a cultura estrangeira para criar e fortalecer a sua própria, um molde da identidade cultural brasileira com sua multiplicidade de nações indígenas e africanas. A atualidade e universalidade de seu "Manifesto antropófago" de 1928, serão temas de debates neste evento. Irreverente e inovador, Oswald não viveu para ser reconhecido, mas polemizado. Performático, muito além de seu tempo, seus escritos, suas aparições públicas, seus casamentos com mulheres ousadas, inteligentes e poderosas (Tarsila do Amaral, Pagu) causavam ao mesmo tempo frisson e constrangimento no ambiente modernista da época. Sua influencia na produção cultural brasileira contemporânea continua viva. Corte. Está em cartaz no MASP – Museu de Arte de São Paulo- até o dia 10 de julho, a exposição "6 Bilhões de Outros" um projeto audacioso do fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand que reúne até o momento 5 mil depoimentos -captados em 75 diferentes países- de pessoas comuns,&lt;span class="apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;homens e mulheres &lt;span class="apple-style-span"&gt;com opções religiosas, classes sociais, profissões, etnias e estilos de vida diferentes&lt;/span&gt; que respondem a questões simples sobre suas lembranças de criança, seus sonhos e projetos futuros.&lt;span class="apple-converted-space"&gt; São &lt;/span&gt;40 questões relacionadas à vida, a morte, ao amor, a felicidade, também aos medos e sofrimentos, ou seja, ao sentido que cada um dá à vida. Na mostra, as respostas estão reunidas em um grande mosaico de projeções em que os rostos dos entrevistados se alternam e parecem conversar diretamente com os expectadores, o que cria um laço de intimidade e identificação humana. &lt;span class="apple-style-span"&gt;Do pescador brasileiro a advogada australiana, da artista alemã ao agricultor afegão, todos respondem às mesmas perguntas possibilitando a quem assiste uma confrontação com a diversidade, com as divergências e com o que temos em comum, de forma muitas vezes surpreendente.&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt; Foi esta surpresa que levou o fotógrafo a pensar este projeto. Famoso por suas fotos aéreas há poucos anos atrás seu&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt; helicóptero &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;sofreu uma pane que o obrigou a parar em uma aldeia de Mali. Recebido por uma família local, passou horas conversando sobre o que seriam as coisas mais importantes da vida. Tal e qual uma visão aérea de nossa diminuta importância na geografia universal e de nossa necessária irmandade na luta pela sobrevivência e pela vida em comum, ele quis saber mais sobre nós, homens e mulheres,&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt; que parecemos - nos recantos de nossas almas - desejar &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;as mesmas coisas. Momentos diferentes de nossa história humana em que pressionamos estreitas passagens a fim de expandir nosso conhecimento, sobre o mundo, sobre outras culturas, sobre nós mesmos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin:0cm;margin-bottom:.0001pt;mso-line-height-alt:13.5pt; vertical-align:baseline"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5666269545624956915?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5666269545624956915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/passagens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5666269545624956915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5666269545624956915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/passagens.html' title='Passagens'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-9060548043986988188</id><published>2011-07-02T12:15:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T06:56:17.351-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Escrever sobre o quê?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Uma amiga, ao saber que há três anos mantenho uma coluna&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;  &lt;/span&gt;semanal no jornal A Cidade, quis saber sobre o que eu escrevia. Sabendo-me psicanalista, concluiu, antes que eu pudesse responder, que provavelmente tal coluna versasse sobre respostas para as perguntas mais comuns feitas para este tipo de profissional. Sua apressada dedução deixou-me quieta por &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt; &lt;/span&gt;minutos e muito inquieta a pensar sobre algum fio que pudesse costurar os variados temas aqui tratados. Sem poder fechar a questão de uma maneira que pudesse satisfazer tanto a sua curiosidade quanto as minhas “verdadeiras” razões para eleger determinados assuntos, optei por concordar com parte de seu argumento de que a longa, difícil e permanente tarefa de me tornar uma psicanalista pudesse ser o viés utilizado para debatê-los. No entanto sua questão permaneceu insistindo ao longo dos dias. Afinal estou entre os que acreditam que nossas escolhas não são casuais, incluído aí o caminho profissional que traçamos ao longo de nossas vidas. Estamos sempre tentando responder – muitas vezes sem perceber-&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;  &lt;/span&gt;alguns “enigmas”sobre nós mesmos. É verdade que diante de algumas pessoas que cultuamos e admiramos seja por imaginarmos serem elas detentoras de algum tipo de saber que não possuímos, seja por serem artistas de diferentes áreas e, portanto protagonizarem criações as quais nos sentimos totalmente incapacitados para produzirmos, ou aquelas a quem olhamos invejosos por realizarem algum tipo de sonho nosso (aberto ou oculto), ficamos curiosos e até desejamos vasculhar suas vidas. As inúmeras biografias não fazem sucesso por caso. Ao elegermos alguns ídolos, aspiramos conhecer a rota de seus desejos ou seu modo de realizá-los. Queremos saber como inventar um futuro que inclua nossos sonhos, que ganhe sentido e nos traga satisfação, orgulho de nós mesmos. É assim que dirigimos nossos olhares aqueles que imaginamos terem conseguido. Pensei sobre o quanto o exercício da psicanálise desvenda o lado “B” de nossas pretensões ao reconhecer um paradoxo de nossa condição humana: somos ao mesmo tempo dependentes absolutos de outro humano, mas só temos uma “vida” se pudermos nos tornar independentes, autônomos e se pudermos ser os “pedreiros” desta obra. Neste percurso, nos mares quase sempre turbulentos de nossa existência emocional, ansiamos por uma ética do fazer sentido, que nos ofereça “de verdade” um lugar humano para existir. Mas entre nossas necessárias ilusões, aquelas que nos permitem construir lugares imaginários para nós e os outros, entre nossas inevitáveis idealizações de passados ou de futuros, impõem-se um viver cotidiano, aquele que nos convida a subir a cortina todos os dias, a cumprir mais uma rotina acelerada ou atrasada e a apagar as luzes antes de cair (se tudo der certo) no sono prometido. Longe de banalizar este dia a dia, o que me faz querer escrever repetidamente sobre mulheres e homens comuns às voltas com seus pequenos ou grandes dramas, suas inquietações mais ou menos corriqueiras, seus temores, seus pecados, é uma aposta muito particular no valor da única vida que temos e da qual na maioria das vezes não conhecemos o enredo nem o roteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-9060548043986988188?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/9060548043986988188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/escrever-sobre-o-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/9060548043986988188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/9060548043986988188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/escrever-sobre-o-que.html' title='Escrever sobre o quê?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5750696917986561950</id><published>2011-07-02T12:10:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T11:34:09.425-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Quem viver verá?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;Alguns filmes de ficções sobre o futuro da humanidade costumam mostrar um mundo “noir”, em um cenário em geral pós-moderno misturado a uma degradação ambiental (e pessoal) tudo permeado por uma alta tecnologia. No mundo do trabalho ou se está em uma espécie de imenso bazar de serviços prestados por uma população de excluídos ou em mega-empresas que funcionam de forma automatizada em imensos, silenciosos e ultramodernos prédios, com portas monitoradas. Se por um lado anuncia-se um mundo que caminhou na direção da realização de muitos dos desejos mais humanos, são postos em evidencia os custos e os restos e ressaltadas as perdas de possibilidades de trocas e encontros entre cada um. Na animação francesa de 2006 intitulada  &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Renaissance &lt;/i&gt;a história se passa na Paris de 2054, uma cidade onde todos os movimentos são monitorados e gravados e os arranha-céus se impõem sobre as obras de arte da arquitetura dos séculos passados. Ali uma empresa de cosméticos (Avalon) &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;domina toda a cidade com seus outdoors eletrônicos e banners holográficos prometendo &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;beleza e juventude&lt;/b&gt; eternos e influenciando todos os aspectos da vida de seus moradores. A esta dupla será acrescentada a &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;imortalidade,&lt;/b&gt; responsável pelas disputas, mortes e desaparecimentos em torno da aquisição de suas pesquisas. Já &lt;i&gt;Blade Runner&lt;/i&gt;, de Ridley Scott (1986), &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;um dos filmes &lt;i&gt;cult&lt;/i&gt; da década de 1980, se passa na Los Angeles de 2019. Na trama a Tyrel Corporation que criou robôs (replicantes) virtualmente idênticos aos seres humanos (inteligentes, mais ágeis e fortes) para serem usados fora da Terra em tarefas perigosas da colonização planetária, decide contratar caçadores de andróides para “removê-los” devido a uma rebelião de alguns que reivindicam um tempo maior de vida. Nesta caçada, muitas questões sobre a existência humana são colocadas. Em ambos os filmes, o cenário é opressivo, a noite e a chuva se impõe indicando que a idéia de uma ciência que não aceita mistérios, que não respeita a fronteira entre a vida “natural” humana e a artificial seria danosa para a humanidade, por transgredir um legado cultural de sentidos para nós. É curioso como em 2011, já não estranhamos mais que nossos corpos precisem se adequar aos novos tempos e para isso sejam convocados a ficarem mais compatíveis com uma imagem em que não apareçam seus sinais de excessos, de faltas, de envelhecimento. São poucos os que se recusam a se submeter a programas intensos de qualidade de vida, de bem estar ou de estetização ou contestam o fato de que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;mso-bidi-font-size:12.0pt"&gt;a tecnologia possa aprimorar e reformar a espécie humana. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;A reportagem de capa da Revista Veja do dia 15 de junho último anunciava pelas vozes do inglês Aubrey de Grey e dos americanos Raymond Kurz­ weil e Timothy Ferriss que o&lt;strong&gt;&lt;span style="border:none windowtext 1.0pt;mso-border-alt:none windowtext 0cm; padding:0cm;font-weight:normal;mso-bidi-font-weight:bold"&gt; homem que viverá 1000 anos já havia nascido. A verdade é que na linha do rápido desenvolvimento das tecnociencias das últimas décadas, o controle do envelhecimento e as várias intervenções direcionadas ao rejuvenescimento levam a crer que um dos desejos mais antigos da humanidade, a imortalidade, pode enfim aparecer como luz no final do túnel. Não mais pela promessa de um paraíso pós-morte, de um Olimpo habitado &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;por alguns deuses ou de mitos antigos sobre ilhas de fantasias onde todos seriam imortais.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Segundo suas previsões, dentro de uma década, a cada ano vivido será acrescentado um ano na expectativa de vida das pessoas: esta é a sedu­tora promessa de um &lt;span style="mso-bidi-font-style: italic"&gt;upgrade&lt;/span&gt; biológi­co humano. Na concepção da ciência, somos como máquinas, portanto, potencialmente consertáveis, e mesmo que nosso corpo biológico padeça, poderemos manter suas informações em uma espécie de memória artificial. É pouco? Há dois anos, Kurzweil fundou no coração do Vale do Silício, Califórnia, a Universidade da Singularidade destinada a preparar a humanidade para a acelera­ção das mudanças tecnológicas, uma verdadeira tro­pa de elite apta a lidar com o impacto dessa transformação. Já em 2045, em decorrência da ve­locidade dos saltos da computação e das tecnologias associadas a ela, será impossível distinguir as máquinas mais avançadas dos seres humanos. A inteligência artificial chegará ao patamar dos ho­mens e transcenderemos nossas limi­tações biológicas. Morrer será difícil, ainda que inexorável. Os cegos voltarão a enxergar por meio de olhos biônicos,os amputados terão pernas artificiais que reagirão ao comando di­reto do cérebro, os genes que não nos in­teressam, como os que levam à obesi­dade ou a doenças degenerativas, serão silenciados, enquanto outros serão re­programados e ativados. Nanorrobôs viajarão por nosso organis­mo, combatendo enfermidades e fazen­do microcirurgias internas. Ou seja, no futuro singular dos humanos, as velhas certezas, como a morte, passam a ser relativas. As ficções que chamamos de “científicas” e que em geral prevêem um futuro de “tecnologias” avançadas na eterna busca de um controle cada vez mais absoluto sobre o imponderável da “natureza” são em sua maioria apocalípticas. Talvez porque elas sejam produto de questões que não conseguimos responder sobre os nossos próprios limites ou nossos temores pelos nossos mais recônditos desejos de imortalidade. Quem viver poderá responder?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5750696917986561950?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5750696917986561950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/quem-viver-vera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5750696917986561950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5750696917986561950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/quem-viver-vera.html' title='Quem viver verá?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2857929043318163429</id><published>2011-07-02T12:04:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T06:33:57.233-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>O lugar  do amor</title><content type='html'>&lt;div class="MsoBlockText" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: -2.95pt; margin-top: 0cm; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt;Já nos acostumamos com certas celebrações e sabemos que a mídia não deixa de “capitalizá-las”, a exemplo do dia dos namorados, quando proliferam convites a novas maneiras de expressar os “amores” entre dois, inimagináveis dicas de presentes, lugares exóticos para se estar, viagens românticas ou experiências inusitadas. Na ânsia de cobrir os desejos humanos, mesmo a grande leva dos “excluídos” deste Olimpo do amor pode encontrar conforto nas manifestações divulgadas via rede social ou ainda em produções (filmes, blogs) que se ocupam em tentar colocar palavras em suas possíveis e sofridas dores ou mesmo encenar o lado B destes “amores”, suas agonias e incertezas. Ou seja, se há tamanha galera do lado de fora esperando e querendo entrar é porque o show continua fazendo sucesso. Mas ainda há mais. Alguns aproveitam a ocasião para lembrar a todos que o verdadeiro amor é aquele que se experimenta ao ter um filho. Em geral, ovacionado por muitos, este argumento corrobora com a expectativa de que todos os pais “amem” seus filhos incondicionalmente. Ok, que o amor seja o grande protagonista do psiquismo humano não se tem dúvidas. Desde que embarcamos em nossa viagem moderna ele já gerou um enorme acervo cultural que nos auxilia a elucidar nossos dramas e dilemas em torno de sua busca. Somos praticamente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt;reféns do amor nessa incessante (e impossível) viagem para sermos únicos e especiais para alguém. E como um ideal, ele funciona legal ao nos proporcionar uma visão de vida, nos oferecer alguma remissão e um significado à nossa existência. São poucos os que não se declaram&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt; dependentes de um olhar amoroso, quando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt;solicitam a um outro que  respondam sobre sua importância. Uma aposta alta e por isso sempre acompanhada&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt; do medo do não, do abandono ou da traição.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt; Sim, porque sabemos que o amor é o habitante principal da terra do romance, mas mesmo assim construímos pontes e acessos imaginários para a sua “posse” completa. Ao final, quando às duras penas e perdas podemos ajustar nossos olhares às suas cores pastéis, quando podemos passar deste lugar em que precisamos ser amados incondicionalmente para outro onde é necessário contar com o risco de não ser amado ou ser amado de forma diferente do que desejamos, é possível localizá-lo nos pequenos detalhes, nas trocas de olhares, nos pactos, nos sorrisos, na antecipação de certos desejos, na cumplicidade com as fragilidades, enfim, na responsabilidade com os cuidados e afetos que cada um (por sua conta e risco) se compromete a assumir. Nem um mar de alegrias sem fim, nem um lago escuro e gelado em que só habitem feras hostis. Mas pode ser uma razão para se viver. Como bem disse  Renato Russo, “quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer&amp;nbsp;que não existe razão?” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBlockText" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: -2.95pt; margin-top: 0cm; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2857929043318163429?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2857929043318163429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/o-lugar-do-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2857929043318163429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2857929043318163429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/o-lugar-do-amor.html' title='O lugar  do amor'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5834457187525593249</id><published>2011-07-02T11:44:00.000-07:00</published><updated>2011-07-02T12:04:40.094-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Aqui, ali, em todos os lugares</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Uma amiga que há muitas décadas se ocupa em despertar os jovens para a importância de seu papel na escolha da profissão de educadores, constatava desanimada &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;o aumento na porcentagem de evangélicos entre seus alunos, o que, segundo sua percepção, muitas vezes os impedia de se engajar em questões cruciais para o seu desenvolvimento pessoal e por decorrência, profissional. Perguntava-se por que, em um mundo tão mais livre, tão mais aberto ao debate e às inúmeras opções de escolhas para se viver, estes jovens universitários pareciam se “proteger” - atrás de crenças e práticas “sagradas” - de seus sentimentos morais, evitando todo e qualquer questionamento sobre si mesmo. Nesta semana em uma reportagem intitulada “a preguiça como profissão”, a Folha&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt; On line&lt;/i&gt; trazia depoimentos de jovens já formados, com domínio de uma ou mais línguas, com um currículo de viagens pelo mundo, mas que escolhiam ficar algum tempo sem trabalhar, à deriva pela internet com os amigos ou com os videogames, muitos com a anuência de seus pais. A frustração de minha amiga tinha um sentido especial para ela que viveu e lutou em sua juventude, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;contra uma civilização que impunha, entre outras coisas, limitações à exploração do corpo, do prazer, da criatividade. Da sua história pessoal ela guarda com orgulho um movimento de ruptura, um deslocamento de suas heranças familiares em direção ao futuro, oferecendo-se como elemento catalisador das novas tendências de sua época: mudar a si mesmo e ao mundo com seu desejo na carona da utopia de reinvenção da ordem social. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height: 115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Pensemos em como os jovens, hoje em dia, podem e devem escolher o que quiserem,seja em termos profissionais, amorosos ou em relação aos valores pessoais, assim como suas famílias são incitadas a deixá-los livres, não impondo sua própria referência. Há uma expectativa geral para que sejam felizes, bonitos, corpos perfeitos e saudáveis prontos a consumir os inúmeros e diversificados objetos oferecidos pelo mercado. Aqui e ali sabemos que alguns pais lamentam a falta de ideologias no mundo atual que tenham o mesmo apelo à participação no espaço político como em décadas anteriores. Mas a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BR"&gt; possibilidade dos jovens se “engajarem” no mundo em que vivem e inventarem seu futuro não está atrelada somente ao momento cultural. Em qualquer época, eles podem&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height: 115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt; ser promessas de realização dos sonhos das gerações anteriores, rebeldes sem causa, alienados, podem causar medo ou incomodar ou ainda podem se assustar com o mundo que lhes espera. Em geral eles são tanto objetos de inveja &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;quanto de temor, mas uma boa porcentagem fica capturada nos sonhos e desejos de felicidade absoluta de seus pais ou em seus pesadelos &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;e desordem. Alguns privilegiados conseguem localizar onde está o impossível, o que está interditado e o que se faz impotente na cultura,e de alguma forma agem no sentido de provocar mudanças, mas todos, de uma maneira ou de outra, pedem que os escutemos, que possamos perceber seu vaivém entre a angústia e a depressão ou em suas tentativas de se defender de uma com a outra. A passagem para o mundo adulto com suas limitações sociais quase nunca é feita sem luta, sem transgressões. Por seu lado a multiplicidade de ilusões imaginárias que a cultura oferece vem colada a um excesso de exigências, mesmo que sob a forma de promessas de prazer e realização. Por isso é possível que muitos pais tendam a facilitar ao máximo a vida de seus filhos, e resistam a lhes impor restrições ou a discutir valores. Por outro lado, muitas religiões acenam com a possibilidade de regulamentação da vida através de sua fixidez de regras, o que alivia o desamparo - às vezes insuportável - de muitos jovens ( e de seus pais). Cada qual com seu preço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5834457187525593249?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5834457187525593249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/aqui-ali-em-todos-os-lugares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5834457187525593249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5834457187525593249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/07/aqui-ali-em-todos-os-lugares.html' title='Aqui, ali, em todos os lugares'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4093363629290620651</id><published>2011-06-03T16:16:00.001-07:00</published><updated>2011-06-03T16:16:43.408-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Nossas histórias</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;O professor e crítico literário americano Harold Bloom que se dedica há algumas décadas ao estudo de Shakespeare costuma dizer que o dramaturgo inglês inventou o humano. Assim como outros, ele tenta entender o fascínio de todos sobre a obra de Shakespeare - cujas peças não cessam de ser revisitadas, atuadas e lembradas - atribuindo-o à sua capacidade inquietante de atravessar os obscuros labirintos da mente humana, desnudando paixões, iluminando desejos ou apontando os grandes fantasmas que perseguem a alma humana. De certa forma o filme “Shakespeare apaixonado” &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;de 1998 é um produto desta duradoura paixão &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;e mostra um diretor que faz uso de um material histórico de maneira livre e inventiva &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;ao transpor o enredo de Romeu e Julieta para a vida de seu autor. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;No filme o teatro e a Inglaterra de Shakespeare são reconstruídos e mostram como em sua época, suas peças se adaptavam ao gosto do público (e às capacidades da trupe), talvez porque houvesse ali um poeta ousado e&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;antenado tanto com este público como com o mundo ao seu redor. Os estudiosos da obra shakespeariana marcam sua passagem, a partir de Hamlet, para uma nova forma de expressão, em que os personagens passam a indagar sobre si e seus dilemas. É o texto poético, a arte, antecipando as mudanças do mundo e narrando a vida. Em uma época de grande padronização, em que as tradições se impunham e as hierarquias precisavam ser respeitadas, os poetas eram reconhecidos e legitimados por oferecerem um sentido às questões humanas. Passado alguns séculos, com todas as mudanças que assistimos, a literatura e o cinema continuam a oferecer este espaço de reflexão sobre nós mesmos. Parece que estamos condenados a narrar nossas historias para responder sobre nossas vidas. E hoje, com as redes sociais, cada um de nós pode “inventar” historias sobre si e compartilhá-las com a imensa camada virtual que nos acompanha. Pode? Nem todos. A rede social é um enigma sem fim para muitos ou algo em que não se pode confiar, configurando-se em um grande dilema para muitos pais. De certa forma, ao nascermos herdamos um mundo que nos antecede e que nos é apresentado por aqueles que nos cuidam. Precisamos ser sintonizados na cultura para “existirmos” e na nossa infância é importante que acreditemos em um mundo mais ou menos estático em seu jeito de funcionar. Já a adolescência precisa ser turbulenta, revolucionária, seja para as grandes rupturas ou para as novas e pequenas invenções. Diferente da antecipação dos poetas, mas na mesma linhagem dos que escrevem o futuro, os adolescentes captam os desejos irrealizados que pairam na cultura e colocam-lhe vozes. Quando avançamos na idade, a proximidade com a finitude nos devolve um lugar mais acovardado, mais disciplinado e voltamos a desejar que nada vá contra a “ordem natural” das coisas. Mas se não sabemos como o mundo em que vivemos está funcionando não podemos ser “transmissores” de regras e limites para nossos “babies”. É a historia nos convocando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4093363629290620651?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4093363629290620651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/06/nossas-historias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4093363629290620651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4093363629290620651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/06/nossas-historias.html' title='Nossas histórias'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2500632707024860740</id><published>2011-06-03T12:09:00.000-07:00</published><updated>2011-06-03T12:10:43.298-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>O mundo, as pessoas e as “gafes”</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Colunas e reportagens deram destaque nestas ultimas duas semanas a uma série de “gafes” – comportamentos/ frases/piadas - cometidas por figuras públicas em geral, que teriam exposto por vezes o lado cruel e racista, por outras o preconceito, a intolerância, o desprezo ou o abuso que podem permear as relações humanas. O ex-ministro Delfim Neto teria dito ao comentar nossa data da abolição da escravatura que nos dias de hoje já não se podia contar com este “animal’ em casa referindo-se as empregadas domésticas. Uma moradora de Higienópolis teria confessado temer que o bairro passasse a receber uma população “diferenciada” com a construção de estações de metrô – mendigos, vendedores-ambulantes, etc. Ed Motta postou comentários elogiosos sobre o povo de Curitiba e do Sul em geral, em sua opinião, muito mais bonito que as pessoas do Norte e Nordeste, bem mais feiosos. Rafinha Bastos também postou uma frase infeliz sobre o dia das mães, ao marcá-lo como triste para os órfãos, usando um tom de deboche, enquanto o repórter do CQC Danilo Gentili faria uma brincadeira de “mau gosto” com os judeus mais velhos do bairro de Higienópolis, lembrando-lhes o medo que os vagões do metrô os levassem a Auschwitz. O agora ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;foi preso em meados deste mês em Nova York por tentativa de estupro contra uma camareira do hotel em que se encontrava hospedado. O cineasta dinamarquês Lars Von Trier em uma entrevista coletiva dada em Cannes, logo após a exibição do seu filme “Melancolia”, mesmo sendo de origem judaica, disse que compreendia Hitler e diante de algumas provocações acabou afirmando que sim era um nazista. Já o ministro Palocci manteve o silencio diante da ruidosa denúncia de seu enriquecimento ilícito no governo anterior. A internet trouxe esta incrível rapidez na troca de informações, assim como um amplo e inédito espaço para exposição de idéias que, como vimos, pode servir para alguns empunharem seus revolveres e afiarem suas críticas ou revelarem seu descaso com certos cuidados e delicadezas necessárias para o convívio e o respeito entre as pessoas. Nas “gafes” relacionadas acima temos desde o gozo pelo exercício do poder, da arrogância, até o desrespeito pelos deslizes, pelas palavras mal colocadas, pela pena ou vergonha vivida. Ou seja, nosso mundo atual&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt; está representado aqui&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;tanto em seu discurso triunfalista de sermos os representantes do melhor dos mundos - internet, transparência das ações/ falas/ ausências - como no seu contrário, ao expor o pior de nossa condição humana, nossos porões, responsáveis por afiar nossos preconceitos &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;quando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;atribuímos ao outro características ou discursos nossos e de nossa historia que preferimos ignorar ou apontamos as falhas sem incluir nelas os fatores humanos, sem &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;reconhecer sua complexidade. Quem sabe&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;esta “divisão” seja a expressão de nosso&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt; conflito entre o que desejamos e o que nos permitimos desejar, divisão necessária para que &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;a convivência social que já nos parece tão complicada, possa aqui e ali tentar achar um certo equilíbrio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2500632707024860740?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2500632707024860740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/06/o-mundo-as-pessoas-e-as-gafes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2500632707024860740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2500632707024860740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/06/o-mundo-as-pessoas-e-as-gafes.html' title='O mundo, as pessoas e as “gafes”'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2959203331317552681</id><published>2011-06-03T12:04:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T06:45:54.556-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Homens e bichos papões</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Existe&lt;em&gt; &lt;/em&gt;um tipo de novela&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;que quase todos construímos sobre nós, um romance familiar sobre nossas origens, algo como uma matriz para tentar explicar quem somos e para quê estamos no mundo. Ao dar “ouvidos” a esta narrativa individual (que repetimos sem o saber) os psicanalistas tentam detectar seus sintomas, inibições e angústias, não só para aplacar sofrimentos, mas para ajudar a abrir espaço para novas direções de vida e quem sabe, para a criação de novos e mais instigantes capítulos desta história. O imaginário cultural mantém o lugar do “romance” preenchido  pelas fantasias humanas compartilhadas sejam elas produtos da aposta de laços (amorosos, fraternos) entre as pessoas ou o contrário disso, da criação de inimigos “comuns”, que nas religiões encarnam o “mal” que pode ameaçar a todos. O anúncio da morte de Osama Bin Laden líder do grupo extremista islâmico Al-Qaeda e há dez anos o homem mais procurado pela CIA, provocou forte comoção nos USA- em especial na cidade de Nova York, - e produziu inúmeros discursos aclamando o fim da ameaça de novos e inesperados ataques terroristas sob seu comando. O mundo respira aliviado com a morte de mais um déspota: todos se congraçam e repassam o último capítulo desta história. Não há corpo ou provas concretas, além de um exame de DNA com altas chances de comprovação da notícia. Ou seja, não se sabe se é um teatro cuja estratégia é manter o clima de “guerra ao terror” (ou o fim dela). Afinal quem não se lembra das frases de Bush pós ataque de11 de setembro em que ele convida o povo americano a compartilhar de sua busca pelo “Mal” no Oriente muçulmano? A euforia sobre o fim de Bin Laden acrescenta mais uns pontinhos para o lugar de importância do “romance” em nossas vidas. Em São Paulo está em cartaz um filme (Homens e Deuses) que narra acontecimentos verídicos ocorridos na Argélia em 1996. País de maioria muçulmana e colônia francesa até 1962, incrustado na cordilheira de Atlas havia um mosteiro com oito monges franceses, que atendiam as necessidades mais urgentes da empobrecida população local. Com filas diárias- o irmão Luc, único médico e fornecedor de remédios num raio de centenas de quilômetros - atendia uma média de oitenta pessoas entre homens, mulheres e crianças. A convivência era ativamente mantida em um clima de harmonia e trocas até que as lutas pelo poder se acirram e estes  “cristãos” passam a ser protagonistas de algumas versões de “romances”. São franceses e lembram um passado de submissão e de assimetria moral e política. São mal vistos pelo exército local por não negar ajuda aos extremistas, que por seu lado ameaçam a toda a população ao cortar gargantas de seus “inimigos”. Em meio a este “imbróglio” são convidados a desocupar o mosteiro o que precipita uma longa reflexão de todos sobre seus possíveis destinos: decidir  se voltam para a França, buscar um novo lugar para sua missão na África ou permanecer ali prestando o serviço ao qual se propuseram, assumindo as altas chances de serem mortos. O filme resgata a “voz”  dos monges ao recorrer às cartas deixadas escritas  por cada um e recupera os argumentos  que os levaram a ficar no mosteiro até o fim, quando foram capturados e mortos. Assiste-se a confissão de suas dúvidas, seus medos, suas angústias. A tortura da escolha. As tentativas de encontrarem um sentido para suas vidas e mortes e o compromisso com suas verdades. E, mesmo em face à violência que atravessa as vidas  de todos a partir dali, as vezes com muito medo, outras com algumas certezas, eles evitam &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;fazer julgamentos morais e tomam para si a responsabilidade de manter a crença em sua coerência. É bom quando podemos escolher os “romances” para habitar a prateleira de nossas vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Para conferir:  Homens e Deuses (Des Hommes Et Des Dieux) - França / 2010&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Direção: Xavier Beauvois&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Elenco: Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2959203331317552681?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2959203331317552681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/06/homens-e-bichos-papoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2959203331317552681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2959203331317552681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/06/homens-e-bichos-papoes.html' title='Homens e bichos papões'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8467285509181304229</id><published>2011-05-14T14:16:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T14:17:29.101-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>A des-naturalização da vida humana</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;A recente aprovação pelo Supremo Tribunal Federal do direito a união civil homoafetiva abre uma discussão (sempre polêmica) sobre certas verdades compartilhadas culturalmente que dizem respeito a nossa espécie humana. Isto porque admitir que pessoas do mesmo sexo queiram se casar, ter filhos e usufruírem das mesmas leis que asseguram as uniões entre casais heterossexuais, coloca em cheque algumas crenças difíceis de serem questionadas. No inicio deste ano, por exemplo, a mídia anunciou que um grupo de cientistas japoneses seriam os primeiros a cultivar&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;espermatozóides de um mamífero em laboratório desde os estágios iniciais. Na seqüência a idéia seria aumentar as contribuições para o tratamento de seres humanos inférteis. Assim como admitir que dois humanos nascidos biologicamente homens (ou mulheres) queiram se juntar e quiçá constituírem uma nova família, as técnicas cada vez mais avançadas de reprodução humana também alteram as tradicionais noções de maternidade, de paternidade e de família.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt; Assistimos a tecnologia tomar o lugar do ato sexual - antes o elo entre as gerações- na preservação de nossa espécie. As questões ligadas à filiação tornam-se complexas: uma criança pode ser gerada a partir da doação de esperma e/ou dos óvulos; pode ter herança genética de várias pessoas; pode ser gerada por um parente próximo ou por um desconhecido; pode ser filha de uma mãe solteira ou de um casal homossexual. Ao mesmo tempo, no imaginário cultural, o modelo de referência de procriação continua sendo a relação sexual entre um homem e uma mulher, de preferência dentro da "família nuclear heteronormativa" (pai, mãe e filhos), remetendo ao que parece ser a ordem “natural” das coisas. E mais, acreditamos que este modelo “natural” seja também o da família ideal e feliz das cenas de publicidade, que deve manter &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;a noção de família tradicional, com filhos legítimos e em que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;o amor entre todos os membros se estabeleça instantânea e genuinamente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language: PT-BR"&gt;Este apego aos valores ditos “naturais”, no entanto, esconde um paradoxo que permeia as mudanças (que não foram poucas) na maneira como hoje vivemos nossas relações. A passagem do casamento arranjado ao casamento por amor admite uma revolução: a de que hoje são nossos sentimentos que estão acima da autoridade e das tradições familiares. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height: 115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Ao nos casarmos e descasarmos por amor inventamos famílias que&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt; não são mais biológicas, nem óbvias,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt; line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;o que faz com que seus participantes tenham que encontrar e construir novos lugares, criarem sua &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%; font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BR"&gt;própria experiência. São arranjos que não possuem manuais ou referencias. Como a família (seja qual for seu formato) continua a ser o núcleo básico da sociedade, o espaço por excelência da transmissão de valores de uma geração para outra, mantém-se como a mais "natural" das instituições e o núcleo organizador a partir do qual irão estruturar-se e serão transmitidos os valores mais importantes da nossa cultura. Parece que a "naturalidade" que acaba levando à idéia de ser a família o único lugar legítimo da sexualidade e da procriação é tributária da nostalgia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BR"&gt;que nos faz apontar incessantemente o que nos parece fora da norma. Mas nossos sonhos nos fazem construir ( também de forma permanente) novas maneiras de se viver e entender a vida humana, talvez mais honestas, mais justas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8467285509181304229?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8467285509181304229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/05/des-naturalizacao-da-vida-humana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8467285509181304229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8467285509181304229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/05/des-naturalizacao-da-vida-humana.html' title='A des-naturalização da vida humana'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2250977447360333773</id><published>2011-04-28T20:19:00.000-07:00</published><updated>2011-04-28T20:20:16.242-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Desejo/medo de morrer</title><content type='html'>&lt;p style="text-align:justify;line-height:18.0pt"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;Três questões são apontadas como cruciais para que possamos avançar no entendimento de nossa condição humana: ter podido encarar as diferenças entre nós e um outro (não somos únicos e nem sobrevivemos sós) , as diferenças entre os sexos (não somos tudo) e o fato de que a morte é inevitável ( não somos imortais). Em alguma medida, todos nós tentamos negar tais limites ao construirmos alguns mitos privados para uso exclusivo e com leis próprias, mesmo que continuemos reconhecendo a realidade dessas leis inexoráveis. Muitas de nossas patologias psíquicas gravitam em torno de nossas dificuldades em aceitar estas premissas que longe de serem simples, são responsáveis pelo desenvolvimento de grande parte de nosso acervo simbólico. A relação do ser humano com a morte, por exemplo, sempre esteve impregnada em um tecido cultural que buscava formas e modos de conhecimento que fornecessem subsídios não só para o seu significado, mas principalmente para a compreensão das atitudes advindas do senso comum sobre a morte. Entender o ser humano a partir de suas experiências diante da morte, mais do que um saber-se mortal, compõe uma espécie de memória coletiva cultural. Estamos falando sob a perspectiva do significado da morte que além de produzir símbolos, valores, conceitos, constrói diferentes teorias ao longo da história e das culturas. É este significado que será afetado pela nossa tendência a evitar permanentemente um saber sobre a nossa morte. É assim que cada um de nós cria sua própria historia/ mito/crença sobre a sua relação com a morte e invariavelmente é afetado pelas mortes daqueles que lhe são caros, assim como perturbados por aqueles que aparentemente desistiram da vida ou desejam morrer. Qualquer proximidade concreta com o “saber” de que todos irão morrer um dia, ou que é possível querer morrer, é sempre assustador. A depressão, doença que afeta um número surpreendente de pessoas espalhadas pelo mundo - entre crianças, adolescentes, adultos ou idosos - pode ser considerada &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;uma doença psíquica da tristeza, da falta de desejo de viver. Ela exala um &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;negativo da vida psíquica, muito embora possa ser a única maneira daquele sujeito evitar a dor da vida. A psicofarmacologia avançou sobremaneira nas últimas décadas e sem dúvida a prescrição da combinação de drogas psicotrópicas tem auxiliado na tarefa de aliviar os efeitos deste “amortecimento”. Os sintomas da depressão descritos nos manuais de medicina apontam para uma relação bastante diversificada dos mesmos, &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;como a perda de vitalidade ou de interesse pela vida, a dificuldade de concentração, um sentimento de culpa, problemas de sono (excesso ou falta dele), pensamentos ou atos suicidas, fadiga, alterações de apetite e peso (tanto ganho quanto perda), comprometimento da habilidade&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;psicomotora (agitação ou lentidão). Mas quando somos &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;informados sobre o estado depressivo de alguém próximo, imediatamente&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;evocamos os fatos que possivelmente o levaram a cair neste mar de tristeza. Abre-se o livro de sua história, vasculha-se seu presente e seu passado atrás de vestígios que possam explicar ou dar sentido a sua prostração. É como se separássemos nosso corpo de nossa mente ou nossa experiência humana e subjetiva dos seus componentes neurais. No senso comum explicamos as tristezas pelos fatos que afetam aquele que a porta; lembramos quem é aquele sujeito, sua vida, seus pais, suas mazelas, e as possíveis razões de seu sofrimento. Mas precisamos do discurso “limpo” técnico-científico sobre nós e o mundo, que nos ajudam a acreditar que nossos dilemas e contradições possam um dia ser obstruídos completamente na busca biotecnológica de prevenção de doenças e promoção de saúde. Algo como saber sobre os limites da condição humana, mas mesmo assim...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2250977447360333773?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2250977447360333773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/desejomedo-de-morrer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2250977447360333773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2250977447360333773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/desejomedo-de-morrer.html' title='Desejo/medo de morrer'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6865728899784283137</id><published>2011-04-23T17:29:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T17:33:28.299-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Sobre cães e pessoas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 19px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt;Quem se aproximasse da mesa teria dificuldades em perceber a origem daquela empolgada conversa. Quase todos tinham algo a acrescentar sobre o assunto, relatando suas experiências entre risadas e uma certa satisfação. É provável que a perplexidade do visitante crescesse ao saber que o tema que prendia a atenção de todos girava em torno de histórias de seus cães. Seria preciso tomar alguma distancia dali e do tempo para se perguntar em que momento estes animais teriam se humanizado a ponto de se transformarem em portadores de tantos comportamentos antes exclusivos de nossa espécie. Ele/ela não gosta de tal fruta ou não suporta tal tipo de barulho, adora quando ouve tal música, prefere dormir no quarto do fulano, sabe exatamente onde deve fazer suas necessidades, pede com insistência para ir passear, sai em disparada fazendo muita festa quando cicrano chega etc. De animais domésticos soltos em quintais para servirem de guardas, os cães foram se tornando membros da família, portando histórias sobre a escolha de seus nomes, sobre seus antecedentes, sobre as singularidades de seu desenvolvimento e suas aquisições de comportamentos “humanos” como a “inteligência” e o “amor”. São jovens casais que adotam um “pet” enquanto não há projetos para filhos, casais com filhos que cedem aos seus pedidos para acrescentarem um cãozinho à família, outros solteiros, idosos ou sem filhos que se dedicam com zelo e amor aos cuidados de seu cão, etc. Passamos a tratar &lt;span class="apple-style-span"&gt;nossos cachorros como se eles fossem nossos filhos e eles respondem ao&lt;/span&gt; apresentarem comportamentos ajustados à casa, à rotina e à nossa convivência, “humanizados”,que entendem vários códigos de nossa linguagem, e consomem uma série de produtos que auxiliam este convívio: banhos perfumados, camas e almofadas especiais, roupas que aquecem contra o frio, rações específicas para seu tamanho, raça e idade, etc. São cães que adoecem com seus donos, que tem câncer, ficam deprimidos, que são “ansiosos”. Cães que ficam obesos, fazem transplantes, tomam psicofármacos. &lt;span class="apple-style-span"&gt;As estatísticas mostram que 80% dos cachorros são considerados membros da família, 35% deles dormem na mesma cama que seu dono, e 30% têm festinha de aniversário todos os anos. &lt;/span&gt;Enfim, parece que estamos diante de uma nova e bem complexa relação com estes animais, e talvez sejam muitos os motivos disso. Mas &lt;span class="apple-style-span"&gt;podemos sublinhar o fato de sua porção “animal” nos garantir que ao adquirirmos um cãozinho podemos contar com sua lealdade e com a autenticidade de seu “amor”. Sendo as relações com nossos semelhantes uma das maiores fontes de nosso sofrimento e nossa maneira de existir hoje pautada na&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt; mso-bidi-font-size:12.0pt"&gt; ânsia de aprovação, de sermos amados e admirados pelos outros, isso impõe a necessidade de se buscar ansiosamente indícios do amor do outro, que confirmem nosso valor. No entanto a tarefa de cada um para conquistar este lugar &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;especial, admirado, amado e reconhecido esbarra com a&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;precariedade e a vulnerabilidade da presença deste amor. Melhor quando se pode atenuar &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt"&gt; incerteza e a desconfiança quase inexistentes diante da possibilidade da garantia do amor incondicional de nosso cãozinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6865728899784283137?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6865728899784283137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/sobre-caes-e-pessoas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6865728899784283137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6865728899784283137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/sobre-caes-e-pessoas.html' title='Sobre cães e pessoas'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-7714097859284713975</id><published>2011-04-22T09:03:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T15:26:11.393-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Mundo das celebridades</title><content type='html'>Na cena inicial do filme VIPs, o ator Wagner Moura dirige um helicóptero que está prestes a pousar em um resort paradisíaco. Seu olhar se fixa na piscina cheia de lindas mulheres em um misto de excitação e alegria enquanto os hóspedes se agitam curiosos para descobrir a identidade do visitante. Somos convidados a entrar  no clima de glamour que envolve as celebridades, sejam atores , cantores, grandes empresários ou políticos, um mundo do reconhecimento midiático, em que os personagens e as alegorias colocadas em cena não deixam dúvidas de que o espetáculo fascina a todos. Ele desce da sua nave com dois seguranças e não titubeia: em um lance performático identifica-se como Henrique Constantino, herdeiro da companhia aérea Gol. Baseado no livro “Vips – Histórias Reais de um Mentiroso”, de Mariana Caltabiano, apesar de pretender  contar a trajetória de Marcelo Nascimento Rocha, atualmente preso na Penitenciária Central de Cuiabá, o  filme não é sobre o mundo do crime, mas sobre o mundo demasiado humano de um rapaz que desde a sua adolescência assume inúmeras identidades para conseguir seus propósitos. Um psicopata? Um exibicionista em busca de fama rápida? Um golpista esperto e talentoso? O diretor Toniko Mello prefere vasculhar livremente seu personagem. Mantém como fio condutor os fatos narrados no livro, mas coloca o foco na construção identitária deste verdadeiro “ator”. Talvez a cena mais paradigmática seja a que indica quão invertidas são as regras e normas que permeiam o mundo de excessos “permitidos” das celebridades, quando Marcelo, ao se passar pelo filho do dono da Gol,  é automaticamente transformado em convidado VIP (&lt;i&gt;very important people&lt;/i&gt;) e durante quatro dias - hóspede de um dos resorts mais caros de Pernambuco - é paparicado por ricos e famosos, paquerado por mulheres, entrevistado por Amaury Jr., fotografado para colunas sociais. Todos passam a querer ser íntimos e oferecer favores com o intuito claro de se beneficiarem de alguma troca futura. Não há espaço para pensamentos, argumentos, críticas, escolhas. Como um mundo à parte, as normas, costumes e leis utilizadas por  todos na manutenção do convívio no cotidiano, podem ali serem violadas, transgredidas. Mas tudo tem limites. É por insistir em ultrapassar a fronteira interditada  que Marcelo ganha uma outra notoriedade, a negativa. Em  entrevista recente à Revista Trip na prisão, duas questões rondavam a pauta dos repórteres. Na primeira percebia-se uma aguçada curiosidade sobre seus primeiros golpes (as origens) e as motivações destes ( causas); no final era incitado a responder sobre um possível arrependimento. Haveria chances (metas) dele se reabilitar moralmente? Provavelmente tais questões estariam a serviço de um  divisor de águas entre a tietagem e a condenação já que não escondem a expectativa de que ele possa reconhecer o “uso” impróprio do “outro” e, ao invés de se comprazer deste feito com delírios de grandeza, aceitar que sua liberdade, como a de todos, tem limites. Ou seja, que embora a cultura atual faça um convite permanente para que ninguém renuncie às suas satisfações, caberia a cada um (desde as interdições parentais) poder escapar do desejo de ser/ter tudo. Entre a loucura que coloca o sujeito à margem da sociedade e as mazelas de todos nós, neuróticos, há os que ficam encima do muro - os “perversos”-   que longe de serem “maus” ou pregressos escolhem não entrar no espaço das disputas, negociações, renúncias ao não se submeterem às leis necessárias para serem parte do todo. Vivem, por isso, um mundinho à parte, meio cínico, alienador, muito solitário e aprisionante, mas possivelmente próximo do mundinho das celebridades.&lt;br /&gt;Para conferir:&lt;br /&gt;Título : VIPs     2011 (Brasil, EUA)&lt;br /&gt;Direção: Toniko Melo&lt;br /&gt;Atores: Wagner Moura, Gisele Fróes, Juliano Cazarré, Jorge D'Elia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-7714097859284713975?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/7714097859284713975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/mundo-das-celebridades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7714097859284713975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7714097859284713975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/mundo-das-celebridades.html' title='Mundo das celebridades'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6981063231873338868</id><published>2011-04-22T09:02:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T09:03:26.054-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Terremotos, tsunamis, enchentes</title><content type='html'>Pode-se dizer que nos últimos dois anos fomos surpreendidos com a força devastadora de alguns fenômenos naturais como o terremoto em Haiti, as enchentes na região serrana do Rio de Janeiro e mais recente o tsunami e terremoto no Japão. As imagens que nos chegam destas tragédias não deixam dúvidas sobre a nossa fragilidade diante destas poderosas e inesperadas “re-ações” da natureza. Por algum tempo nossa aldeia global parece assumir uma dimensão frágil, de pouco poder diante de certas tensões que a ultrapassam e nós, seus habitantes, podemos ser comparados aquelas miniaturas infantis que sucumbem ou não ao bel prazer de seus pequenos donos. Valemos pouco e podemos sumir em grande quantidade sem que nada possamos fazer. É a assunção de nossa impotência diante da morte que não podemos prever antecipar ou evitar. Em geral estas catástrofes mobilizam uma ampla rede de pessoas, instituições e nações para constituir uma ajuda efetiva. A comoção é geral e a maioria se sente afetado. A mídia se divide entre as imagens das conseqüências e das providencias de reconstrução e ajuda que são gestadas. Abre-se espaço para a valorização do humanitarismo, com ênfase na solidariedade e surgem perguntas antigas: o que faz com que tantos passem a se preocupar e a se ocupar em ajudar outras pessoas, às vezes sacrificando seus próprios interesses? Quem ou quais culturas são mais sensíveis ao sofrimento humano? Biólogos, sociólogos, psicólogos são chamados a contribuir para elucidar as condições em que os interesses de um grupo podem suplantar as do individuo. Afinal, somos egoístas ou altruístas “por natureza”? Se não, como podemos “despertar” a empatia, o sentimento de compaixão pelo outro, ou seja, como esperar que se possa agir de maneira “nobre” diante de situações que nos lembrem nossa vulnerável (e semelhante) condição de ser vivente? A verdade é que tais questões não são nada fáceis de serem respondidas e o contraponto delas é a possibilidade de sermos violentos ao limite de matarmos uns aos outros. As guerras e confrontos entre povos podem mudar de cara, mas são recorrentes. Em uma cena do filme indicado e recém premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro (Em um mundo melhor /2010/ Suecia/Dinamarca) um adulto tenta dar um sentido para a morte (por câncer) da mãe de um menino de 12 anos, que desde então está cheio de ódio, inconformado com tal perda. Explica ao jovenzinho que enquanto vivemos, colocamos um “véu” sobre a morte. Quando este véu é arrancado (por diferentes imposições do destino), ficamos frente a frente com ela, insuportável. Depois voltamos a colocar o véu e assim podemos seguir vivendo. Não por acaso não podemos produzir representações para a morte. Ela é o nosso fim. Por isso a cultura sempre se empenhou em construir um campo de significações através de mitos e religiões que nos ajudassem com seus ritos e crenças sobre a morte e o pós- morte. Com certeza a sensação de pertencer solidamente a um grupo ou um coletivo pode servir de esteio contra tanto desamparo. Mas temos que conviver com o fato de nossa experiência coletiva ser marcada de forma ambivalente por nossa potencia destruidora ainda que estejamos sempre em busca de novos modos de repará-la.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6981063231873338868?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6981063231873338868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/terremotos-tsunamis-enchentes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6981063231873338868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6981063231873338868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/terremotos-tsunamis-enchentes.html' title='Terremotos, tsunamis, enchentes'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2306178559399851731</id><published>2011-04-22T09:01:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T09:02:05.158-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Espaço “DR” para os homens</title><content type='html'>O canal pago GNT divulgou em nota recente que está gestando – com previsão para início do segundo semestre deste ano- um programa masculino inspirado na fórmula de seu bem sucedido (e feminino) “Saia Justa”. Apelidado interinamente de “DR” – uma referencia à eterna proposta feminina de discussão da relação amorosa – ao que parece o programa busca refletir sobre a masculinidade e suas novas questões. Composto somente por homens lembra um moderno “Banquete” nos moldes daquele descrito por Platão, em plena vigência e efervescência das idéias da Grécia Antiga. E não se pode deixar de reverenciar tal tipo de iniciativa sem computar as mudanças ocorridas nas últimas décadas, com suas profundas alterações nas relações entre homens e mulheres. Todos hão de concordar que um espaço na programação da mídia voltado inteiramente para se discutir o amplo espectro de tipos masculinos da atualidade às voltas com seus dilemas, incertezas e inseguranças seria, no mínimo, uma cena impossível nos dois séculos que nos antecedem. Pensemos em algumas razões. Nestas sociedades tradicionais, os moldes eram “justos” e a todos restava tentar “vesti-los”. Ser mulher significava ser esposa e mãe. Do homem era esperado que se casasse - por escolha dos pais ou por amor - e assumisse a função de provedor e chefe da família,concedendo um nome (e um lugar) social à mulher e aos filhos. No decorrer do século 20 e já no século 21, tal rigidez foi questionada e o principal alvo foi a sexualidade. Os mitos e tabus que rondavam o feminino e o masculino e buscavam ordenar o que escapava ao “explicável”, tiveram que ser renovados. Estamos falando dos mecanismos de controle do prazer e da violência (o que se permite e o que se proíbe) que a cultura não pode cessar de produzir, mas que estão permanentemente sujeitos aos questionamentos que ela própria faz sobre eles. São estas normas que orientam o acesso ao corpo e ao sexo e assim dão direção às existências, produzem diferenças de sensibilidades, de itinerários e de aspirações. Por quê? O fator que impõe as mudanças e ao mesmo tempo as rejeita, temendo suas conseqüências, é a singularidade da sexualidade humana com seu quantum de prazer (ou de dor) regido pela fantasia. Nossa sexualidade é mais jogo do que técnica e as fantasias fazem parte deste jogo: são elas as responsáveis por nosso erotismo, que empresta o colorido às nossas vidas sexuais. O feminino ou o masculino é construído desde o nosso nascimento, sob o impacto de fortes emoções e grandes conflitos e embora o corpo biológico (a anatomia) indique um caminho, são gerados na experiência. Sob os olhares temerosos de muitos e bastante dúvidas de todos, homens e mulheres buscam hoje construir novos lugares sociais, que lhes ofereçam orientações e dicas sobre o que e como viver suas vidas amorosas, sobre o que “elas” esperam deles e o que “eles” querem delas. Sem matrizes e regras de como abordar o “outro”, como ser “masculino” ou ‘feminino”,resta-nos assumir nossas inseguranças, falta de certezas e fragilidades. Ponto para estes espaços da cultura que visam ampliar nossas referencias&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2306178559399851731?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2306178559399851731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/espaco-dr-para-os-homens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2306178559399851731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2306178559399851731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/espaco-dr-para-os-homens.html' title='Espaço “DR” para os homens'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6121791870069715796</id><published>2011-04-22T08:59:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T04:27:01.437-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Amores e suas dores - parte IV</title><content type='html'>Perguntava-se por que raios “dor de cotovelo” ora era utilizado para explicar quando alguém era flagrado sentindo ciúme/despeito/ inveja, ora para descrever aquela avalanche que ela estava vivendo: ser trocada por outra. A versão oficial parecia querer reduzir a expressão ao fato do cotovelo humano ser frágil e vulnerável e por isso, sujeito a fortes dores quando atingido, tal e qual a invasão na alma destes sentimentos insuportáveis. Mas preferia imaginar que as dores dos cotovelos fossem provocadas por uma posição prolongada destes na tentativa de suportar cabeças desoladas, arregaçadas, desesperadas. Era assim que ela se sentia. Não por acaso todos (mas principalmente as mulheres) se mostravam solidários ao seu sofrimento. Nenhuma pronunciava palavras, mas o olhar compassivo denunciava um reconhecimento do terreno. Embora lindas, livres, produtivas e sedutoras, as mulheres estariam condenadas a perder seu chão diante de uma ruptura amorosa em que a “terceira”, a “outra” ocupasse o que até bem pouco era seu território exclusivo, com direito a placa e nome. Luxo, ideologia, crenças e aspirações ficariam depostos para que o vazio se estendesse a cada célula do corpo, um vazio devorador, que somente o calor do corpo “dele” seria capaz de preencher. Hora de acionar todas as armas da insistência: mensagens, bilhetes, e-mails, telefonemas, “DRs” a serviço do resgate do fio da meada. Quem sabe apertar a tecla “reward” na esperança de recompor um passado que evitasse tal presente e mantivesse o futuro ansiado. Ah o ciúme, esta emoção intensa e perturbadora, velha conhecida dos amantes e daqueles que escrevem sobre o amor, motivo de muitos crimes passionais e de intrigas amorosas! Um misto de pesar e sofrimento pela perda do amado, um rombo na auto-estima, e um ódio e inveja inimagináveis pela perversa e bem sucedida rival. O que  esta “outra” teria que ela não tivesse? O que ele viu nela que lhe falta? Inicia-se a viagem de busca dos indícios, cabelos, marcas, estilos, sorrisos, testemunhas mudas, mas irrefutáveis. A “outra” é esta culpada, mas isso só aumenta a dor ressentida de se crer que o amor “dele” está perdido. Na impossibilidade de administrar a própria crítica resta se responsabilizar pelo insucesso, revolver o entulho mais recôndito de sua própria alma, denunciar suas leviandades e seus equívocos. Menosprezar-se, desvalorizar-se e penalizar-se pela preciosa perda. Mas o desvario não termina. Na etapa seguinte é “Ele” o alvo antes preservado. De culpada à vítima, ela exibe a todos o currículo impecável de sua vida amorosa, faz e refaz a contabilidade conjunta e tenta se convencer de seus créditos. Ele não a merece. Ódio, ódio, ódio! Não vai demorar e ele perceberá o erro. Aí será tarde. Ela já não poderá perdoá-lo, já não estará disponível porque a vida continua, a fila anda. Só que deveria andar mais rápido, demorar menos tempo neste tempo que não passa  e que ultrapassa qualquer chance de esquecer Ele, de sofrer sem parar. Chega! Quer evitar que o ciclo se reinicie. Está tão exausta e sem forças que só lhe resta ansiar que o futuro sem ele chegue mais rápido. Sem ele tão vivo nas lembranças que brotam sem parar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6121791870069715796?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6121791870069715796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/dor-de-cotovelo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6121791870069715796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6121791870069715796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/dor-de-cotovelo.html' title='Amores e suas dores - parte IV'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1630286982265964128</id><published>2011-04-22T08:58:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T17:59:14.112-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Amores e suas dores - parte III</title><content type='html'>Quatro anos haviam se passado. Talvez um pouco mais. Não podia negar que estivesse levemente ansioso. Chegou a se arrepender de ter guardado aquele HD, o tal do disco rígido de seu laptop, declarado “morto” pelo técnico e sem a mínima chance de cooperar na recuperação de seus arquivos pessoais. E bota arquivo nisto: quase cinco mil músicas, infinitas fotos, afora documentações, textos, etc. Que não lhe perguntassem os motivos pelos quais teria conservado a tal plaquinha durante estes anos. Tantas vezes, em suas arrumações, hesitou em jogar aquele quadradinho de metal dourado cheio de enigmáticos sensores e fios, para depois devolvê-lo ao seu posto na gaveta, como se ali contivesse uma parte importante de sua vida, que de certa maneira queria preservar e esquecer ao mesmo tempo. Foi impulsivamente que aceitou a oferta do amigo para tentar recuperar este passado, e agora, a notícia de que o milagre se realizara, suscitava este misto de prazer e medo. Ele poderia enfim, reaver suas músicas, suas fotos. Mas como seria voltar àqueles “anos dourados”? Ali estavam o começo, o intermédio e o fim de sua relação com Gabi, vividos em meio ao tumulto dos últimos anos da faculdade, todas as festas, as viagens com a turma, as primeiras entrevistas de emprego. Não tinha sido fácil para ele realizar esta passagem da irreverência, da liberdade, do descompromisso para um mundo de obrigações, horários e muita responsabilidade. É provável que para a Gabi tivesse sido menos penoso. Havia certa naturalidade na maneira cuidadosa com que ela administrava sua vida profissional, traçava seu futuro. A verdade é que a gestão da carreira – agora lhe ficava mais claro- depende e muito da relação que cada um tem com sua escolha, da paixão ou da falta dela. A opção de Gabi por seguir sua vida e seus sonhos sem ele tinha sido um golpe inesperado em todos os sentidos. Ele estava à deriva, no ritmo da maré, sem muitos sustos nem muitos planos e a palavra casamento lhe era tabu, mas não para Gabi, que há algum tempo vinha insistindo para que ele se comprometesse mais com seus projetos. E quão longe ele estava de imaginar seu próprio grau de envolvimento e dependência naquela relação!Quanto mais alienado, mais a realidade convoca, se impõe e arremessa para longe. Aquilo tinha sido um verdadeiro nocaute e o deixara no nível do chão por um bom tempo. Para quem ligar todas as noites enumerando as chatices do dia? E o que fazer nos finais de semana e feriados antes com suas programações previamente agendadas? Não bastassem os vazios, ela logo engatou um namoro firme com um gajo um pouco mais velho e se casou um ano depois. Só quem pertence ao mundo (cruel?) dos homens pode entender o rombo que esta ferida provocou. Sim porque para ser reconhecido como membro desta categoria é preciso provar e provar e provar a vida toda que se é macho sem sequer confessar o medo de fracassar nesta empreitada insana. E macho algum pode curtir dor de cotovelo, se deprimir pelo término de um relacionamento. Se antes não possuía, ele precisa providenciar rapidamente uma fantasia de caçador, cair na vida, e espalhar aos quatro cantos seu alívio pela alforria. Resta-lhe exibir a contabilidade: o celular se enche de nomes e vozes femininas. Até que surja uma Helena no horizonte, um porto seguro, ao mesmo tempo leve, delicada. Alguém que se deixe amar, que se ofereça como parceira. Depois é só apostar que o caldo antes excessivamente quente desta historia  passada com suas fotos e músicas  possa ser consumido sem tantas dores ou danos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1630286982265964128?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1630286982265964128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/amores-e-suas-dores-parte-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1630286982265964128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1630286982265964128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/04/amores-e-suas-dores-parte-iii.html' title='Amores e suas dores - parte III'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8666993615240325714</id><published>2011-03-11T05:09:00.000-08:00</published><updated>2011-03-11T05:15:39.059-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Amores e suas dores - parte II</title><content type='html'>Não havia pensamento positivo, força da mente ou orações que impedissem que as lembranças daquele período negro voltassem. Bastava eliminar o acúmulo de atividades que as mães de primeira viagem enfrentam nos cuidados diários com seus bebês para que o mesmo filme passasse e repassasse sem lhe dar tréguas. Tal e qual as casquinhas que se formam sobre as feridas de nossa pele, que sem percebermos, arrancamos, forçando uma volta à estaca zero, cada célula de seu corpo recebia novamente as ressonâncias daquela antiga dor. “Zilhões” de vezes ampliada, intensa. No fundo ela sabia que no momento do “crash” ela quase havia se perdido. Ali não era uma questão de dores e sim de sobrevivência diante de queda no abismo. Só de pensar nisso a respiração lhe faltava. De certa maneira  sentia-se caminhando, mesmo tendo que rever aquele filme a cada parada. Era estranho voltar no tempo e tentar resgatar os sentimentos daquela época. A dor da perda (das muitas perdas) não lhe permitia uma análise minimamente imparcial. As lembranças se misturavam. A gravidez inesperada, em meio à louca paixão por aquele homem, as dúvidas, a decisão conjunta de bancar o projeto de se tornarem pais, a urgência que o tempo impunha para cada detalhe. Uma casa, um quarto de bebê e tantas providências tomadas às pressas. Um homem e uma mulher se juntam, admitem o nascimento de um filho e o futuro daquela relação amorosa se transforma para sempre. Há um terceiro em jogo e ele pode ser docemente incluído ou se transformar em intruso, numa fronteira tênue. É com tristeza que se recorda de sua felicidade: ela abraçou a idéia da maternidade e espalhou sua alegria pelos sete meses, cuidou de se preparar para o parto, curtiu saber o sexo, pensou nos nomes, no enxoval. Mas ele fez a rota inversa, cada dia um pouco mais quieto, menos interessado. Não sabe bem se passou ao largo de suas inquietações de pai ou de todas as mudanças que a gravidez lhe impunha. Era comum que ela se “perdesse” nos seus projetos, caísse de corpo e alma. E se ele estivesse muito mais amedrontado do que ela? Ou mais só? Não, não justificava. Novamente a dor, misturada à raiva, tal e qual um tsunami cobria até a raiz de seus cabelos. Ela não poderia perdoá-lo, não ainda e não sabia se um dia. Faltavam menos de dois meses para o parto quando aquele covarde “surtou” e resolveu que não estava preparado para formar uma família. Em alguns minutos ficou sem marido, sem um parceiro para estar junto quando Joaquim nascesse, sem casa, sem futuro à vista, sem fôlego, sem ar. Foi resgatada pelos braços de seus pais e de sua irmã. Ainda não encontrava palavras que pudessem dimensionar o valor deste calor, um amor silencioso e consistente. E havia Joaquim, com seus olhinhos negros a procurá-la. Pensar nele era reconfortante, dava-lhe forças, direções, horizontes. Podia sentir-se gente, traçar roteiros profissionais, imaginar-se lá na frente, refeita, feliz. De repente era invadida por esta força estranha e boa. Com a respiração mais cadenciada, ela se entregava aos sonhos, graças ao saldo positivo Joaquim, seu sorriso, seu amor, sua incondicional (e necessária) aposta no seu “tino” maternal. Ela bem sabia que ao ter um filho, tinha assinado um contrato imenso, com letras nem sempre legíveis, destes que se deve evitar saber todas as cláusulas para não perder a coragem. Mas era bom imaginar que ele era o filho perfeito de uma mãe perfeita. Podia suspirar e relaxar. Até a próxima parada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8666993615240325714?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8666993615240325714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/03/amores-e-suas-dores-parte-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8666993615240325714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8666993615240325714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/03/amores-e-suas-dores-parte-ii.html' title='Amores e suas dores - parte II'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2465115671609674000</id><published>2011-03-04T13:16:00.001-08:00</published><updated>2011-03-13T08:43:54.870-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida amorosa'/><title type='text'>Amores e suas dores - parte I</title><content type='html'>Seus olhos ficavam marejados sempre que a imagem daquela pequerrucha vinha à sua mente. Sentia o ar faltar ao repassar os momentos em que brincavam juntas. Na verdade as lembranças permaneciam vivas durante toda a semana: cada detalhe, cada gesto, mas principalmente a força daquele olhar, um misto de desespero e pedido de atenção incondicional. Começava ao tocar a campainha. Do outro lado podia ouvi-la gritando – é a vovó, a vovó chegou. De imediato uma exuberância de sentimento lhe invadia o corpo todo! Ninguém mais estava autorizado a recebê-la. Quem abria a porta era aquele serzinho de apenas dois anos, que vinha já de braços abertos esperando o aconchego de seu colo. Mas o que mais lhe impressionava era o seu empenho em monopolizar sua atenção, que fazia não sem custos: gastava um tanto considerável de energia para fiscalizar o destino de suas palavras, gestos e olhares. Era tão forte que ela se sentia culpada se por ventura o netinho de sete meses lhe sorrisse, balbuciasse qualquer som ou jogasse os bracinhos em sua direção. Como era possível que sem palavras que pudessem definir seus sentimentos, ela conseguisse deixar tão claro o quanto os ciúmes estavam dilacerando seu coraçãozinho? E quem não sabia o que isto significava? Poucos, muito poucos. Ela mesma, já que ao invés de um, sua mãe tinha lhe dado dois irmãos ao mesmo tempo, até hoje conhecidos como “os gêmeos”. Dores inesquecíveis diante de um incômodo e perturbador afeto, tão familiar e recorrente. Não sabia dimensionar se sua filha, mãe dos dois netos, estaria em condições de perceber (tanto quanto ela) quão devastador ele podia ser. Afinal, era filha única. Apesar de sua área ser a Biologia e não a Psicologia tinha uma vaga idéia de que os ciúmes entre irmãos era um desafio para os pais. E só agora como avó, percebia os limites impostos por este sentimento, já que  as lembranças de sua historia infantil se impunham, chegavam sem esforço, invadiam sua mente. Embora nem sempre soubesse o que fazer para amenizar o tom cinzento que parecia descolorir a vidinha da pequena desde a chegada do irmãozinho, algo lhe induzia a respeitar a sua dor. Sabia que era legítima. Poderosa. Quase sem se dar conta, por “puro amor”, pôs-se a tentar elucidar o que achava que a feria tanto. Fosse pelas brincadeiras com as bonecas ou nas ocasiões em que era inevitável um tenso encontro entre ela e o irmão, ofereceu-se como intérprete de seus sentimentos. Aliás, uma tarefa fácil já que confessar-lhe que sentia dores semelhantes em sua infância nada lhe custava. Pelo contrário. Elas acabavam ganhando um sentido novo. Era incrível como longe, muito longe de poder saber disso, sua netinha provocava este tumulto nas suas entranhas, desarrumando o sótão empoeirado de sua memória. Estava claro que a chegada de um novo irmão questionava o lugar especial que a mais velha imaginava ocupar. Que de repente ela não fora suficiente, e agora teria que dividir sua exclusividade com aquele novo e “odiado” ser. Experiência de dor, mas com grandes possibilidades de impulsionar-nos para a roda do mundo das pessoas, ao nos tirar do centro exclusivo do mundo de nossos pais. Era nisso que ela queria apostar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2465115671609674000?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2465115671609674000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/03/amores-e-suas-dores-parte-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2465115671609674000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2465115671609674000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/03/amores-e-suas-dores-parte-i.html' title='Amores e suas dores - parte I'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5139345936129758594</id><published>2011-02-25T07:44:00.001-08:00</published><updated>2011-02-25T07:48:47.600-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Porque tememos a questão gay?</title><content type='html'>A Revista Época desta semana (21 de fevereiro de 2011) destaca em uma mesma reportagem, dois movimentos, um pró e outro contra a defesa dos direitos dos homossexuais no Congresso Brasileiro. De um lado o deputado (ex- BBB) Jean Wyllys, gay assumido, tenta propor um projeto de lei que institua o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo; de outro as vozes contrárias dos representantes da Frente Evangélica, da Família e do Exército. Sempre polêmica, qualquer discussão sobre a homofobia e os caminhos pensados para aumentar a participação social e política no enfrentamento da violência, do preconceito e de discriminação contribui para  acirrar as lógicas perversas de opressão e incremento das desigualdades. A homofobia parece fazer parte do que Umberto Eco chama de “violência selvagem”, um  tipo de intolerância que, sem qualquer doutrina, nasce dos impulsos mais elementares, mantém-se difícil de ser combatida e apresenta uma alta capacidade de sobreviver a qualquer objeção crítica e, assim, de resistir aos fatos que a desmintam. As tentativas de exclusão das pessoas homossexuais do campo de reivindicações de direitos é quase sempre acompanhada pela construção de um conjunto de representações simplificadoras e desumanizantes sobre elas, suas práticas sociais e seus estilos de vida. Os homossexuais parecem ser perseguidos simplesmente por serem homossexuais!  Os setores mais conservadores da sociedade agarram-se às suas crenças e aos sistemas de disposições socioculturais, para procurar responder à “ameaça” que a diferença lhe parece representar. Buscam a segurança na norma mítica, algo que se confunde com uma idéia sobre ser “normal” : branco, jovem, heterossexual, cristão, financeiramente seguro, magro, e por aí vai.Os gays, grupo “outsider”,  provocam uma inquietação maior ao reivindicar  não apenas uma igualdade social, mas também uma  igualdade humana. Porque a homossexualidade não pode ser considerada uma possibilidade humana? O preconceito em relação à homossexualidade é antigo. Historicamente ela já foi considerada pecado, crime e doença e em muitos lugares as três concepções coexistem. Desde 1973 foi retirada oficialmente do Manual de Diagnósticos de Transtornos Mentais (DSM) e em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que a orientação sexual não heterossexual não era uma enfermidade mental, nem uma preferência sexual que pudesse ser modificada voluntariamente. No Brasil a homossexualidade não é entendida pela lei como patologia e sim como uma expressão da sexualidade como qualquer outra. Mas ainda que as políticas sociais e culturais insistam em promover um debate no sentido de sua aceitação, não cessamos de produzir movimentos homofóbicos em todas as áreas da cultura. Talvez não seja mesmo fácil para a maioria de nós aceitarmos alguns traços nossos e de nossa história que preferíamos ignorar. Nossa sexualidade não é orientada pela reprodução e a extravagância dos nossos desejos está sempre a nos rondar, lembrando-nos algo que insistimos em apagar: a de que a sexualidade humana não segue a lógica ou/ou (ou macho ou fêmea) justamente por ser determinada por amores e fantasias de cada um. É pelo seu caráter desruptivo que a cultura não cessa de produzir silêncios sobre suas práticas.  E quem não consegue se posicionar na alternativa entre os dois gêneros historicamente “permitidos” está condenado a viver sua orientação sexual de maneira dolorosa e conflitiva. Em geral não computamos o quão difícil é para os homossexuais concordarem com seu próprio desejo, seja por inibição, por repressão ou por princípios morais. Mesmo que as novas gerações tenham chances de ampliar suas possibilidades identificatórias, redefinir seus papéis sexuais, assumir com mais liberdade suas preferências, os homossexuais continuam a provocar o imaginário de um outro tipo de gozo, ao mesmo tempo diferente e semelhante, que atrapalha o sossego de uma identidade desejada “clara”, sem ruídos. Melhor e mais fácil qualificá-los de pervertidos e pouco confiáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5139345936129758594?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5139345936129758594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/porque-tememos-questao-gay.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5139345936129758594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5139345936129758594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/porque-tememos-questao-gay.html' title='Porque tememos a questão gay?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2742587915942486732</id><published>2011-02-16T17:20:00.000-08:00</published><updated>2011-02-16T17:28:06.822-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>O lado negro do cisne branco</title><content type='html'>Cinéfilos ou não, é quase impossível ficarmos imunes ao clima de disputa e apostas, típico desta época do ano, em torno dos filmes e atores que serão agraciados com o Oscar. Difícil não cruzar com o cartaz que traz a foto impactante da atriz Natalie Portman- bem cotada para ganhar o Oscar de melhor atriz - encarnada na bailarina Nina de “Cisne Negro”. O filme produziu polêmicas e agitou o mundo das escolas de ballet sobre a exigência de disciplina ou o clima de tensão e competição entre as dançarinas. Também os profissionais da área psi foram convocados a dar seus palpites sobre o atormentado destino da protagonista. De fato, o filme coloca cada espectador como refém da perspectiva de Nina na imersão da conquista do que parece ser sua única razão de viver: obter o lugar de primeira bailarina de sua companhia. O resultado é uma sensação sufocante. Sentimo-nos aprisionados em seu corpo, ao mesmo tempo em que este testemunha a patologia de seu psiquismo. O ballet de Tchaikovsky  e sua fábula, completa de forma perfeita esta trágica rota. Em quatro atos, o "Lago dos Cisnes" conta a história do príncipe Siegfried, que, coagido pela mãe a se casar com uma cortesã, apaixona-se pela mulher-cisne  Odette. Em uma noite de luar encoberto,no entanto, confunde-a com Odile, filha do feiticeiro Rothbart e jura dedicar-lhe amor eterno, condenando assim Odette à morte. Interpretados pela mesma bailarina, os cisnes branco e preto seriam a representação da própria divisão de nossa condição humana. Enquanto o cisne branco obedece ao rigor e ao controle, com movimentos perfeitos, mas contidos, o cisne negro pede a catarse e se impõe. O bem e o mal, o amor e o ódio deverão poder ser expressos por Nina, assim como a contenção e a erupção de sua sexualidade. Do começo ao fim, sentimo-nos parte dela e com o fôlego suspenso, seguimos juntos ao infernal desmonte das frágeis ferramentas psíquicas com as quais ela sobrevivia e que no limite máximo lhe possibilitaria viver/ser/dançar o cisne branco. Não o negro e tampouco os dois. Ser obrigada a entrar em contato com este seu outro lado provoca-lhe uma ruptura que a faz perder a noção do eu-outro/ dentro-fora. Nina passa a alucinar e já não pode distinguir o que é sua imaginação da realidade. Temos a impressão de que seu universo psíquico não está mais em condições de exibir os sinais de seu sofrimento. Habita outra lógica, que não inclui a alteridade. Nina está aprisionada em seu mundinho. Sozinha com seus fantasmas. O mundo externo, das bailarinas, do diretor, da mãe, do palco e da platéia são atores coadjuvantes desta outra cena, interna. Talvez por isso o filme provoque reações diversas: a “com-paixão”, ou seja, a possibilidade de nos abrirmos ao negativo, vivendo com Nina as dores que não podem ser sofridas, suportando o sufoco do que não consegue ser dito, apenas atuado, ou a intolerância/estranhamento a este excesso. Seja qual for, saímos com a certeza de que nosso universo psíquico habita as águas da complexidade e de que não é nada fácil encararmos as vias indiretas e inquietantes de suas patologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conferir: Cisne Negro (Black Swan) &lt;br /&gt;EUA , 2010 - 108 min. &lt;br /&gt;Direção:  Darren Aronofsky                                                         Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2742587915942486732?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2742587915942486732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/o-lado-negro-do-cisne-branco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2742587915942486732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2742587915942486732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/o-lado-negro-do-cisne-branco.html' title='O lado negro do cisne branco'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-441375826468882192</id><published>2011-02-12T05:26:00.000-08:00</published><updated>2011-02-22T18:05:15.949-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Aquele que sabe sobre mim</title><content type='html'>“Como psicóloga/psicanalista, o que você acha?” Em geral esta pergunta já denuncia a inquietação de quem a faz. No convívio social, fora do consultório, é comum aos profissionais que se dedicam ao estudo das almas serem questionados pela complexidade da vida humana e por seus comportamentos inesperados ou enigmáticos. Aquele que questiona, muitas vezes acredita que haja uma “normalidade” bem situada e previamente delimitada, e sua argüição pode conter várias apostas. A de que o psicólogo sabe algo a mais sobre ele e sobre os outros. Que pelo seu saber, ele possa habitar uma dimensão humana outra, que o exclui do rol dos comuns e o coloca em um lugar especial, quem sabe imune aos desvios, dores e excessos (o que legitimaria sua resposta). Ou ainda de que a “loucura” ou o comportamento desviante que motivou a questão tenha como ser extirpado. De uma certa maneira é esperado que busquemos um padrão médio de comportamento, de pensamento, de valores e reações emocionais diante da vida. Isto incrementa nossa crença na existência de formas de vida em que não seja preciso questionar a nós ou aos outros  ou que possamos viver sem “sofrer” o impacto de nossas relações com os que nos rodeiam, os que são diferentes, ou nos causam estranhamento. Somos todos um pouco normopatas, e a normopatia parece incurável. Além disso, o fato de nossa cultura estar calcada no bem-estar e na ética do sucesso faz com que  o sofrimento seja um elemento extremamente perturbador e, assim como o tédio e o estranho, disfunções a serem eliminadas. Há por isso uma corrida aflita aos catecismos ou aos entendidos, na busca de certezas sobre o “bem” viver. Para a psicanálise, no entanto, é um equívoco entender o sofrimento psíquico como produto passível de ser capturado apenas pela nossa consciência ou algo a ser eliminado com algumas boas orientações. Diante de um excesso de dor, de enigma, de violência (crueldade ou sexualidade), por exemplo, e na falta de alguém que possa “traduzir” ou aplacar tal impacto, nossa mente faria uso de um recurso que promove um fracasso das funções mentais, ocasionando rupturas, colapsos da memória e  mesmo uma desarticulação no equilíbrio psicossomático. Esta seria a origem de nossos estados desarmônicos, ou seja, de nossos sintomas psíquicos. A maneira como construímos nossas medidas de proteção para estas urgências dão o toque sobre a estética de nossas patologias. Algumas mais “lesivas”, que implicam em uma maior alienação social, outras menos. À diferença de outros métodos de leitura de nosso funcionamento, aos psicanalistas o “saber” sobre os sofrimentos psíquicos de alguém não está dado a priori. Embora ele se ofereça para participar desta empreitada de criação e produção de sentido, ora propiciando, ora conduzindo, ora acompanhando, ora significando, ora respondendo, ora questionando é mister que ele possa suportar sua própria ignorância em relação ao que virá.  O que se tece ali, a dois, é a possibilidade de uma apropriação delicada da história e a abertura para que aquelas medidas compensatórias “inventadas” no sufoco, possam vir a fazer parte da história daquele individuo, seja para serem agregadas, descartadas ou mesmo modificadas. Qualquer escolha terá seu ônus. Sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-441375826468882192?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/441375826468882192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/aquele-que-sabe-sobre-mim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/441375826468882192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/441375826468882192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/aquele-que-sabe-sobre-mim.html' title='Aquele que sabe sobre mim'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-9052951304478051821</id><published>2011-02-03T11:30:00.000-08:00</published><updated>2011-02-03T11:33:17.696-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Tão longe, tão perto</title><content type='html'>É possível que tenha passado despercebida a muitos de nós, a rápida e surpreendente queda da ditadura na Tunísia, movimento que começou em dezembro de 2010 com a manifestação de alguns jovens e tomou proporções inesperadas, obrigando o presidente Ben Ali a deixar o poder, menos de um mês depois. Sem dar tréguas, os manifestantes ainda conseguiram impedir uma tentativa de transferência inconstitucional de poder, reivindicando eleições que deverão se realizar em médio prazo. Já batizada de Revolução de Jasmins, em seu início os protestos foram anunciados como “uma revolta dos jovens”, sem a liderança de qualquer oposição formal. Mas a distribuição de informação crítica pelas redes possibilitou uma rápida e diversificada adesão de pessoas: as ruas foram invadidas por estudantes, advogados, blogueiros, artistas, hackers, donas de casa, crianças, médicos, professores, feirantes. Homens e mulheres marcharam lado a lado, de mãos dadas, cantando a favor de direitos civis para todos. A excitação contagiante diante da liberdade de manifestação recém reconquistada passou a conviver lado a lado com o medo e a ameaça de violência. Apesar do saldo de centenas de mortos e feridos, as ruas exalavam falas e risos. Corte! Ato contínuo, nesta última semana o Egito foi palco de um mesmo movimento pró liberdades democráticas. Milhares de pessoas saíram às ruas para pedir o fim do regime do presidente Hosni Mubarak, 82 anos, há 30 anos no poder. Rapidamente o governo tentou bloquear o acesso à internet, reprimiu com violência e decretou um toque de recolher. Mas as manifestações já alteraram o balanço de poder no país, com a nomeação de um vice-presidente, a troca do primeiro-ministro e a perspectiva de mudança nas eleições de setembro, além de impedir que Mubarak passe o governo ao filho, uma tradição entre regimes autoritários do mundo árabe. As tentativas do governo para bloquear a internet e a entrada e saída de informações, não conseguiram evitar a transmissão do que acontece ali, assim como a organização dos que protestam. Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio, surpreendeu-se com o fato de milhares de pessoas na Tunísia e no Egito terem se mobilizado para reivindicar os direitos humanos e civis, a democracia social e a justiça econômica. Para ele, nos últimos 30 anos, a única oposição verdadeira aos regimes autoritários árabes era o movimento islâmico, mais ideológico do que político. Embora acontecendo no Oriente, distante não só da geografia, mas dos valores de nossa cultura ocidental, estas “revoluções” chamam a atenção por afirmar a força da rede fartamente utilizada pelas novas gerações. Ao contrário de muitos prognósticos pessimistas em relação aos jovens do mundo atual, estes, além de assimilarem rapidamente o conhecimento técnico das novas ferramentas que incrementam a velocidade da troca de informações, desfrutam de uma nova possibilidade de confrontar o instituído e o que pode ser novo. Embora sejam outros os métodos, talvez mais eficazes e menos bélicos, a História nos conta que a paz sempre depende do quanto se pode desfrutar dos ganhos da instauração das leis, da comunidade e da civilização. De alguma forma, “as redes sociais” parecem conseguir produzir referencias importantes que ajudam a formalizar alianças entre seus usuários e promovem verdades que passam a fazer parte de uma norma ou valor social, gerando estilos e maneiras de se viver. É como se cada “membro” pudesse desfrutar de um reconhecimento e sentir-se parte da irmandade humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-9052951304478051821?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/9052951304478051821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/tao-longe-tao-perto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/9052951304478051821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/9052951304478051821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/02/tao-longe-tao-perto.html' title='Tão longe, tão perto'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-7539940765834108906</id><published>2011-01-31T04:49:00.000-08:00</published><updated>2011-02-01T15:57:52.372-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>O espelho de nossas vidas</title><content type='html'>“Meninas! Nem pensem em me ligar antes de acabar o último capítulo de Passione. Liguem-me depois!”– disse ela. Havia cumplicidade no riso das amigas.  Como em quase todas as temporadas de novas novelas televisivas, ao menos uma ganha uma audiência maior e tem sua “existência” prolongada nas conversas de ruas, bares, colégios, trabalhos. Saem os atores para que os personagens ganhem vida e possam fazer parte do cotidiano de todos. Mas não só. Seus atos, escolhas, destinos serão motivo de debates e muitos torcerão a favor ou contra, defendendo apaixonadamente seus argumentos. Há alguns dias teve inicio a versão 2011 do BBB (Big Brother *Brasil), fato que mobiliza uma grande fatia da população em torno dos selecionados, dispostos a exibir sua “performance” corpo/alma diante do olho permanente das câmeras e seus milhões de espectadores. Há os que torcem o nariz para estes tipos de produtos culturais mais populares e muitos evitam confessar que gostam e assistem. A verdade é que a cultura popular está ligada as origens do circo, à comédia, ao teatro de rua; é entretenimento e se relaciona com o mais banal de nossas vidas, com o que nos identificamos e gostamos de ver ou ouvir. Por terem roteiros e formatos “made in Brazil” estes produtos se aproximam  mais ainda de nossos valores, tocam nossa música, cantam nossas falas. É fato que há algum tempo o espaço público vem invadindo o privado e muitas vezes o excesso causa mal- estares e críticas sempre bem vindas. Mas também é verdade que há bem pouco tempo nossas referências se limitavam ao espaço familiar. No mundo atual as escolhas, as mudanças, os gostos e os valores da família já não são mais decididos privadamente por uma “autoridade parental”. Há uma “família-social” que nos ajuda a decidir sobre nossas vidas, nossos valores, o que comer, o que vestir, o que consumir. Acostumamo-nos a querer saber os modos como cada um se relaciona consigo mesmo, com seu corpo, com sua história, com os outros e também com suas tarefas, sonhos, etc. Saber sobre suas dores, que frustrações ou rejeições sofreu, quais são seus “traumas” e o que e como faz com tudo isso.Tanto as telenovelas quanto os reality shows mobilizam um grande número de pessoas que compartilham desta encenação da vida humana.Um fascínio que só se explica pelo grande espelho que ela projeta sobre nossas próprias vidas: suas misérias e paixões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; *“Big Brother”(Grande Irmão) é um termo emprestado da obra de ficção de George Orwell “1984” escrita em 1948.Tal personagem é o líder oculto que vigia tudo e a todos com suas teletelas -um misto de televisor e câmera de vigilância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-7539940765834108906?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/7539940765834108906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/o-espelho-de-nossas-vidas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7539940765834108906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7539940765834108906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/o-espelho-de-nossas-vidas.html' title='O espelho de nossas vidas'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1840885653379504780</id><published>2011-01-25T12:47:00.000-08:00</published><updated>2011-01-25T13:16:41.281-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>“Precisa-se”</title><content type='html'>Precisa-se de jovens flexíveis para assumir diferentes papéis numa organização, capazes de liderar e decidir, com facilidade para atuar em equipe, hábeis em análise, empreendedores na criação de projetos e com integridade pessoal e ética forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se imaginar um jovem qualquer, com seus 23 ou 24 anos, formado em Administração de Empresas e lendo este anúncio como parte de sua maratona de busca de empregos. Ele pode achar que se enquadra tranquilamente nos requisitos ali pedidos ou ficar paralisado duvidando de sua capacidade ou de seu preparo. Mesmo se ele for mais confiante e disposto a enfrentar a via sacra da seleção dos candidatos, no final ele poderá ser rejeitado. Supondo que ele seja aceito, as exigências anunciadas poderão assombrá-lo deixando-o inseguro e com medo de não corresponder às expectativas da empresa. Além destas expectativas pode haver a dos pais, da namorada, e as dele próprio. Ele pode ter se preparado como manda o figurino: falar inglês e espanhol fluentemente, arranhar o francês, ter cursado um MBA e até ter experiência de trabalho enquanto estudante. Mas ainda assim, lá pelas tantas, é possível que ele cisme que sua competência não esteja sendo reconhecida e imagine que a qualquer momento poderá perder seu lugar. Afinal ele pode não ser do time dos que fazem muitas coisas ao mesmo tempo e em tempo recorde, ao contrário, ser mais lento e precisar conferir cada etapa para se sentir mais tranqüilo, o que poderá ser motivo de intolerância dos colegas ou do chefe. Ou não, ele poderá ganhar aos poucos seu reconhecimento graças à sua “personalidade”, alguém que consegue se relacionar bem com diferentes pessoas e ao mesmo tempo exiba destreza e rapidez nas tarefas. Mesmo assim, poderá ser exigido que ele seja mais criativo, que possa apresentar idéias novas para os projetos da empresa. A verdade é que o mercado de trabalho já foi um espaço delimitado e previsível com regras rígidas e estáveis, horários fixos e agenda pré-estabelecida. Os cargos já vinham etiquetados com designações específicas. Ainda que a idéia tradicional de trabalho como um valor de peso na roda do progresso tanto individual quanto coletivo permaneça, é difícil analisar rapidamente o contexto de suas mudanças e os complexos efeitos delas. Para contemplar uma “metáfora” destes novos tempos é só parar alguns minutos diante de uma banca de revistas e tentar contar o inusitado número de publicações da área conhecida como “business”; se ainda houver tempo, tente passar os olhos por suas manchetes de capa, todas disputando promessas de novas direções para os dilemas que afligem o “trabalhador” destes tempos. São milhares de pesquisas realizadas por consultorias especializadas em detectar os prós e contra, o que facilita e o que dificulta ou o que sobe e o que desce no ranking, seja em gestão de pessoas, de tempo, de finanças, de projetos, de qualidade, etc. Em geral estas pesquisas também anunciam as tendências e tentam preparar os jovens para as exigências sempre renováveis do mercado de trabalho. Mas como vimos no pequeno relato sobre o nosso personagem fictício, não há garantias. Sobra a cada um “poder” apostar em uma auto-imagem e uma auto-estima consistente.Quando ao sentido do trabalho destacamos os eixos da felicidade e do sofrimento revela-se o jogo social cujas relações são atravessadas pelas forças de domínio/subjugação, em que sempre se pode tomar alguém como objeto a ser usado e explorado por outro. Um jogo que exige conhecimento, coragem, esforço, cooperação, engajamento, depende do reconhecimento e da solidariedade mas convive com as águas turvas da competição/exclusão e da disputa de poder. Complicado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1840885653379504780?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1840885653379504780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/precisa-se.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1840885653379504780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1840885653379504780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/precisa-se.html' title='“Precisa-se”'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6668670457681059324</id><published>2011-01-12T09:15:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T16:40:09.506-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Pais e filhos</title><content type='html'>Quase todos os hóspedes da pousada estavam no salão enfrente à piscina onde era servido o café da manhã. Pelo menos umas três mesas eram de jovens casais- na faixa dos 25 aos 30 anos – e suas crias. Em uma delas estava o pai, o filho mais velho, 4 anos, e sua irmãzinha de 11 meses no carrinho. A mãe, uma linda jovem, chegava depois trazendo os “tupperwares” vazios para enchê-los com comidinhas mais adequadas ao bebê. No dia anterior o pai havia ido sozinho ao café com os dois filhos. No final de sua jornada entre servir a ele e aos dois, as crianças estavam sentadas em seu colo- um em cada perna - e ele administrava com maestria as diferenças de cuidados que um e outro exigiam. Mais: conseguia dosar a atenção a nenê de forma não só a evitar que o mais velho pudesse “sofrer” demais com seus ciúmes, mas com o intuito claro de “semear” o convívio responsável e solidário. Não pude evitar imaginar que ele estivesse poupando sua companheira, dando-lhe a chance de estar um pouco a sós. Dos quatro membros da família o mais falante e efusivo era o garoto. Conversava sem parar com o pai e de vez em quando se dirigia à irmãzinha imitando os adultos que em geral usam o “manhês” com os bebês: ela adorava e ria escancaradamente. De certa forma o menino intuía que este comportamento deixaria seu “pai-herói” feliz. A voz afável, firme e tranqüila deste pai revelava um jovem homem à vontade nesta difícil tarefa de “paternagem”. Pelas risadas constantes de seu filho supunha-se que ele conseguia uma medida interessante entre o rigor das regras e a leveza lúdica das intervenções, o que deixava a criança à vontade no ambiente “estranho”, sem que isso significasse uma falta de limites. Neste dia o menino chegou ao salão mais animado e, como fazem as crianças de sua idade, saiu em direção ao caramanchão que levava às mesas de jogos, fazendo sua inspeção curiosa por alguns instantes. De lá ele passou a gritar a fim de ser ouvido: “Pai, você vai ter que ir comigo ao banheiro. Eu quero fazer cocô”! Voltou correndo e repetiu a frase. Todos os adultos presentes o olharam com condescendência e sorrisos. Rindo muito ele ainda acrescentou: “Mas é bom você tapar seu nariz!” - e tapou o próprio nariz. Por um momento todos pareceram guardar suas risadas na tentativa de não constranger nem ao pai nem ao menino. Aqui e ali alguns se entreolharam e riram baixinho. Um adulto qualquer, mais sensível, comentou: “Como é bom ter esta idade e poder anunciar estas coisas de forma despretensiosa e em alto e bom tom!” Aliviados, uma boa parte deixou suas risadas invadirem o ambiente mas quem mais riu foi a mãe que continuava a comer seu desjejum.Cenas comuns do funcionamento de uma família que começa a se formar, às voltas com esta missão exaustiva/importante de “criar” os filhos. Com todas as mudanças que a família sofreu neste ultimo século, ela ainda é a matriz humana responsável não só pela nossa sobrevivência (somos dependentes de cuidados que ofereçam alimentos, higiene, direções) mas principalmente pela construção de nossa subjetividade, esta marca identitária singular que contém a história dos significados atribuídos aos cuidados, como ( amor/ódio) fomos tocados, embalados, alimentados, escutados, e de que modo ingressamos na cultura a fim de nos situarmos entre as leis e os códigos de convivência social. É bom quando encontramos casais corajosos e cientes de sua importância para o futuro de seus filhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6668670457681059324?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6668670457681059324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/pais-e-filhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6668670457681059324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6668670457681059324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/pais-e-filhos.html' title='Pais e filhos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-662529377903551823</id><published>2011-01-06T04:23:00.000-08:00</published><updated>2011-01-15T05:52:52.053-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Indignemo-nos!</title><content type='html'>Uma notinha na Revista Época do dia 27 de dezembro falava sobre o sucesso recente e surpreendente de um livrinho francês de trinta páginas cujo título seria “Indigne-se”. Escrito por um judeu alemão que vive na França desde os sete anos, o autor - Stéphane Hessel, 93 anos – convida a todos a não deixar de se indignar com as injustiças. Engajado desde a adolescência e sentindo-se próximo do fim, ele declara ser precioso indignar-se ao invés de se conformar pacificamente com os malfeitos humanos. Ao menos duas questões interessantes poderiam ser debatidas a partir deste pedido agônico. A primeira é a de que a Historia nos mostra que a humanidade tanto caminha em direção a uma busca de justiça para todos tecendo às duras penas leis e instituições que zelem pelo cumprimento das premissas que elegemos como humanitárias, quanto precisa (permanentemente) se defender da estupidez dos preconceitos, do racismo, da xenofobia, dos sectarismos religioso ou político ou dos nacionalismos discriminatórios. Ou seja, parece que nossa “evolução” é sempre paradoxal: de um lado nosso melhor, de outro nosso pior. A segunda questão está no fato de um pequeno livro fazer sucesso e barulho em pleno século XXI de uma era digital. Quem sabe seja o nosso acervo literário, e mais recentemente o cinema, certas produções de TV - e daqui em diante as digitais - os grandes guardiões  de um legado que não se pode perder, ou seja, o de que são justamente nossas diferenças étnicas e culturais que compõem a riqueza do patrimônio humano. Quantas vezes nos emocionamos com histórias de pessoas desconhecidas que nos tocam profundamente pela “verdade” que seus sentimentos ou ações solidários revelam? Ou reconhecemos nossas dúvidas morais e/ou ressentimentos em argumentos e debates propostos por histórias de personagens fictícios,às vezes distantes e estranhos que em geral nos auxiliam a refletir sobre nossas condutas? Talvez Hessel tema que vivamos nossas vidas sem questioná-la, sacudi-la, sem perguntar nada a ninguém, nos desculpar ou desconfiar, sempre de acordo com os modos e meios de sobrevivência, como neandertais escravizados por tabus primitivos e códigos simplórios ou pior, alienados em nossas rotinas cotidianas.Por isso é uma boa notícia saber que este “velhinho” acredita e aposta naqueles que o sucedem ao esperar que alguns de nós sigamos nos indignando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-662529377903551823?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/662529377903551823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/indignemo-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/662529377903551823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/662529377903551823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/indignemo-nos.html' title='Indignemo-nos!'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6121439604198753541</id><published>2011-01-05T19:09:00.000-08:00</published><updated>2011-01-05T19:10:33.809-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Inquietações</title><content type='html'>Apesar de inúmeras tentativas para compor um texto com palavras que em geral descrevem nossos sentimentos natalinos ou nossas apostas para o ano que entra, acabei sucumbindo a certas inquietações, talvez por estarmos fechando os dez primeiros anos do século XXI, um século que nos abriu definitivamente a possibilidade de acompanharmos de perto e em tempo real tudo o que acontece em nosso globo terrestre e em suas adjacências. Em uma visada rápida pela história, de seres superiores e escolhidos que habitavam um planeta especial, quase somos pontinhos em um universo que não cansa de nos surpreender pela sua extensão e/ou desconhecimento. Vivemos em uma era digital que desconstrói a idéia de fronteiras geográficas, étnicas ou sociais. Mais ajustados à nossa devida significância, parece que o que nos move hoje - para o bem e para o mal- é as nossas paixões, um argumento fácil de auferir quando nos deparamos com aqueles que desistem, seja por tristeza, desesperança ou amargura. De certa maneira, ao desvendar muitos dos mistérios que sustentavam nossos mitos e davam certos significados às nossas vidas, a Ciência nos jogou a batata quente do sentido de nossas vidas em nossas próprias mãos. Descortinado nosso desamparo, uma grande parte – “os especialistas”- passou a se dedicar ao ofício de criar regras ou modos de usar, pensar, comer, dizer, vestir, amar, morrer, etc., para todos. E mais, fomos convidados a assumir um estilo, marcar nossos gostos. Mas muitos de nós ficamos confinados ao desconfortável espaço do temor de não saber, não ser capaz, não poder agir, confiar, assumir, mudar, o que nos leva ao fato de que não nos ajuda muito aprender a cartilha: é tarefa e responsabilidade de cada um (quando é possível) conhecer, revisar e reajustar os desejos de sua alma. Parece difícil aceitarmos que a cada um o passado afeta o presente de forma única e delineia o futuro. Também é fato que a badalação da economia mundial venha se deslocando da dupla produção/consumo para um “saber”, que muitos chamam apenas de conhecimento e outros insistem no valor do “autoconhecimento”. Seja qual for a área, percebe-se um movimento de busca de um diferencial, talvez a tal “criatividade” ou algo que possa nos brindar com uma medida especial de equilíbrio e brilho e que explique como alguns conseguem abrir/construir novas “portas” ou “estradas” na difícil empreitada de se viver uma vida bem vivida ou de “afetar” as pessoas, despertando suas paixões e assim dando continuidade à esta nossa espécie, os humanos. Dizem que inventamos estas “passagens” para avaliar nossas vidas e dar vazão e razão às nossas inquietudes. Meu “muito obrigada” aos leitores que me prestigiaram em 2010; que venha o 2011 e nos surpreenda com suas boas novas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6121439604198753541?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6121439604198753541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/inquietacoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6121439604198753541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6121439604198753541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/inquietacoes.html' title='Inquietações'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4862340504370393004</id><published>2011-01-05T18:35:00.000-08:00</published><updated>2011-01-05T19:03:36.538-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Eu existo</title><content type='html'>Confesso que estava curiosa para conhecer um pouco mais sobre o fundador do Facebook, este site de relacionamento que em alguns anos atingiu a marca inacreditável de 500 milhões de seguidores do mundo todo, inaugurando uma espécie de “ala social mundial” em que cada um pode escolher/convidar alguns amigos e conhecidos de qualquer lugar para fazer parte diária de sua vida, atualizando suas ações (comentários, fotos, filmes, links, mensagens, etc.) em tempo recorde. O lançamento do filme há algumas semanas fez com que vários programas de TV e a mídia em geral se pusessem a questionar/criticar as razões do sucesso do site. Você faria parte do Facebook? Quem são as pessoas que fazem? As respostas são muitas, as críticas idem. Há o time dos que abominam e aqueles que adoram. Mas como tudo o que invade sem pedir licença e se impõe a revelia do tempo necessário para sua acomodação, o Facebook pede uma avaliação honesta. No filme, Mark Zuckerberg, o estudante de Harvard que será o principal mentor desta empreitada, é caricatura dos “nerds” que acostumamos a assistir nas estórias - de cinema ou TV- que repetem de forma exaustiva a cultura dos colégios e das universidades americanas. Vale notar que esta insistência no tema não é casual e demonstra a importância que este país dá ao seu sistema de ensino, que para o bem e para o mal incentiva seus alunos a entrarem na corrida dos empreendedores e arriscarem nas idéias (cultura muito popular nas “tops” de linha - caso da Harvard, Stanford e outras). Os “nerds” seriam aqueles capazes de dominar níveis de conhecimentos técnicos que os “normais” estariam longe de conseguir mas exibem, como contraponto,uma enorme falta de destreza social. Em geral são inibidos, solitários e pouco prestigiados por seus pares, sejam estes do mesmo ou do sexo oposto. Zuckerberg é um menino de vinte anos inconformado com a sua exclusão social o que o faz desejar (intensamente) saber a “fórmula” para ser “amado/aceito/” por sua paquera ou para ser respeitado/pertencer aos famosos clubes privados de seu meio estudantil. Desajeitado e desastrado (“sem noção”) no trato social é imbatível nas relações com o computador, suas ferramentas, suas possibilidades quase sem limites. Rejeitado, transforma sua ferida dolorosa em vingança genial. Ao focar a história dos dois processos abertos contra ele, um reivindicando a autoria da idéia e outro a parceria no projeto, o filme revela este herói contemporâneo, cujas habilidades incontestáveis trazem junto a dor moral que lateja sem pena. Por isso a frase que ecoa é aquela que acusa o paradoxo. Ele acaba criando um lugar democrático de pertencimento, em que todos podem contar que existem, por que existem, o que fazem, por que fazem, o que gostam ou não, por que gostam/não gostam, etc. Uma idéia genial, que revela os desejos de muitos, senão como explicar a velocidade de sua aceitação? Mitos à parte, gênios de todas as épocas são aqueles que conseguem captar o algo a mais que está a rondar à sua volta. A nova maneira de se viver a partir da modernidade ou a possibilidade de todos podermos mudar nossa posição social, também inaugura a luta de todos pelo reconhecimento e, portanto, as contínuas tentativas de nos mantermos importantes aos olhos dos outros, uma peregrinação sem fim, mas que talvez valide nossa existência.&lt;br /&gt;Para conferir: A Rede Social, The Social Network, EUA, 2010.&lt;br /&gt;Direção: David Fincher&lt;br /&gt;Roteiro: Aaron Sorkin&lt;br /&gt;Elenco: Jesse Eisenberg, Adrew Garfield, Armie Hammer, Justin Timberlake, Max Minghella, Rashida Jones.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4862340504370393004?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4862340504370393004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/eu-existo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4862340504370393004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4862340504370393004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2011/01/eu-existo.html' title='Eu existo'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1656199363486730334</id><published>2010-12-20T14:27:00.000-08:00</published><updated>2010-12-20T15:05:32.542-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Dezembrite</title><content type='html'>Dezembro é um mês que concentra um número infinito de providencias, trabalhos e eventos a serem cumpridos dentro do curto prazo que antecede as festas do final do ano. E mesmo que já saibamos e tentemos antecipar algumas destas “obrigações” é quase impossível não sermos atropelados pelo seu excesso. São grandes e pequenas confraternizações dos diferentes grupos a que pertencemos, pequenos mimos aos que nos fornecem serviços durante o ano, presentes para os mais chegados, planejamento de ceias/almoços junto aos familiares ou de férias quando acontecem nesta época e tudo isso em paralelo aos “fechamentos” e balanços de nossas atividades sejam elas quais forem. A febre do final de ano ainda promove um corre-corre de multidões às lojas e shoppings da cidade e passeios aos pontos mais enfeitados para a ocasião, o que em geral torna o trânsito das cidades mais lento e caótico. Ao lado deste movimento intenso em torno do cumprimento das agendas de cada um, mantém-se uma tradição entre algumas empresas, famílias e indivíduos, de doações em dinheiro, alimentos ou presentes a certas instituições que se dedicam a abrigar crianças ou adultos órfãos, com câncer, com AIDS, deficientes, idosos. Mesmo sendo uma tradição enraizada em nossa cultura é curioso que se concentre nos finais de ano este movimento de doações aos mais necessitados, seja em forma de contribuições ou ainda em oferta de serviços, lazer,visitas, aparentemente de forma desinteressada, sem contrapartida. Embora pareça simples, é sempre complexo invocar o sentido desta economia de doações, trocas e retribuições que permeiam as nossas relações. Poucos contestariam, por exemplo, que as doações ou gestos de solidariedade sempre rendem ao seu portador um ganho, seja em satisfação pessoal e íntima ou em um reconhecimento social, de poder ou de status. Neste sentido elas poderiam apenas confirmar, de forma cética, um regime de domínio de uns sobre outros. Por outro lado as celebrações de fim de ano fazem ecoar nossas heranças religiosas na forma de leis divinas cujas inscrições&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;indicam uma série de “obrigações”, renúncias e sacrifícios no empenho infinito de administrar e organizar nossa vida social. “Não matarás”, “Não roubarás”, “Não desejarás a mulher do próximo”, “Amarás ao próximo como a ti mesmo”, “Não cobiçarás as coisas alheias” são algumas das restrições a que todos devem se submeter, algo como passes para garantir um lugar no “paraíso”. Na verdade, em forma de leis, costumes ou crenças, estamos falando da fundação da cultura humana que precisa reiterar esta passagem (sempre delicada) de nossa porção animal sendo civilizada pela necessidade de convivermos, sempre a nos lembrar a fronteira com um regime de pura violência, de uso bárbaro da força e do poder, do “ou eu ou ele”. Só participamos destas trocas quando tememos tal “natureza” e aceitamos nossos pactos civilizatórios. Se isto nos coloca em um constante conflito entre ser e dever ser, é como cada um “constrói” de forma permanente sua humanidade, ou seja, um “poder ser”, que fará a diferença. De certa forma é salutar que possamos nos lembrar que somos seres de passagem, que vamos morrer ,que somos inacabados, porque assim podemos (com)partilhar os sentimentos de desamparo, talvez o que nos permite dar importância à solidariedade contra a precariedade e insuficiência de todos. Nesta tarefa infinita de inventarmos novas maneiras de viver nossos limites é que reiteramos o papel do amor: não o amor ansioso de uma fusão para impedir a sensação de brechas, mas o que nos faz sentir orgulho de nossa (com)paixão pelos outros. Nada mais alentador para o “fim” do ano, tempo de semear a esperança de um começo/recomeço deste círculo sem fim de “viver.com”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1656199363486730334?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1656199363486730334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/12/dezembrite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1656199363486730334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1656199363486730334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/12/dezembrite.html' title='Dezembrite'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-3771467968416266720</id><published>2010-12-09T04:03:00.000-08:00</published><updated>2010-12-20T15:03:01.666-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>O melhor dos tempos, o pior dos tempos</title><content type='html'>Parece que estamos sempre revisitando o passado - seja o nosso ou da historia da humanidade- e assim seguimos (re)avaliando certos fatos, reverenciando ou não personagens importantes, analisando criticamente certas paixões,renovando-as, etc. Algumas semanas atrás Paul McCartney esteve em São Paulo ao mesmo tempo em que algumas salas de cinema da cidade exibiam o filme “O garoto de Liverpool” sobre a vida do adolescente John Lennon. Não fui ao show, mas pude acompanhar o clima de emoção das mais diversas gerações que ali foram para cantar e ouvir as canções que uma parcela significativa do globo terrestre conhece. Muitos celulares emocionados gravaram os momentos mais tocantes para compartilhar no YouTube ou no Facebook. Tal como uma lenda viva, Paul parece não desprezar este culto a algo que o transcende e sabe que o público reconhece nele uma parte de sua própria historia. Os Beatles sintetizaram como poucos o espírito de uma das mais fascinantes e controversas épocas de todos os tempos e sua discografia capta estes anseios e sonhos, os medos e o ódio, a loucura e as drogas, a vida e a morte. Por isso, assistir ao filme de um adolescente comum que vive em uma pacata (e ainda desconhecida) cidade portuária da Inglaterra nos anos 50, pode nos informar um pouco sobre a eminência da erupção deste movimento de contracultura global. A geração dos jovens nascidos no pós guerra dos anos 40 tinha que assimilar os ecos desta devastação, já que a guerra é aquele período entre parêntesis, em que valores, preceitos, regras de condutas e sonhos são colocados de pernas para o ar. Findo o tormento da “tempestade” é comum que se tente fazer um retorno ao passado tranqüilo em que tudo parecia ter um lugar certo para estar ou acontecer. Todos os desvios, os amores escusos e os pecados vividos durante o fatídico período se tornam feridas abertas que só podem sangrar no silencio. Este é o clima que perpassa o filme sobre a vida de John. Aos 16 anos ele tenta quebrar (com alguma irreverência) as regras zelosas e austeras de sua contida tia Mimi, ganhando muitas vezes a aliança disfarçada de seu tio George que o brinda aqui e ali com alguns mimos. Por decreto de Mimi na casa destes pais “postiços” o rádio só transmite música clássica. Mas George o presenteia com uma gaita, assim como o ajuda a instalar uma caixa de som em seu quarto que lhe permita ouvir faixas mais divertidas do rádio. Separado desde a infância de sua mãe Julia- irmã de Mimi -, John parece saber pouco sobre seu (silenciado) passado embora este o assombre em seus pesadelos. Será na morte inesperada e dolorosa de tio George que ele irá revê-la, passará a tentar conhecê-la e enfrentará as dores de “saber” mais sobre ela e sua própria historia. Uma historia de amores/ódios, ciúme/vingança, dores/sonhos enterrados- como muitas- mas principalmente a historia de uma época que começa a questionar seus valores, prestes a virarem do avesso, já que o prazo de validade de seus sentidos já estava vencido. Esta Julia mais mundana, mais sexy e irreverente, que sabe tocar banjo, adora dançar, é fã de jazz, blues e rock lhe injetará o vírus do espírito da época e lhe apresentará aquele que ele desejará “ser”: Elvis Presley. Em alguns outros lugares do planeta também nascia uma nova era em que a música passava a ter este efeito de reunir multidões e transmitir de forma instantânea, certas ideias e prazeres compartilhados por muitos e muitos jovens.&lt;br /&gt;Para conferir: O garoto de Liverpool (2009)&lt;br /&gt;título original: Nowhere Boy&lt;br /&gt;direção: Sam Taylor-Wood&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-3771467968416266720?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/3771467968416266720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/12/o-melhor-dos-tempos-o-pior-dos-tempos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3771467968416266720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/3771467968416266720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/12/o-melhor-dos-tempos-o-pior-dos-tempos.html' title='O melhor dos tempos, o pior dos tempos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-7717491468160636181</id><published>2010-12-01T16:05:00.001-08:00</published><updated>2010-12-20T15:07:11.162-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Vampiros e bruxos</title><content type='html'>Dizem que a turma dos “vampiros” não se bica com a turma dos “bruxos”, ou seja, que os fãs da saga “Crepúsculo” consideram-se de uma tribo diferente daqueles que curtem Harry Potter. Com certeza isso não se aplica a todos, mas de qualquer maneira ambas as tribos mostram facetas importantes sobre os jovens atuais e dão algumas pistas sobre seus dilemas. O mundo “paralelo” e mágico de Harry Potter, aquele que transpõe a realidade do cotidiano, nos mostra a dimensão do grande acervo dos símbolos construídos pela humanidade na sua eterna e árdua tarefa de questionar os caminhos e ações de cada um rumo a uma vida digna. Filho de dois bruxos poderosos e do “bem”, assassinados por Lorde Voldemort, do “mal”, o órfão Harry é criado por parentes não-bruxos e quando completa 11 anos recebe o convite para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Mais ou menos como se a partir dali ele pudesse passar a “construir” seu lado humano (crenças, ideais, ética) analisando seu legado (a herança simbólica deixada pelos seus pais, suas ideias, escolhas morais, ações) para definir seu lugar no mundo. Enquanto ele é pequeno e inseguro sente-se protegido por esta herança viva dos pais que serve de guia para seu percurso. Na medida em que cresce, seus heróis podem decepcioná-lo e a vida adulta passa a acenar-lhe com aquilo que todos temos que nos deparar um dia: ele está por sua própria conta. Dali para frente terá que decidir sobre seu futuro, sua vida amorosa e profissional. A saga Crepúsculo tem pretensões mais leves. Ela já nasce no despertar da sexualidade dos pré-adolescentes e, portanto anuncia a abertura de um mundo de desejos, impulsos e fantasias em torno do “uso” do outro como par sexual e todas as incertezas, medos e sentimentos contraditórios das águas tumultuadas da sexualidade e da vida amorosa humana. Mas não é por acaso que ambas as sagas criaram uma infinidade de fãs mundo afora. Elas captam o espírito desta geração de jovens frutos de um mundo globalizado, diversificado, que exige rapidez, conhecimento técnico, informação, mas que os deixa desamparado e desassistido de valores de conduta ou de um autoconhecimento. Por isso muitos gostam de um mundo em que os bruxos precisam ser éticos e respeitar o outro e os vampiros têm vergonha da “avidez” e da violência de seu desejo. A mídia contemporânea vem dedicando um espaço importante sobre a necessidade de  “mais ética” nas relações humanas, na política, na ciência, nas empresas. Ao contrário de outras “juventudes”, esta já nasceu em um mundo supostamente mais “justo”. A escravidão (uma tradição que acreditava em hierarquias entre os povos) é universalmente repudiada e mesmo que seja praticada, todos sabem que a liberdade alheia deveria ser respeitada. Mas se a liberdade e o respeito à diferença podem ser considerados valores importantes deste nosso tempo, a verdade é que a liberdade humana é  relativa e condicionada à aceitação de limites imprescindíveis à convivência. Precisamos não só aceitar agir de acordo com normas socialmente impostas, mas ser capaz de avaliarmos nossas ações e as dos outros do ponto de vista moral. Nunca estamos livres do ódio, da aversão ou da discriminação produzidos por nossa intolerância, que nos “autoriza” a desrespeitar e agredir o diferente. Mas se odiar é um fato humano, desfrutar deste ódio com uma certa satisfação não é a mesma coisa. A possibilidade de ultrapassar esta fronteira, como fez o grupo de jovens que atacou gratuitamente os gays na semana passada em São Paulo, pede uma repercussão e um debate muito bem-vindo. A geração “harrypúsculo” clama por estes valores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-7717491468160636181?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/7717491468160636181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/12/vampiros-e-bruxos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7717491468160636181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7717491468160636181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/12/vampiros-e-bruxos.html' title='Vampiros e bruxos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6174798453472051047</id><published>2010-11-26T08:10:00.000-08:00</published><updated>2010-11-26T08:17:54.909-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Estranho/familiar mundo da política</title><content type='html'>Ela era jovem, entre 23 e 26 anos, e tentava explicar a alguns outros jovens presentes, o impacto que o filme Tropa de Elite 2 lhe causara. Não é que não tivesse gostado. Afinal o filme era impecável, bons atores, excelente fotografia e efeitos especiais, narrativa instigante, senão como explicar o público de 7 milhões de espectadores? Mas saíra confusa do cinema, tendo se emocionado (e chorado) diante da crueza das revelações das ligações interesseiras da maioria dos políticos - sempre em busca de votos e poder - ou da polícia (na pele de seus policiais) sedenta em utilizar seu poder de “fogo” na perpetuação de trocas de favores ($$$), ora com o mundo do crime e tráfico, ora com os que dependem de sua “proteção” para não morrerem como gado. Qual a solução? A seu ver, o diretor José Padilha teria deixado no ar a possibilidade disso não ter saída e era isso que a deixava incomodada e por que não, assustada. Pode ser que dentre os jovens leitores que assistiram ao filme, muitos compartilhem deste sentimento desconfortável. Tendo estreado no intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições, na vigência da tarefa política de cada um em exercer seu direito de voto e no clima da disputa acirrada entre os dois candidatos, o filme desvenda a fragilidade do sistema de segurança pública e mostra seu comprometimento com os interesses da corrupção política em geral. Detalhe: tal funcionamento parece transcender brigas partidárias e se instalar tal e qual um câncer difícil de tratar. Era isto que dava o tom (do temor) da “descrença” generalizada que permeava a conversa entre os jovens citados acima. Será que as suas dúvidas ultrapassariam as intenções do filme? Vejamos. Para sermos afetados seria necessário que o filme – mesmo afirmando ser seu roteiro fictício- ganhasse veracidade ao apresentar nossa realidade. De fato é impossível assisti-lo e não perceber a familiaridade das situações ali presentes, o que convoca a cumplicidade do espectador. A partir do momento em que respondemos a este apelo passa a ser natural que esperemos que uma denúncia tão séria no “motor” de nossa vida pública/política possa nos dar alguma esperança de soluções à vista. Mas ao contrário, no filme, a figura do tenente-coronel Nascimento (Wagner Moura) seu protagonista principal, é também a do narrador perplexo que divide sua história dramática com o público que o assiste, criando um ótimo clima de suspense, mas também de intimidade, ao relatar não só a trajetória da decadência de sua confiança no BOPE e no sistema político em geral, mas também de suas dúvidas, dores, frustrações e principalmente da sensação de fracasso e impotência que o acompanham neste percurso. Quem sabe a jovem tenha razão em se sentir confusa com os sentimentos suscitados pelo filme que traz à tona uma lógica de funcionamento social injusta, a despeito de uma aposta inicial (BOPE) em nossa capacidade de criar aparelhos mais sensíveis ao justo e ao injusto, ao legal e ilegal, aos vícios e as virtudes. Ao final o tenente-coronel Nascimento parece ceder à “coragem” de seu desafeto Fraga que sustenta, mesmo em meio a todas as pressões, seus ideais de integridade social e política. E se não há “instituições” que possam permanecer imunes à sedução das vantagens de uns sobre os outros, sobra a cada um fazer suas escolhas morais e “pagar” por elas. É o que faz o tenente no limite que a vida contra a morte impõe, às vezes.&lt;br /&gt;Para conferir: Título:Tropa de Elite 2 Direção: José Padilha&lt;br /&gt;Roteiro: Bráulio Mantovani&lt;br /&gt;Elenco: Maria Ribeiro (Rosane), Wagner Moura (Capitão Nascimento), Seu Jorge, Milhem Cortaz (Capitão Fábio), Tainá Müller, Irandhir Santos (Fraga)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6174798453472051047?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6174798453472051047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/estranhofamiliar-mundo-da-politica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6174798453472051047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6174798453472051047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/estranhofamiliar-mundo-da-politica.html' title='Estranho/familiar mundo da política'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-7107951342149765664</id><published>2010-11-18T08:50:00.001-08:00</published><updated>2010-11-20T03:10:31.127-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Quem são os clássicos?</title><content type='html'>Formávamos uma roda de amigos em volta de uma mesa em cuja superfície descansava pratos e copos usados, ali deixados para dar lugar à prosa e ao riso das falas e das memórias de cada um. A certa altura invocávamos as mudanças ocorridas na maneira como no Brasil atual a figura do negro, que em nossa infância sofria claramente uma discriminação “natural”, hoje começava a tomar um lugar especial, de importância na composição de nossa identidade cultural, o que aos poucos abatia as cores vivas do racismo. No tom das lembranças, uma amiga confessava o quanto ela e o irmão ansiavam a presença de tia Nastácia em sua cozinha, já que descendente de alemães e nada talentosa para a gastronomia (mesmo a trivial), em algumas ocasiões sua mãe não só ameaçava nunca mais cozinhar para eles, mas deixá-los a cargo da cozinheira “preta” do Sítio do Picapau Amarelo. “Quantas vezes torcemos para que isto acontecesse!” - disse ela. Estavam abertas as portas de nossa memória para as leituras deste mundo mágico e brasileiro das histórias infantis escritas por Monteiro Lobato. Vi-me invadida pelo clima especial de seus personagens, habitantes de um recanto de magia de minha infância. Ora era Narizinho e suas mediações consistentes, ora a espevitada e incansável Emilia com suas invenções inesperadas. Ambas as meninas eram minhas inspirações infantis e isso graças à minha amiga Tereza, que na mesma rua, algumas casas depois da minha, mantinha imponente na estante de sua sala, esta coleção que de certa maneira me introduziu no fantástico mundo da leitura. Um após outro, fui devorando as Reinações da Narizinho, Emilia no país da Gramática, A Reforma da Natureza, Historias de Tia Nastácia, Os Doze trabalhos de Hércules, satisfeita de saber que havia outros livros ali na estante, com os mesmos habitantes deste universo tipicamente infantil. Refiro-me ao fato de que nada seja mais parecido com o mundo infantil do que a “naturalidade” do espaço do faz de conta, em que uma boneca de pano fala, um boneco de sabugo de milho- o Visconde de Sabugosa- é um sábio e conhecedor das ciências, em que há um burro falante filósofo, um rinoceronte (Quindim) conhecedor de gramática, etc. Também não há nada mais próximo às fantasias infantis do que a “supressão” das figuras do pai e da mãe, sempre responsáveis pelo chamado à realidade, informando incansavelmente aos filhos suas obrigações e deveres, seus limites, interrompendo assim o mundo do “faz de conta”. No Sitio, os adultos embora figuras protetoras, estão representados por Dona Benta, a avó que tenta aconselhar e transmitir alguns conhecimentos mas está longe de exercer as funções coercitivas dos pais e Tia Nastácia, a quituteira “preta” que encarna a cultura popular, com suas crendices e superstições. Nas últimas décadas as prateleiras das livrarias abriram um espaço especial à literatura infantil diante dos números cada vez maiores de títulos, nacionais e estrangeiros. Mas nos anos 50 e 60 é provável que Monteiro Lobato fosse imbatível na composição de uma realidade próxima à nossa, habitada por jabuticabas, saci-pererê, boneca de pano, leitões,besouros, borboletas, ao mesmo tempo em que invocava clássicos gregos ou fazia incursões à lua, marte e saturno. A recente nota distribuída pelo Conselho Nacional de Educação classificando o livro “Caçadas de Pedrinho” de “racista” talvez não esteja levando em consideração o fato da obra de Monteiro Lobato já fazer parte de um acervo clássico de nossa literatura. Só assim pode fazer parte das rodas de conversas sobre a infância de uma geração que se nutriu destes livros e sabe bem que eles foram escritos em tempos diferentes, capturando os valores e costumes da época e, portanto servindo de pesquisa destes traços que atravessam nossa cultura geral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-7107951342149765664?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/7107951342149765664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/quem-sao-os-classicos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7107951342149765664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7107951342149765664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/quem-sao-os-classicos.html' title='Quem são os clássicos?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8007049840263887560</id><published>2010-11-12T08:04:00.000-08:00</published><updated>2010-11-12T08:10:21.107-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Elas podem vir a saber o que querem</title><content type='html'>Está causando “tititi” a estréia marcada para o próximo 11 de novembro da nova série em seis capítulos da rede Globo. Inspirada na célebre frase proferida por Freud em uma carta escrita à amiga e princesa Marie Bonaparte, a trama de “Afinal, o que Querem as Mulheres?” é baseada nas inquietações e questionamentos do estudante de Psicologia André Newman (Michel Melamed), cujo mestrado é dedicado a esclarecer tal premissa. O que não deixa de ser surpreendente, no entanto, é que tendo atravessado quase um século de existência, a famosa frase continue a provocar debates, fomentar textos, ou simplesmente a servir de mote para uma historia contemporânea. De certa maneira ela tanto intriga aos homens para quem (ao menos alguns) as mulheres seriam um eterno enigma, quanto às próprias mulheres que muitas vezes acatam esta imagem de seres sem definição. É bom que lembremos que a frase foi originalmente dirigida a uma mulher e tendo partido de Freud, um pesquisador incansável da alma humana, pretendia não só apontar a complexidade das possíveis respostas, como compartilhar ou dar ouvido às suas falas. Se há um consenso quanto a historia recente das mulheres (ocidentais) este diz respeito às conquistas sociopolíticas que garantiram a todas o direito de serem donas de suas próprias vidas. Mas há também um fato importante que às vezes passa despercebido e que de certa forma mudou o panorama geral das atuais e das próximas gerações de mulheres. Estamos falando de todas aquelas que nas últimas décadas vem contribuindo com a construção de um acervo de depoimentos, reflexões, livros, músicas, projetos sociais, programas de TV, blogs, oferecendo assim um repertorio de ações, pensamentos e sentimentos próprios da “espécie” feminina. Algo com o qual se pode contar quando aquela sensação de vazio ou desamparo, de ódio e cólera, de desespero e angústia invade e já não se sabe o que se passa e porquê. Nestas horas é bom poder imaginar que alguma mulher em algum lugar já pensou ou já sentiu algo semelhante. Que elas existem, tem questões próprias e buscam respostas para si. Segundo o diretor Luiz Fernando Carvalho (o mesmo de “os Maias” e “Capitu”) o seriado não pretende responder a questão freudiana e sim contar a travessia aflita e angustiada de um homem obcecado e fascinado pelos meandros da mente feminina. E ainda que o diretor confesse achar ridícula a tragédia deste personagem, não por acaso o tema do seriado gira em torno desta busca. Afinal o que insiste através dos tempos - mesmo com a consolidada igualdade de direitos entre os sexos- parece ser o “real” de sua diferença, quem sabe a primeira experiência de confronto com um “outro diferente de mim” que toda a criança enfrenta em sua vida social. E foi este talvez o mais perspicaz ponto da pesquisa freudiana, ao dar importância às “teorias” que as crianças constroem para dar conta de tal diferença ou ainda das fantasias criadas para aceitar/ reconhecer a existência de uma outra lógica sexual, atribuída ao sexo oposto, mas que pode muito bem habitar o interior de todas as identidades. Sabemos que a melhor maneira de sustentarmos nossas crenças é nunca confrontá-las. Mas as narrativas atuais têm preferido abrir o debate de certas premissas sobre as quais construímos nossas identidades, questionando ( ainda bem!) as relações humanas, os medos, desejos e anseios de todos nós. Talvez por isso, o diretor se diz animado em apostar em uma nova forma de fazer dramaturgia, uma prosa contemporânea, mais coloquial, que una o romântico ao patético, a tragédia à comédia. Vamos conferir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8007049840263887560?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8007049840263887560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/elas-podem-vir-saber-o-que-querem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8007049840263887560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8007049840263887560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/elas-podem-vir-saber-o-que-querem.html' title='Elas podem vir a saber o que querem'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1923497296709845089</id><published>2010-11-04T17:36:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T17:38:52.287-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Mr. Freud</title><content type='html'>“Durante a vigília, vejo um tigre e tenho medo; no sonho, tenho medo e vejo um tigre”&lt;br /&gt;                                                                                                  Jorge Luis Borges&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensadores importantes de áreas diversas e épocas diferentes já habitaram as bancas de jornal em coleções que pretendiam ampliar a divulgação (fato que acho louvável) de seus feitos. Recentemente a mídia vem anunciando uma nova coleção de livros sobre alguns que mudaram o mundo, ocasião em que será ressuscitado Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Darwin, Marx, entre outros nomes que contribuíram com suas idéias em áreas como a filosofia, a política, a economia, a religião, e fizeram diferença na maneira como pensamos o mundo e a nós mesmos. A surpresa fica por conta de que um destes livros será dedicado a Freud o que o eleva ao patamar dos personagens importantes da história da humanidade. No senso comum, Freud é lembrado sempre que achamos que ele “explicaria” certos atos ou pensamentos humanos que fogem ao padrão considerado corriqueiro. Quem nunca ouviu a célebre frase “Freud explica”? De certa forma este jargão popular não deixa de apontar para o sentido do “novo campo de saber” inaugurado por Freud, batizado de psicanálise, um ramo da psicologia que se situa entre a filosofia e a medicina e que busca explicar os conteúdos de nossa vida psíquica que ficam fora de nossa consciência. Nossos sonhos seriam o paradigma deste funcionamento psíquico “inconsciente” ou virtual já que insistem em nos causar um estranhamento ao deixar emergir, sempre disfarçados, certos conteúdos soterrados em algum lugar de nossa memória afetiva. Os lapsos, as piadas e finalmente nossos sintomas psíquicos seriam outras das produções deste lugar ao mesmo tempo longínquo e familiar. Por isso nossa história oficial, aquela com a qual nos apresentamos, tem sempre uma versão própria que precisa incluir nossas crenças e fantasias e até sofrer ratificações a fim de escamotear seu conteúdo reprimido. Mas ainda que a cultura atual já tenha absorvido muitas das contribuições da psicanálise tais como a importância atribuída às experiências infantis e aos pais enquanto influência fundamental e determinante para o futuro de cada um de nós, há sempre resistências tanto no nível individual quanto no coletivo, na admissão de uma vida psíquica complexa cujas dimensões possam co-existir sem o nosso conhecimento absoluto. O próprio Freud já teria antecipado tais resistências ao comparar sua psicanálise ao inevitável caos e desordem da chagada da “peste” nos séculos anteriores. No bojo desta inquietação estaria o fato dela não endeusar a consciência e repetir indefinidamente o quanto somos movidos a paixões, o quanto nosso eu não é senhor em sua própria casa e o quanto muito do que somos nos escapa. Não custa lembrar que a experiência psicanalítica, por meio de um dispositivo simples– falar sobre nós mesmos a uma outra pessoa – convida-nos a um mergulho aos meandros de nossa alma, a fim de que possamos tentar conhecer algo daquilo que nos determina à nossa revelia e que nos leva, na maior parte de nossas vidas, a atribuir a outros (pais, parceiros amorosos,chefes, corpo) as nossas infelicidades. E é justamente por não excluir, ao contrário, incluir estes fatores que não estão disponíveis, que ela continua sendo uma experiência que pode levar a uma profunda transformação de nós mesmos: ao permitir que descubramos mais de nós ao nos ouvir falar, que possamos quiçá encontrar e elaborar nossa historia e nossa vida dando-lhe um sentido que não seja demasiado custoso, que nos ajude a encarar a brutalidade do mundo sem a necessidade de interpretá-la como se fosse um complô ou uma penitência merecida por ousarmos criar novos rumos para nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1923497296709845089?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1923497296709845089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/mr-freud.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1923497296709845089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1923497296709845089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/11/mr-freud.html' title='Mr. Freud'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2858312648083833929</id><published>2010-10-28T16:28:00.000-07:00</published><updated>2010-10-28T16:32:54.987-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Gula humana</title><content type='html'>Quando o filme &lt;em&gt;Wall Street: poder e cobiça&lt;/em&gt; chegou aos cinemas, em 1987, as bolsas de valores tinham sofrido um &lt;em&gt;crash&lt;/em&gt; de grandes proporções, e os americanos estavam em choque. O filme expunha as entranhas do mercado financeiro e o mundo ilegal de suas negociações ao mostrar como banqueiros compravam empresas, destituíam-nas de seus ativos e destruíam-nas deixando trabalhadores desempregados. Era a década em que bancos e fundos de investimentos lucravam de forma inimaginável na base do capital especulativo e Gordon Gekko (Michael Douglas), paradigma destes excessos financeiros, encarnava um dos melhores e mais ricos especuladores do mercado, um tipo agressivo que sabia como e onde conseguir informações que lhe permitiam manter o jogo “poder e cobiça”. O nome Gekko não foi pensado por acaso. Deriva-se de Gekkonidae - animal da família de répteis- silencioso, observador e sorrateiro. Na esteira da grande crise financeira de 2008 que abalou o globo, atraiu a ira universal de políticos e expôs uma sucessão de escândalos na área das finanças, estreou há algumas semanas &lt;em&gt;Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme&lt;/em&gt;. O mesmo Gordon Gekko (ainda Michael Douglas) após oito anos preso por fraudes financeiras, lança seu livro &lt;em&gt;“A ganância é boa?”&lt;/em&gt; e passa a fazer palestras em universidades questionando o "risco moral", a tal pirâmide financeira que todos compactuam ao hipotecar seus imóveis. Gekko, tal e qual um guru às avessas, começa a ganhar pontos junto a nova geração de aspirantes a investidores e milionários de &lt;em&gt;Wall Street&lt;/em&gt;, que inclui os muitos estudantes de MBAs que já comandam companhias de investimentos. Um destes é justamente Jacob Moore ou Jake, o jovem idealista que trabalha nesta área em um banco e sonha em abrir caminhos em &lt;em&gt;Wall Street&lt;/em&gt; para investimentos na chamada “energia verde”. Namorado de Winnie Gekko, filha de Gordon Gekko, Jake não tem como dividir com a amada seu fascínio pelo sogro. Desde a morte do irmão por overdose no período em que o pai estava preso, ela se afastara decepcionada e magoada, mantendo-se resistente a uma reaproximação. Winnie também não esconde o desprezo que sente pelo mundinho que fascina Jake e, ao contrário dele,comanda um blog jornalístico "sem fins lucrativos" em que são constantes as denúncias sobre o mundo corporativo. É bom lembrar que &lt;em&gt;“Wall Street”&lt;/em&gt; era apenas uma rua da baixa Manhatan em Nova York que nas ultimas décadas foi se tornando o centro do mundo financeiro global graças ao fato de abrigar a mais famosa Bolsa de Valores. Tanto o primeiro quanto o segundo filme do diretor Oliver Stone pretendem apresentar um pouco deste mundo formado basicamente por homens poderosos ou desejosos deste poder, fascinados pelo jogo de astúcia que envolve o “ganhar sempre mais”. Um jogo cujas regras incluem farejar frestas “legais” do mercado financeiro que podem gerar lucros rápidos, mudando-se apenas os alvos e as pessoas. Mas se este jogo pode se manter dentro das leis ou de suas falhas, ele aponta para o “risco moral” como irá pregar o Gekko pós- cadeia, tentando “vender” sua experiência anterior acrescida dos riscos que ela pode conter. Existe limite para a ganância humana? Ela pode ser “boa”? Na verdade a ganância habita a seara do “gozo” humano e fascina a todos- os que imaginam que a tem e os que se sentem excluídos- e o perigo começa quando ela é de certa forma “legalizada”. Aí é como se não pudesse haver mais limites para a acumulação de capital e menos ainda para seus desastrosos efeitos à “boa e justa” convivência humana. Não importa se a busca de lucros é trágica para alguns ou se transforma em farsa para outros: permanece a cumplicidade dos interessados em manter certa imunidade e proteção mútua, até que algum furo no sistema detone alguma nova “crise”. No entanto o jogo continua e as pessoas que se beneficiam ou são prejudicadas são apenas parte deste jogo; suas chances dependem dos interesses dos que comandam as peças naquele momento. Por ser um jogo que subverte as leis e as normas para benefícios de poucos, cria-se a ilusão de um “limbo” que passa a ser objeto de desejo de todos. É assim que trocando pessoas, crises e bolhas econômicas, a roda do jogo não pára e nem cessa a reverencia aos jogadores. Mas talvez a magia do mercado financeiro esteja não na proeza dos magos que a executam, já que de tempos em tempos transforma-se em truques baratos, mas na necessidade humana de crer, de se iludir. Espaço das paixões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conferir: Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme&lt;br /&gt;titulo original: (Wall Street - Money Never Sleeps) 2010 (EUA)&lt;br /&gt;direção: Oliver Stone&lt;br /&gt;atores: Shia LaBeouf , Carey Mulligan , Charlie Sheen , Michael Douglas, Susan Sarandon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2858312648083833929?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2858312648083833929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/10/gula-humana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2858312648083833929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2858312648083833929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/10/gula-humana.html' title='Gula humana'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-524112774520355145</id><published>2010-10-21T05:05:00.001-07:00</published><updated>2010-11-20T04:18:49.023-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Simples reciclagens</title><content type='html'>Garrido arqueou as sobrancelhas para expressar sua conclusão: se o Brasil era campeão em reciclagem de latinhas de cervejas, que tal reciclar pessoas? Um negro de cinqüenta e poucos anos, olhar penetrante, coração aberto, Garrido falava para uma pequena platéia composta de profissionais da área psi, sobre seu projeto de recuperação e “reciclagem” de pessoas. Sendo ex-boxeador, há alguns anos atrás, abril de 2004, parecia que seu sonho se realizaria. Depois de anos treinando o filho Fabio batendo em geladeiras, pneus e surdinas de caminhão pendurados na academia da família - Vila Ré, Zona Leste da cidade de São Paulo- este iria enfrentar o então campeão em uma luta que valia o título brasileiro dos meio-pesados pela Confederação Brasileira de Boxe. Mas foi duramente nocauteado, e além de ficar entre a vida e a morte, sua carreira (e com isso o sonho de um lugar especial) ficara abortada pela contusão cerebral que sofrera. Tempos depois, trabalhando como segurança no centro de São Paulo, ao ver crianças cheirando cola e fumando crack, Garrido resolveu trazer a idéia da geladeira velha, os restos de carros/ pneus usados e algumas pedras para improvisar uma academia de boxe e oferecer a quem quisesse, um espaço para treinar. Logo a idéia cresceu e o antigo espaço sob o Viaduto do Café, local de tráfico de drogas e de desabrigados tornou-se referencia no bairro do Bexiga, atraindo moradores e até empresários que se sensibilizaram com a “paixão” com que Garrido se dedicava ao resgate de qualquer pessoa em vulnerabilidade social, desde crianças de rua, ex-detentos, meninos recém-saídos da Febem, catadores de lixos, moradores de rua,etc. Em meio ao pensamento contemporâneo marcado pelo ceticismo e pelo individualismo, ouvir alguém falar de forma ao mesmo tempo despretensiosa e apaixonada sobre as possibilidades de se abrir ao outro, mesmo em face às mais pungentes adversidades é no mínimo alentador. A maioria dos que o assistiam se surpreendia pela forma simples com que ele afirmava o resgate de pessoas totalmente excluídas da rede social.Parecia mal se dar conta da potencia de seus projetos pessoais e da aposta sensível na resposta positiva de seus investimentos no outro, mesmo com todas as evidencias de falência. Paradoxalmente o boxe acenava com um destino para a violência, uma violência submetida às regras, à disciplina e, portanto capaz de gerar vida e ajudar na criação da realidade compartilhada. Já se vão seis anos e Garrido continua com sua “garra”. Seu projeto cresceu, ganhou a parceria da amiga Cora Batista que há anos trabalhava com assistência social às mulheres e chega à terceira ponte (no bairro de São Miguel Paulista) transformada em espaço aos moradores pobres locais ou a quem se interessar por “novas oportunidades, disciplina, e autoestima” segundo suas palavras. O Cora Garrido Boxe ou o Projeto Viver continua transformando alguns que vivem assujeitados pelo medo,pela violência,pela falta de oportunidades ao oferecer uma brecha de acesso à vida, uma “reciclagem” do desejo que permite a construção de um sentido, em um clima de trocas e solidariedade.Garrido leva a mesma“palavra” aos seus pupilos, incitando-os a manterem seus espíritos abertos à multidão dos excluídos, marginalizados, pobres em geral.Algo como a construção da tal responsabilidade social. Sua frase preferida é a que reafirma sua aposta: transformar “pessoas em seres humanos”, “reciclá-las”. Mas a que mais toca é a que diz que isto é simples, muito simples, basta querer fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conferir:&lt;br /&gt;Cora Garrido Boxe (Projeto Viver)&lt;br /&gt;Email: coragarrido@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-524112774520355145?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/524112774520355145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/10/simples-reciclagens_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/524112774520355145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/524112774520355145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/10/simples-reciclagens_21.html' title='Simples reciclagens'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6401613992205163472</id><published>2010-10-15T11:38:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T11:40:57.255-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Confiar desconfiando</title><content type='html'>A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos divulgou recentemente uma propaganda que parece ter a intenção de afirmar e resgatar algo precioso para seu funcionamento: a confiança. Não há como negar uma certa tradição desta instituição que, mesmo em meio as várias tempestades político-sociais do país, consegue manter sua credibilidade. Não titubeamos em mandar não só cartas, mas itens diversos para todo e qualquer lugar deste Brasil e do mundo. No fundo apostamos que irá chegar. Em geral chega. A propaganda que está sendo veiculada também nos cinemas, conta a história de um menino extremamente desconfiado. Nas cenas que se sucedem, ele tanto desconfia que seus pais não sejam verdadeiros como fica estudando minuciosamente um cachorro quente sem coragem de comê-lo. Já mais adolescente ele chega ao correio e pergunta à atendente se seu Sedex chegaria para a fulana que mora na cidade X. Sorridente, ela recebe prontamente o pacote e lhe devolve um “sim” cheio de certeza. Ele acredita. Está curado. Na simplória maneira de retratar o percurso da desconfiança até a aquisição da confiança a propaganda também aponta a importância desta última para o bem viver. Não por acaso. O mundo contemporâneo com seus riscos e sua permanente busca de segurança exige que cada um de nós possa contar com uma confiança básica, quer dizer, uma capacidade para confiar que inclua a desconfiança. Na difícil tarefa de aprendermos a lidar com os sentimentos (nossos e dos outros) é importantíssimo que a desconfiança que surge diante das separações e frustrações inevitáveis possa ser articulada a uma confiança nas pessoas e no meio em que vivemos. É comum que algumas propagandas que visem despertar a nossa “confiança” para determinados serviços ou produtos exibam cenas em que bebês- cuja fragilidade é sempre notória - são arremessados ao ar por seus pais: em foco a expressão de medo, tensão e excitação até o retorno ao abraço vigoroso e protetor que os recebe. Uma cena paradigmática do exercício da “boa” confiança pois implica que se possa admitir o medo diante da percepção de um perigo externo real sem que este impeça a exposição voluntária ou intencional ao perigo e ao medo justamente por se apostar tanto no fim do perigo quanto no fato de que o medo será tolerado e dominado. Confia-se (a revelia das ambivalências e tensões) que se sairá ileso e seguro desta experiência. Claro que estamos falando de uma confiança ideal, já que no duro e intranqüilo percurso de nos tornarmos adultos, nossa confiança faz embates sem fim à desconfiança e muitas vezes não podemos ou não conseguimos sair dos extremos em que ficamos retidos ou em uma confiança idealizada e indiscriminada em que acreditamos ingenuamente para em seguida desconfiar, descartando os sinais de perigo ou a sensação de medo, ou na desconfiança de tudo e todos que nos impele a manter distancia e controle, “confiando” demasiadamente em ferramentas nossas ou externas contra todos os perigos. Na verdade a propaganda dos Correios, ao exibir o sorriso acolhedor da atendente e o pronto levantar de seus braços em direção ao pacote do adolescente, deixa no ar a grande dica: a construção de nossa confiança precisa ser um projeto que implique a presença de um outro confiável, que suporte nossas ambivalências, medos, ódios, amor, etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6401613992205163472?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6401613992205163472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/10/confiar-desconfiando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6401613992205163472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6401613992205163472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/10/confiar-desconfiando.html' title='Confiar desconfiando'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8693931823882369033</id><published>2010-09-29T05:22:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T05:23:26.225-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>O Lula é pop</title><content type='html'>Nas últimas edições de grandes jornais e revistas brasileiras é possível encontrarmos textos de alguns pensadores que tentam analisar a força de Lula e sua inabalável liderança política. Afinal como explicar que em um país nada pequeno e nenhum pouco homogêneo como o Brasil, uma candidata praticamente desconhecida, sem um currículo político relevante para a lembrança dos cidadãos, passasse em tão pouco tempo de campanha, a liderar de forma tão exuberante as pesquisas eleitorais? Há os que comparam Lula a Getulio Vargas, um líder que, em seu tempo, soube compor a figura de pai e protetor das classes menos favorecidas ao organizar o caótico panorama das leis trabalhistas e sociais do país, garantindo um patamar mínimo de direitos aos trabalhadores e deveres aos empresários. Mas se Getulio também governou como um pastor ciente de seu lugar de líder, alimentado por suas ovelhas satisfeitas, não conseguiu evitar o crescimento de uma oposição importante, responsável por sua queda. O fenômeno Lula chama a atenção de gregos e troianos justamente porque mesmo após a sua reeleição (em bases democráticas) e as muitas denúncias de uma certa degradação moral e irrestrita da vida política do país,parece não haver uma oposição que lhe faça sombras. Há sim uma gritaria sem fim (vide os zilhões de e-mails que circulam na web) de uma faixa que percebe Lula como o protótipo do “sem lugar” que se apossou indevidamente de “um lugar” que lhe confere mais poderes  e benesses do que mereceria. Mas estas vozes estão mais do lado dos guardiões  de uma suposta e idealizada estabilidade confortável e longe de se constituir em uma crítica construtiva para a política do país. E, ao que parece, tanto a “direita” quanto a “esquerda” encontram-se desorientadas diante da força do lulismo, o que fica particularmente claro nas minguadas e irrelevantes propostas que seus candidatos alardeiam. É neste vácuo que vemos surgir candidaturas - caso de Tiririca e outros – que seriam impensáveis em países que atribuem uma seriedade maior ao papel de sua dimensão política. Como bem lembraram alguns, ainda que importantes figuras do PT pudessem  ter mantido nestes oito anos um trabalho permanente de consolidação de suas bases políticas, é a figura de Lula e seu indiscutível carisma que continua “causando”. Pode-se facilmente discordar de seus méritos, mas a verdade é que Lula é hoje uma espécie de mito no cenário político global e sua popularidade lembra a de alguns grandes líderes de nossa era moderna, capaz de mobilizar uma importante massa de pessoas. E a história nos conta que tais líderes nascem quando sabem ocupar com maestria este lugar idealizado de um pai ao mesmo tempo forte, amoroso e protetor, cujas palavras conseguem “garantir” aos seus diferentes filhos, a boa condução do futuro de cada um. Não por acaso seus discursos parecem proferidos por um profeta, com toda a carga de onipotência que caracteriza os que se imaginam estar em um lugar especial, quase divino. Resta a nós pensarmos cá com nossos botões porque, ao longo da historia humana e da tarefa de nos constituirmos como sujeitos adultos, cônscios de nosso papel social, moral e político, cedemos tão facilmente às promessas de um pai, passamos-lhe o bastão desta tarefa e outorgamos-lhes direitos que muitas vezes comprometem nossas conquistas em direção a uma vida compartilhada , mais justa e produtora de novas versões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8693931823882369033?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8693931823882369033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/o-lula-e-pop.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8693931823882369033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8693931823882369033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/o-lula-e-pop.html' title='O Lula é pop'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5278543037327584775</id><published>2010-09-29T05:19:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T05:21:02.783-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Eternos românticos</title><content type='html'>O filósofo e economista americano Francis Fukuyama ficou famoso ao inventar uma versão moderna do fim da história. Cético, ele previu o futuro sem voltas de um mundo sob a tutela do mercado, um jogo infinito em que qualquer acordo (nacional ou internacional) ficaria atado à provável ou improvável “reação do mercado”. Um pouco mais além estariam os que apostam que nossa civilização possa ser mortal e tal como qualquer ser vivo, venha a desaparecer com seus procedimentos, suas obras de arte, sua filosofia, seus monumentos. Quem sabe as previsões para os rumos de nossa civilização nunca cessem de percorrer este fio entre a aspiração de que possamos calculá-los em números exatos, sob uma lógica objetiva e a eterna aptidão humana para preencher os espaços vazios com sua dimensão romântica, que rompe com este pensamento. A cada momento da história, uma fatia da humanidade se ocupa destes espaços, encarna uma espécie de Dom Quixote e inventa sonhos e quimeras - de certa forma necessários -para que seja possível continuarmos a crer em nós mesmos ou em algo além de nós. Nas décadas de 50 e 60, o mundo assistiu o surgimento de um esquerdismo romântico, das revoluções aos protestos de jovens que buscavam novos mestres e novas metas. A relação atual do homem tecno com a natureza, por exemplo, produziu o movimento “verde” pró preservação e proteção do meio ambiente e de quebra um apelo ao convívio mais íntimo com o natural. A medicina homeopática continua a roubar uma porcentagem de consumidores de medicina tradicional ao oferecer um tratamento individualizado, que privilegia a relação de cada um com seus sintomas. Parece ser na busca interminável de sentido para nossas vidas que inventamos o “romântico”. É necessário transformar a crueza de nosso funcionamento biológico em fonte de emoções e sentimentos que inspirem nossas produções artísticas, sejam músicas, ilustrações ou narrativas (literatura/cinema). E que não esqueçamos nem o humor, esta via que nos lembra o lado cômico de nossas pretensões, nem a tragédia, pronta a tocar o mais fundo de nossas almas, submetidos que estamos ao duro convívio com nossos pares, conosco mesmos e com nossa finitude. Personagem privilegiado destas paragens românticas, o Amor se mantém nas paradas de sucesso.Tal e qual uma roupa quentinha e aconchegante que nos conforta em dias gélidos, “conhecê-lo” continua sendo um alento dos mais ansiados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5278543037327584775?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5278543037327584775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/eternos-romanticos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5278543037327584775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5278543037327584775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/eternos-romanticos.html' title='Eternos românticos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2369536805716529697</id><published>2010-09-15T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-09-15T15:06:05.141-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>O que eles têm em comum?</title><content type='html'>Assim como outros episódios desastrados de nossa história, a queda das torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 não pode deixar de ser lembrada. A longa caminhada humana rumo à civilização, em busca de formas de vida mais justas em que se respeitem os direitos de cada um sem que se tenha que recorrer à barbárie e à força é um valor moderno precioso. Mas está sempre a apresentar paradoxos e incoerências. O espetáculo fatídico do ataque ao World Trade Center despertou o mundo para a expansão do islamismo não só como divulgação de uma fé, mas como uma ideologia política pautada pela violência. Desde então o Islã passou a ser associado ao terrorismo e ao ódio contra o Ocidente. No entanto, da mesma forma que os fundamentalistas cristãos ou os judeus ortodoxos, os islâmicos consideram como sua política básica o retorno às leis das Sagradas Escrituras, no caso o Alcorão. Trata-se de um imenso tratado moral e ético que cobre todos os aspectos da vida pública e privada de seus seguidores, orienta cada um a encontrar o bom caminho, reprimir os seus maus instintos, resistir à maldade e à perversão com o consolo e o apoio das palavras de Alá. A diferença é que, ao contrário do que ocorre na maioria das nações ocidentais, nos países islâmicos a linha divisória entre religião e política praticamente não existe. Sendo o Alcorão Absoluto e Divino, a visão de mundo islâmica não se presta a debates ou questionamentos, o que gera conflitos às tentativas políticas e sócio-culturais de interação, comunicação ou consenso internacionais. Já as nossas sociedades, quase todas democratas, estão submetidas às leis modernas e sujeitas a redimensionamentos constantes. Proclamamos a individualização, ou o direito irrestrito do indivíduo à escolha de suas crenças o que quer dizer que não importa se elegemos algo para acreditar, desde que não interfira no direito do outro de acreditar no que quiser. É bom que se lembre que a crença não se resume ao âmbito das religiões, mas a tudo o que concerne aos ideais políticos, aos valores morais e éticos, às novas visões de mundo. Ora, nos USA, junto às noticias das comemorações no dia 11 de setembro último, a mídia anunciou um movimento hostil ao governo Obama (denominadoTea Party) orquestrado por uma direita americana que estaria se sentindo ameaçada em perder sua hegemonia branca. Tendo como pano de fundo uma América Ideal, uma cultura unificada e tradicional, fonte de solidariedade e conforto, esta fatia da população parece querer dizer “não” ao “outro”. Que “outro”? Aos não brancos, aos não cristãos, aos estranhos enfim. Paradoxalmente o mesmo individualismo que promove novas formas de convívio com a diferença e a diversidade, exige a aceitação desta alteridade o que significa aceitar a existência de um outro como diferente de cada um de nós. Mas a persistência da intolerância nos mostra como é difícil este exercício e o quão fácil caímos na tentação de possuir a verdade absoluta e de querer impô-la a todos, seja por determinação divina ou por vontade popular. Diante da convivência plural que a globalização impõe, muitos indivíduos ou grupos exibem um sentimento de insegurança que parece ser ameaçador para a sua inserção no mundo. Alguém duvida ser aqui que mora o fascínio pelo absoluto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2369536805716529697?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2369536805716529697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/o-que-eles-tem-em-comum.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2369536805716529697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2369536805716529697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/o-que-eles-tem-em-comum.html' title='O que eles têm em comum?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2975566083757078836</id><published>2010-09-15T15:00:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T05:22:21.114-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Procura-se felicidade</title><content type='html'>Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002 é coautor de uma pesquisa recém publicada na revista científica PNAS que, para saber até que ponto o dinheiro “compra” felicidade, analisou um banco de dados gigantesco nos EUA. Cerca de 450 mil americanos relataram a frequência com que se sentiram tanto felizes quanto estressados recentemente e as respostas obtidas foram cruzadas com dados sobre suas vidas. Na mesma linha de suas pesquisas anteriores esta também revela que os seres humanos não tomam decisões de modo racional, mesmo quando o que está em jogo é o “enriquecimento”, ou seja, a busca do sucesso financeiro como item de felicidade ou como facilitador dela. A pesquisa revela, por exemplo, que a maioria prefere não receber nada a ganhar um pagamento considerado irrisório ou se sente mais feliz quando ganha mais do que um colega mesmo que o valor absoluto do salário não seja dos mais atraentes. Ser alguém especial parece habitar o mais profundo anseio humano. Se tomarmos o valor do dinheiro como um “ideal” de felicidade é provável que poucos não imaginem uma certa quantia pela qual poderiam adquirir ou chegar a realização de alguns de seus sonhos. Na verdade, a dimensão da “idealização” tão cara e necessária à vida humana e cujo peso é evidente em todas as suas escolhas, é também uma das mais complexas. Isto fica particularmente claro nas paixões amorosas, esta espécie de amor ideal, em que se confunde o eleito com o que consideramos uma “idealização” de nós mesmos: desaparecem as diferenças e acreditamos que nada mais nos falta. É que este “outro” está investido daquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ser e por isso nossa sensação é de que ele é perfeito. O lado sombrio da paixão é quando ela fica capturada aí, sem lugar para o reconhecimento de cada um como diferente do outro, espaço de trocas e experiências construídas. Quando isso acontece permanecemos convictos de que nosso “amado” é necessário e vital para a nossa sobrevivência e vice versa. As divergências passam a ser ameaçadoras e a exigência de exclusividade é exorbitante: não aceitamos não sermos o único a habitar o seu desejo. Neste caso estamos analisando o valor do “outro” como veículo de satisfação para cada um de nós e destacando o lugar deste “ideal” ao qual nos rendemos. Quando a idealização assume este lugar de promessa de satisfação absoluta vivemos presos à expectativa de que em algum lugar finalmente encontraremos “paz”, algo como um sentimento de plenitude, o “paraíso” ou o Éden bíblico. Mas quem sabe a “felicidade” seja apenas uma possibilidade de se desfrutar de certo bem estar, conquistado à custa de muitas e muitas revisões de nossos ideais, sempre à espera de novos ajustes, já que nas águas desta busca do absoluto nadam, sem muita censura, nossos velhos e “caríssimos” ideais infantis.De quebra é bom não nos esquecermos do potencial de ilusão inesgotável contido em nossas razões, sejam elas científicas ou banais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2975566083757078836?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2975566083757078836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/procura-se-felicidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2975566083757078836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2975566083757078836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/procura-se-felicidade.html' title='Procura-se felicidade'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2962653960709391038</id><published>2010-09-02T19:07:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T19:09:23.608-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Mão e contramão</title><content type='html'>Já no final de sua vida, após ter sofrido a experiência surpreendente de exílio forçado e às pressas de sua Viena encharcada pela ideologia nazista, Freud pregava que a psicanálise, por ser uma tentativa de perscrutar também o lado sombrio de nossas almas, jamais se livraria das resistências a tal análise. O recente “boom” das psicologias empresariais e políticas carregam sutilmente este paradigma. É bom que se lembre que a psicologia nasceu como ciência graças às exigências de um maior entendimento sobre o comportamento e as motivações humanas na Alemanha da era industrial. Rapidamente o avanço do capitalismo americano incorporou este segmento como motor para o incremento do consumo. A publicidade e o marketing sempre se alimentaram da busca do desejo humano na tentativa de vender justamente o que poderia ser um objeto de desejo de todos. Hoje as prateleiras de consumo são infinitas e diversificadas o que promove uma corrida das pesquisas de marketing em direção às tendências futuras do desejo do consumidor, e torna os jovens e suas “traquinagens” alvos definitivos de tais análises. A historia de nossa economia recente demonstra que aos poucos os consumidores passaram de passivos a ativos e que o fascínio pela conquista do excesso para garantir o reconhecimento do sucesso de cada um vai dando espaço a uma busca de paz, tranqüilidade e outros itens mais próximos de uma felicidade interior. Esta valorização de um bem estar interno torna a subjetividade um tema de pesquisa da hora. Não só com o intuito de fisgar a fidelidade de sua clientela como também os melhores talentos do mercado para compor seu pessoal, as empresas se apressaram em sua repaginação: buscam serem éticas, transparentes, socialmente responsáveis, e se transformam em lugares onde se possa aprender e se desenvolver. Embutidos nos salários, são os benefícios alternativos que compõem o diferencial de cada empresa: planos de saúde, yoga,massagem, academia de ginástica,MBA, cursos de línguas, etc. Na mão e na contramão desta lógica, os marqueteiros políticos mergulham na difícil tarefa de maquiar seus clientes para torná-los o mais “apetitoso” possível em suas disputas eleitorais, mas precisam garantir-lhes um mínimo de credibilidade. Não são mais as pautas de seus discursos sobre o programa de governo de cada um, mas quais aspectos de suas subjetividades e aparência que deverão ser valorizados. No corre-corre que as pesquisas eleitorais impõem, cada candidato se submete às transformações visuais e às sabatinas de “etiquetas” de comportamento e imagem pessoal que lhe favoreçam individualmente através do estudo das possíveis causas de sua rejeição. A idéia parece ser a de aproximá-los dos ideais de pai e mãe bondosos e competentes que habitam o imaginário popular. Mas ao contrário das empresas que precisam do lucro para sobreviver, os políticos atuais (não só no Brasil) contam com certo descaso da população em geral, em relação a este hiato entre o que são e o que vendem ser, o que dizem serem suas crenças e ideias e o quanto estas se aliam aos seus interesses pessoais ou eleitoreiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2962653960709391038?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2962653960709391038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/mao-e-contramao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2962653960709391038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2962653960709391038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/09/mao-e-contramao.html' title='Mão e contramão'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1895762004156662751</id><published>2010-08-30T08:36:00.000-07:00</published><updated>2010-08-30T08:50:41.727-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Sua majestade, o bebê</title><content type='html'>O cinema continua nos premiando com a possibilidade de fazer circular temas que em geral nos são impactantes ou que raramente entram no discurso de nosso cotidiano. É o caso de “&lt;strong&gt;O estranho em mim&lt;/strong&gt;”, filme alemão que traz à cena a depressão pós-parto vivida por inúmeras mulheres (entre 10% a 25% segundo dados brasileiros). Rebecca tem um comércio de arranjos de flores naturais cultivadas em sua linda casa, que neste momento se transforma para a chegada de seu primeiro filho. Julian, o futuro pai, mostra orgulhoso à seu pai, uma das portas do armário da cozinha transformada em “cabaninha” já à espera deste novo ser que passará a dividir a casa, a rotina e a vida com eles. Os bebês são assim, sempre uma promessa, um espaço virtual em que esperamos que se inscrevam as marcas de um futuro. Mas impõem perguntas nem sempre possíveis de serem respondidas antecipadamente. Em geral o período de gestação é mesmo uma preparação necessária a cada mulher nesta função que para nós humanos, tem o peso de uma transmissão geracional que não se reduz à biologia, e sim abarca a nossa própria história de seres de cultura. Esta passagem de filha à mãe implica sim em um “frio na barriga” e em geral transporta a cada uma de nós às nossas reminiscências infantis femininas e a todas as tentativas de nos tornarmos mulheres adultas. Estaríamos aptas a cuidar deste que habita por algum tempo nosso ventre? Claro que a cultura atual se encarrega de nos oferecer um verdadeiro arsenal de serviços, informações e cuidados. Há pouco tempo a mídia divulgou a abertura de uma Universidade de Pais na Espanha que por meio de aulas organizadas por especialistas e fundamentadas em princípios da pedagogia e da psicologia, pretendia ensinar adultos a educar seus filhos desde o período da gestação. Mas o que este filme apresenta é justamente aquilo que escapa ao conhecimento técnico e que é próprio ao acontecimento psíquico do nascimento de um bebê para a mãe dele. Paradoxalmente, ao lado da idealização da maternidade mantida pela cultura, o nascimento de um filho nos coloca diante de um estranhamento que precisará ser ultrapassado. Quando isso não é possível, a mãe vive o inferno: a angústia por não se reconhecer, a culpa pelo “não amor infinito” ao seu bebê, o contato com seus sentimentos hostis e agressivos e a solidão (e o desespero) destas vivencias. Assim como pode ser difícil para esta nova mãe tornar-se “naturalmente mãe”, também não será fácil para os familiares aceitarem esta “ausência de mãe”. Rebecca vive este inferno solitariamente até que, sem encontrar saídas possíveis, “foge” de seu filho, possivelmente como uma forma de protegê-lo de si mesma. Com roteiro e direção femininos (Emily Atef), o filme presenteia as mães e seus dilemas, neste que é um momento de extrema tensão à vida de todas. Mas também contribui com a abertura de um tema em geral tabu, por conter o insuportável e o insustentável da experiência humana da ambivalência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conferir: O Estranho em Mim&lt;br /&gt;( Das Fremde in mir / The Stranger in Me) Alemanha 2008&lt;br /&gt;Direção: Emily Atef&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1895762004156662751?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1895762004156662751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/sua-majestade-o-bebe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1895762004156662751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1895762004156662751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/sua-majestade-o-bebe.html' title='Sua majestade, o bebê'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6192192338527996347</id><published>2010-08-23T18:32:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T06:14:04.731-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>O mundo dos opostos</title><content type='html'>A imagem recém divulgada pelas mídias em que o Brasil figura entre os países bem cotados para se tornarem futuras potências do mundo pode ser analisada por diversas dimensões. Aquela que mais me atrai é a que tenta refletir sobre o peso diferencial da identidade da cultura brasileira. Acostumados a não termos muitas razões para ufanismos nacionais, parecia natural que recebêssemos de braços abertos influencias, costumes e práticas do além mar. Mesmo fazendo parte de uma América nova que poderia ser promissora, o movimento imigratório do final do século XIX e início do século XX foi diferente daquele que marcou a America do Norte. Por diversas razões, éramos menos exigentes. Ainda que o território brasileiro possuísse sua grandeza em terras, minérios, matas e águas, sua historia política foi marcadamente descomprometida com o “progresso coletivo” e voltada para interesses de poucos. Paradoxalmente, ao lado deste descaso político generalizado, se impunha uma convivência menos competitiva e mais solidária entre as diferentes culturas que aqui aportaram. Nem guetos para os imigrantes, nem grandes discriminações para os negros livres, tampouco imposições religiosas aos que não fossem cristãos. Esta “abertura” que pode ao mesmo tempo ser analisada sob o ponto de vista de um descaso de seus sucessivos governos, contribuiu para a construção de uma cultura que hoje podemos chamar de “brasileira”. Uma cultura capaz de assimilar outras, realizando ao longo do tempo uma combinação fecunda de diferentes hábitos, costumes e crenças. Em um século em que algumas religiões voltam a assombrar pelo fanatismo de seus seguidores, o sincretismo religioso do Brasil pode ser um contraponto ao mundo dos opostos que faz parte dos fundamentalismos em geral. Neta de imigrantes libaneses cristãos que fugiam da falta de perspectiva econômica de sua região - então dominada pela política turco-otomana - cresci ouvindo meus avós se referirem às diferenças religiosas de sua cultura. Cristão-árabe, judeu-árabe, muçulmano- árabe cada um destes ocupava um lugar na minha imaginação, mas estavam longe de acenar com algum sentido que importasse para a minha infância. Sempre me senti brasileira, embora convivesse (ou quem sabe por conta disso) com dois troncos diferentes de adaptação imigratória. De um lado minha família paterna que abraçou sem muitas resistências o solo tropical, sua língua, seu futuro. Já meus avós e tios maternos guardavam certa melancolia em relação às suas raízes e reverenciavam com mais ênfase suas tradições. A tradição é sempre portadora de uma memória, de um código de sentido, mas precisa ser geradora de uma continuidade. É sempre bom quando podemos transformar as “tradições” em heranças ou transmissões que irão atualizar o passado no presente, confrontar o velho e conhecido com o novo e diferente, inventar o que ainda não existe. Quem sabe esta seja a matéria prima que o Brasil conseguiu criar,hoje tão cultuada mundo afora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6192192338527996347?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6192192338527996347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/o-mundo-dos-opostos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6192192338527996347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6192192338527996347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/o-mundo-dos-opostos.html' title='O mundo dos opostos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-587210141118320026</id><published>2010-08-13T15:46:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T15:51:47.781-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Em espiral</title><content type='html'>Às vésperas de eleições de grande porte (presidente, governadores, senadores, deputados), quando seria esperada uma mobilização do povo brasileiro em torno desta disputa, o clima anda mais do que morno, dando a impressão de pairar uma certa descrença geral na dimensão política como agente de mudanças significativas para a vida de cada um. Ao que parecem, as substituições de políticos nestes cargos antes tão reverenciados tem mostrado que, independente de partidos, a dinâmica que impera para o sobe e desce de sua popularidade, está mais atada às estratégias montadas por assessores técnicos especializados em “marketing pessoal” e menos aos ideais legítimos que pudessem alavancar a confiança de seus eleitores. Alguns pensadores afirmam que a relação do homem com o mundo hoje tem mostrado que as verdades estão quase mortas, os valores em baixa e as esperanças e crenças bastante minguadas. A crise econômica teria balançado e muito a confiança no valor “transcendente” do capital, ao mostrar que nem os mais ricos estariam excluídos de perderem suas fortunas de um dia para o outro. Sem a garantia de um Estado democrático constituído por políticos que representem efetivamente os interesses da maioria e sem a antiga aposta ( ou crença) no sistema financeiro mundial, abre-se um vácuo e muitos setores se sentem mobilizados a repensarem o destino da condição humana. É certo que a história humana está cheia de exemplos que reiteram a idéia de que os momentos de crise podem representar uma oportunidade, uma possibilidade de mudança, uma busca de novos caminhos ou soluções. O caos funcionaria como um alerta que em geral deflagra um movimento mais amplo e diversificado de interesse por mudanças que tentam resgatar o fio sempre precário da esperança. Nestas horas é necessário reverenciar o espírito humano, em sua dupla possibilidade de conservação e transformação, de ordem e desordem, de racionalidade e delírio criativo. É da sensibilidade humana que nascem idéias que são notícias aqui e ali e podem fazer diferença. A Revista Época há algumas semanas atrás (edição de 27/07/2010), trazia uma reportagem sobre a jovem economista parisiense Esther Duflo, de 38 anos, que em dezembro de 2009, teria sido incluída na lista dos 100 intelectuais mais influentes do planeta pela revista &lt;em&gt;Foreign Policy&lt;/em&gt;. E o que fez Duflo? Filha de um matemático e de uma médica que viajou inúmeras vezes à África em missões assistenciais, ela desde pequena se atribuiu uma missão: reduzir a pobreza mundial. Ao ingressar em seu doutorado, conheceu o economista indiano Abhijit Banerjee, fundador do Laboratório da Pobreza do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e sentiu-se em casa. Pesquisa, ações específicas e criativas em nichos de pobreza extrema como a Índia, Paquistão e África, levaram-na a intervenções importantes que resultaram em mudanças de atitudes em pró de uma vida melhor destas populações. Seu segredo? O respeito e a consideração às tradições e aos costumes locais. Apenas uma ponte nova, um destino alternativo aos muitos que ainda vivem sob condições subumanas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-587210141118320026?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/587210141118320026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/em-espiral.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/587210141118320026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/587210141118320026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/em-espiral.html' title='Em espiral'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-6728221494334263182</id><published>2010-08-05T19:46:00.000-07:00</published><updated>2010-08-05T19:48:38.851-07:00</updated><title type='text'>Um novo caminho</title><content type='html'>O dia está só começando quando o dono de uma agência de notícias de Paris pega a sua mala. Sua expressão é de dor, sua aparência descuidada. Ele dá a volta na cama de casal em busca do olhar de sua mulher, um olhar desesperançado. Ela se apressa a fechar os olhos evitando qualquer palavra. Ao deixar a casa não percebe que seu filho adolescente o fita em silencio. Antes de entrar no taxi que irá levá-lo à estação de trem, passa em um bar e toma duas taças de vinho branco como se fossem água.Em alta velocidade o trem deixa a cidade e a paisagem do campo, com seu verde, rios, montanhas, invade sem pedir passagem. Ao contrário de filmes que nos colocam diante do tormento repetitivo de alcoólatras (Despedida em Las Vegas -1995) ou dos que se drogam até a morte ( Sid &amp;amp; Nancy-1986),este é baseado nos relatos autobiográficos do jornalista e produtor de TV francês Hervé Chabalier (“Le Dernier pour la Route”) quando decide por um basta a este circuito autodestrutivo. Intelectual engajado ideologicamente com o futuro da condição humana, Hervé sabe que precisa de ajuda para se livrar de sua compulsão, mas sofre ao ver-se obrigado a conviver com seus “colegas” de vício na clínica em que se interna. Seguindo algumas máximas do AA - a consagrada e mundialmente difundida reunião de alcoólicos anônimos - todos os que ali estão ou trabalham consideram-se “doentes do vício”, e Hervé passa a fazer parte de um grupo com o qual terá que dividir reuniões, refeições e lazer diariamente. De cara, surpreende-se com o ritual da “oração” repetido a cada manhã: "Que Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir umas das outras". Sente-se invadido pela descrença e começa a duvidar da eficácia de sua escolha. Em tempo, é socorrido pela terapeuta, que o convida a tentar destrinchar o significado e a importância da frase, que impõe a cada um lembrar-se dos motivos pelos quais está ali, ou seja, do quanto ele precisará repensar seus ideais (sua relação consigo, com o outro e com o mundo), à luz de suas possibilidades e limites. Mas Hervé ainda não está preparado para tal reflexão. As constantes piadas e risadas de seus colegas sobre a relação “erotizada” de cada um com a bebida o deixam irritado. Ele está longe do toxicômano em vias de recuperação que reconhece sua impotência perante as drogas, o que talvez pudesse lhe permitir rir de si próprio. O filme é básico na apresentação do percurso de um drogadito que busca o fim do redemoinho que a droga impõe. Mas muito sensível ao mostrar como, apesar de se encontrarem no mesmo barco enfrentando as mesmas tempestades, cada integrante do grupo carrega sua historia de dores e tormentos que o levou à eleição deste “remédio- veneno”. Hervé sofre envergonhado com as lembranças de seus estados de torpor ou “apagamento” em situações inusitadas e de seu choro desesperado pela impotência diante da bebida.Ela, a “bebida”, também era sua salvadora, aquela a quem ele podia se entregar ao buscar cessar a angústia deflagrada pelo hiato entre o que ele percebia ser e o que gostaria ou deveria ser. Um círculo sem fim, em que a tentativa de evitar a realidade ou esquecê-la acaba inexoravelmente falhando, dando lugar a uma intolerável consciência de decrepitude moral e física. Historias de pessoas que às vezes conseguem traçar “um novo caminho”, às vezes não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conferir: Um novo caminho&lt;br /&gt;Nome original: Le Dernier Pour la Route&lt;br /&gt;País: França/2009&lt;br /&gt;Direção: Philippe Godeau&lt;br /&gt;Com: François Cluzet, Mélanie Thierry e Anne Consigny&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-6728221494334263182?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/6728221494334263182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/um-novo-caminho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6728221494334263182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/6728221494334263182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/08/um-novo-caminho.html' title='Um novo caminho'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2631826957327112428</id><published>2010-07-29T18:23:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T18:24:34.402-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Assim caminha a humanidade</title><content type='html'>Sou das que acredita na frase que diz que a infância é nossa pátria. Quantas vezes nos pegamos lembrando fatos, objetos, palavras, cheiros ou sentimentos desta época de nossas vidas a partir de algo que vemos ou vivemos no presente? Foi assim que pude resgatar um empoeirado sonho de possuir um diário quando pequena. Não qualquer um, mas um especial, que tivesse uma capa acolchoada branca com os dizeres “Meu Diário” em dourado e que ficasse guardado em algum lugar cujo acesso só eu teria. De família numerosa e do interior, cresci rodeada de irmãos, primos, quintal e rua para brincar, sem lugar e tempo para este colóquio interno comigo mesma. Mas me perdi em livros os mais diversos na minha pré-adolescência, aproveitando-me do fato de morar a uma quadra da Biblioteca Municipal. Às vezes me imaginava escrevendo, sempre com aquele começo romântico - querido diário- para em seguida contar em palavras bonitas e escolhidas a dedo, sobre o meu dia, meus feitos, meus desejos. Como seria bom falar com um terceiro “sem nome” sobre o que me inquietasse a alma, fossem questões não resolvidas ou aquelas que ultrapassassem as possibilidades de entendimento. Um interlocutor, alguém eleito para confiar meus mais secretos sentimentos. Já cursando a faculdade e (nem tão) longe de minha família, cheguei a ter um caderno brochura comprado especialmente para cumprir esta tarefa de companheiro especular, que pudesse escutar e guardar em um lugar seguro e acessível, as conjecturas sangradas nos momentos de angustia, solidão e desamparo. Mas foi por pouco tempo. Ainda guardo o caderno, já com muitos anos de vida, esquecido em alguma caixa, junto às cartas trocadas com meus pais e irmãos na época, pedaço importante de um período significativo em que precisamos costurar nossa infância com nosso futuro de adultos. Assim como a história da evolução da própria humanidade com todas as aquisições que isto significa em termos de conhecimento e de reflexões sobre os modos de se explicar e responder as indagações que fazemos sobre nós, os outros e a realidade, é fundamental que possamos ressignificar nossas lembranças da infância, ajustando-as aos nossos ideais do presente. Mas ao contrário de algumas décadas atrás, quando nasci, hoje existem novas e inusitadas opções para se dividir os momentos de satisfação e de angústia que cada um enfrenta em seu cotidiano. Há uma geração “conta-tudo” que nasceu na era do acesso à rede e que costuma compartilhar qualquer coisa de sua vida na web. Aos trancos e barrancos, acertos e erros, esta geração terá que se haver com as conseqüências (boas e más) deste peculiar modo de se estar e viver no mundo atual. A “visibilidade” na web pode favorecer a divulgação de talentos, trabalhos e pensamentos que nem sequer seriam veiculados, possibilitando parcerias ou soluções. Mas pode ser cruel, assim como a “vida real”, caso as informações postadas não possam contar com alguma reflexão sobre seus possíveis destinos. Ao contrário dos pequenos diários escritos por muitos que já se foram, para este mundo web, não há como restringir ou limitar o acesso dos leitores, nem impedir que cada um interprete o que lê como bem quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2631826957327112428?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2631826957327112428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/assim-caminha-humanidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2631826957327112428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2631826957327112428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/assim-caminha-humanidade.html' title='Assim caminha a humanidade'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5294201386169417301</id><published>2010-07-29T17:23:00.000-07:00</published><updated>2010-11-20T04:20:07.921-08:00</updated><title type='text'>o prato é nosso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ogGKe7h9hs4/TFIbamTH_4I/AAAAAAAAAxU/brD4xrsfuYI/s1600/pratos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CLEAR: both" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ogGKe7h9hs4/TFIbamTH_4I/AAAAAAAAAxU/brD4xrsfuYI/s160/pratos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: left; CLEAR: both"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-BOTTOM: 0px; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; BORDER-TOP: 0px; BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px; -moz-background-clip: initial; -moz-background-origin: initial; -moz-background-inline-policy: initial" border="0" alt="Posted by Picasa" align="middle" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5294201386169417301?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5294201386169417301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/o-prato-e-nosso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5294201386169417301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5294201386169417301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/o-prato-e-nosso.html' title='o prato é nosso'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ogGKe7h9hs4/TFIbamTH_4I/AAAAAAAAAxU/brD4xrsfuYI/s72-c/pratos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5144637570351194786</id><published>2010-07-28T04:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-28T04:46:57.707-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Um crime para dar o que falar</title><content type='html'>Ainda em clima de Copa do Mundo, quando de quatro em quatro anos nosso país pára e lojas, bancos, escolas e tudo mais seguem os ditames da tabela de jogos, fomos surpreendidos com a notícia de um crime bizarro cujo personagem central seria o goleiro de um dos times mais cultuados do Brasil, ganhador de dois títulos importantes no ano passado. Conhecido como a Nação Rubro Negra por ter o maior contingente de torcedores, o Flamengo é tipicamente carioca e coleciona, dentre suas estrelas, algumas polemicas como as de Romário e Edmundo e mais recentemente Adriano, exemplos de atletas que freqüentam tanto as páginas de esportes como as de celebridades excêntricas. A notícia de que Bruno, o aclamado goleiro do Flamengo, seria o mandante da morte de uma ex-namorada e mãe de um possível filho seu, passou a fazer parte do dia a dia dos noticiários de todos os jornais do país. Nas capas de revistas, um homem alto, moreno, corpo atlético, chamava a atenção por sua face inexpressiva, impassível. Como acontece em crimes deste porte, passamos a ler curiosamente os detalhes da novela que antecedeu a tragédia, ligando fatos, ameaças, confissões, denúncias, relatos de testemunhas, estória de vida de cada um. Em qualquer lugar, este seria o assunto a ser discutido, provocando surpresa, horror, repulsa, enfim, trocas inflamadas de pareceres sobre os motivos ou o destino de Bruno. Vindo de uma família pobre, criado pela avó, o goleiro tinha boas razões para se orgulhar de sua conquista, fosse pelo salário de causar inveja a qualquer um ou pelas chances de realizar o sonho acalentado de jogar na próxima copa defendendo a seleção brasileira. Já Eliza, a mãe de Bruninho, depois de vagar à procura de um lugar ao sol talvez sonhasse em ser amparada pelo goleiro, via a comprovação de sua paternidade. Até aí, são estórias banais iguais as de milhões de pessoas que anseiam por este pequeno espaço habitado pelos que ganham dinheiro e fama. Mas a de Bruno tem um “plus”, um “não sei o quê” que reverte as expectativas, que ultrapassa os limites. Ele acredita que sua lei pode ser a lei de seu desejo, de suas escolhas e de suas avaliações sobre o mundo e as pessoas. Ele parece não temer as conseqüências de seus atos e longe disso, reitera a lógica que o fez descartar a mulher que o importunava com o pedido de reconhecimento de um filho que ele não queria. Nossa consciência crítica, aquela que gerencia nossas satisfações e nossas culpas diante do que consideramos transgressivo faz com que nos choquemos diante desta “im-passividade”. A ausência de arrependimento, de vontade de reparação ou consideração causa-nos tal estranhamento que passamos a compactuar com os que decidem “abandonar” o goleiro à própria sorte. Que ele seja entregue aos famintos leões e consumido vivo! De nossas janelas, assistimos ao mesmo tempo imparciais (seguros) e intrometidos os indícios de assassinato, os destinos dos envolvidos, tal e qual em um filme de suspense que nos provoca medo e alívio ao mesmo tempo. Medo dos afetos e sentimentos que podem nos surpreender e alívio por estarmos fora, apenas assistindo. De repente um fato questiona estas previsões: uma criança vestida com a camisa do Flamengo, de mãos dadas com o pai, pede ao repórter para dizer ao Bruno que ela o ama. Crenças infantis, das quais muito penosamente nos livramos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5144637570351194786?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5144637570351194786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/um-crime-para-dar-o-que-falar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5144637570351194786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5144637570351194786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/um-crime-para-dar-o-que-falar.html' title='Um crime para dar o que falar'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2451962518796726490</id><published>2010-07-14T19:16:00.000-07:00</published><updated>2010-11-14T08:00:21.964-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>Mercado de almas</title><content type='html'>O que você diria se soubesse que uma empresa oferece um serviço de remoção e depósito de almas? Pois este é o fio que conduz um filme que está em cartaz na capital (&lt;strong&gt;Almas à venda&lt;/strong&gt;) em que um reverenciado ator prestes a estrear a conhecida peça de teatro “Tio Vania” do russo Tchecov, encontra-se angustiado, longe do “tom” que ele considera necessário para a interpretação de um personagem tão importante da literatura. Sem conseguir dormir, atormentado e desesperado, aceita a dica de seu agente e decide se desfazer de sua alma, em busca de alívio. Mas já “desalmado”, percebe que a peça em questão reflete justamente sobre o que fazemos com o nosso tempo, nossas relações, nossa existência e sem o “peso” da alma e seus incômodos, ele teria se transformado em alguém irreconhecível, desafetado e insensível. Apesar do nonsense do tema, a diretora (Sophie Barthes) parece ter pretendido tratar de forma irônica e crítica, a velha questão sobre os mistérios da alma humana. O serviço oferecido por uma espécie de clínica de Nova York tem à sua frente um médico que promete aos que o procuram, uma vida menos carregada pelos afetos, sentimentos e emoções humanas, sem que isso altere sua inteligência. E mais: caso sintam-se “vazios” demais, é possível “alugar’ por uns tempos a alma de outra pessoa. Em um ambiente “clean” e super moderno o ator deverá passar por uma espécie de aparelho semelhante aos que realizam as tomografias e antes que sua alma seja extirpada (e devidamente guardada) o médico lhe oferece uma espécie de binóculos especiais com o qual ele pode examiná-la pela ultima vez. Surpreso e aterrorizado com esta possibilidade, ele opta por não “saber” nada sobre ela. O filme começa com uma frase de Descartes, o filósofo e matemático que ficou conhecido por ter tentado separar o que seria da alma do que pertencia ao corpo humano, inaugurando os preceitos para a Ciência moderna. Na frase, Descartes afirma que nossa alma seria uma glândula em nosso cérebro, possível de ser identificada e extirpada. Segundo sua teoria, as emoções serviriam para alertar sobre o que estaria funcionando mal em nossos organismos, e a força da alma estaria ligada a possibilidade de vencer as emoções ou não se deixar dominar por elas. Grande parte do entendimento sobre as emoções e sua influencia sobre o nosso comportamento tem sido marcado por este dualismo mente e corpo, dando uma idéia de gerenciamento neutro da razão sobre as emoções. No filme, a possibilidade de retirar, devolver ou “trocar” a alma por uma de outra pessoa, é apenas uma paródia sobre esta suposição de controle, que não deixa de ser algo amplamente ansiado por todos nós. Na contramão desta visão sobre nosso funcionamento, a psicanálise acredita que a integração entre a psique e o soma seria a base de um desenvolvimento harmonioso. Desde o nosso nascimento e a partir dos cuidados dispensados ao nosso corpo, nossa psique estaria elaborando uma memória afetiva em que estariam sendo significados cada sensação experimentada. Longe de ser algo simples, ao questionar as clássicas divisões entre natureza e cultura, razão e emoção, mente e corpo, a psicanálise acredita que haja uma lógica nas emoções, sempre portadoras de sentido mesmo quando beiram o nonsense. Nosso “aparelho psíquico” interpretaria desde o inicio nossas experiências emocionais e é esperado que possamos desenvolver “ferramentas” internas para conter as intensidades e excitações que nos chegam tanto de nosso interior, quanto de fora. Nada disso estaria fora do que poetas e artistas insistem em apontar e é o que este filme pretende problematizar. A trama ainda percorre caminhos inspirados até que o nosso ator possa retomar sua “velha e boa alma”. Obrigado pelas circunstancias a finalmente encará-la, sua aflição e desespero dão lugar a uma compreensão de seus sentimentos e afetos. Mais ajustado com os “ruídos” de sua alma, ele pode fazer suas escolhas sem tanta angustia.&lt;br /&gt;Para conferir:&lt;br /&gt;"Almas à Venda" (Cold Souls, EUA, França, 2009)&lt;br /&gt;Com Paul Giamatti, Dina Korzun, David Strathairn e Emily Watson.&lt;br /&gt;Direção de Sophie Barthes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2451962518796726490?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2451962518796726490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/mercado-de-almas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2451962518796726490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2451962518796726490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/mercado-de-almas.html' title='Mercado de almas'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-7526689107556007551</id><published>2010-07-08T08:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-11T07:22:45.241-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Entre alegria e decepção</title><content type='html'>Todo brasileiro sabe que os dias que antecedem às Copas Mundiais de Futebol também anunciam que o país entrará em recesso. Há uma espera ansiosa pelos momentos dos gols que deverão definir a vitória do time verde e amarelo. É comum que os dias em que há jogos do Brasil já amanheçam diferentes, nervosos. Ao passear pelas ruas minutos antes do início das partidas percebe-se uma transformação da população em um grande coletivo nacional e todos parecem estar confortavelmente instalados em um “big buffet infantil”. Não há diferenças de idades, raças, aparências: está concedida uma informal licença do cotidiano que autoriza cada um a vestir qualquer coisa que lembre a identidade patriota, sejam grandes chapéus, fitas,vuvuzelas,apitos, bandeiras. Carros buzinam incessantemente , sejam a lembrar que já é hora de estar a postos em alguma tela, ou para alardear a inquietação que virá com o tempo de espera que cada partida impõe. Bares, padarias e restaurantes embandeirados disputam a clientela exibindo grandes e moderníssimas TVs ligadas no alto e exaltado som dos locutores. Levas de funcionários tagarelas e devidamente aparelhados de algum item verde-amarelo saem de suas empresas em direção a algum local eleito para ver o jogo. A diferença de fuso horário entre a África e o Brasil definiu (sem qualquer oposição) alguns semi-feriados nacionais: grandes e pequenas empresas, chefes e subalternos, patrões e empregados não discutiram tal prerrogativa. É provável que em nenhum outro país a população acedesse tão prontamente ao parêntesis geral formado pelos jogos nacionais. Canais de TV, pagos ou gratuitos ofertaram seus pacotes de celebridades: locutores mais disputados, ex-jogadores (e craques) mais dispostos a emprestar sua experiência para palpitar sobre as melhores estratégias, grandes “teóricos” (mais conhecidos como boleiros), que a cada jogo se reuniam em torno de uma mesa desde o amanhecer até o final da noite, no antes e no depois, comentando, criticando, justificando ou crucificando jogadores e técnicos. Pela tela era possível também conhecer um pouco mais da África, este país meio irmão nas cores, na música, nos desafios e na diversidade cultural de seu continente. Era franca e maciça a torcida africana dedicada ao Brasil. E, ainda que a seleção brasileira houvesse decepcionado desde sua estréia,a esperança de um próximo jogo que fizesse brilhar o melhor futebol do mundo continuou a alimentar a grande maioria. Ninguém queria ouvir a temida frase que sela o fato do futebol ser “uma caixinha de surpresas”. Há que se tentar prever e controlar possíveis furos. Vários jornalistas, colunistas de áreas as mais diversas (cinema, economia, cultura, política) derramaram suas análises sobre os rumos da seleção de Dunga, sobre a Copa, os times adversários, ditaram regras, tentaram consertar táticas. Com tamanho investimento pessoal de cada torcedor, era natural que a derrota fosse sofrida e, apesar de tudo, inesperada. Muito doída mesmo. Como consolar o país, todo vestido de verde e amarelo, sobre um resultado adverso? Teria sido o imponderável, o caráter imprevisível de todo jogo (a jabulani ?) ou a equivocada convocação dos jogadores e as estratégias armadas por seu técnico? Foi despreparo psicológico? De heróis a vilões, jogadores e técnicos evitaram aparecer nas telas e encarar o olhar de tantos. E no dia seguinte o grito parado explode no samba feito para a seleção da Alemanha. Nossos “irmãos” e arquirivais argentinos são duramente eliminados. Ainda na festa do parque infantil, vestidos de verde amarelo, respiramos aliviados. A Alemanha é outra cultura, outro mundo, outro futebol. A Argentina campeã do mundo iria doer demais. São demasiadamente vizinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-7526689107556007551?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/7526689107556007551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/entre-alegria-e-decepcao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7526689107556007551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/7526689107556007551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/entre-alegria-e-decepcao.html' title='Entre alegria e decepção'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5697783671054851674</id><published>2010-07-03T12:24:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T12:29:54.399-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Saramago</title><content type='html'>Final de janeiro de 2005 em Porto Alegre. Fazia muito calor e os dias lindos de sol e céu azul combinavam com o colorido da multidão diversificada que comparecia ao Fórum Social Mundial. Éramos um grupo de psicanalistas convocados por Paulina Rocha (psicanalista de origem croata que vive em Recife desde a década de 70) para escutar os sons que viessem deste inusitado encontro de pessoas do mundo todo em busca de trocas de idéias sobre os rumos de nossa condição humana. Havia uma fila imensa para entrar no Auditório Araújo Viana, local em que deveriam se apresentar os escritores, o português José Saramago e o uruguaio Eduardo Galeano em uma conferencia denominada “Quixotes de Hoje: Política e Utopia”. De minha parte havia uma especial expectativa em torno dos pronunciamentos que viriam de Saramago, autor de obras singulares como “O evangelho segundo Jesus Cristo” ou  “Ensaio sobre a cegueira”.Um escritor que não se afastava de seu papel de vivente contemporâneo, ao colocar suas idéias sempre voltadas ao futuro dos homens e de seu mundo. Foi um encontro feliz. Jamais me esquecerei de sua postura humilde, sensível e sagaz, ao se colocar frontalmente contra a idéia de qualquer utopia que pudesse funcionar como ideologia anestesiante. Saramago já estava com mais de 80 anos e sua luta era pela vida, mas isso significava trabalho: um trabalho permanente de reflexão, de ações, de comprometimento com o que poderia fazer sentido para o futuro humano. Que não nos alienássemos em utopias confeccionadas para preencher nossos sonhos. Dom Quixote teria habitado outras terras, outras épocas mais românticas, em busca de um mundo mais justo. A vida deste escritor é de fato uma luta. Contra qualquer designação do destino, Saramago vinha de uma família de analfabetos humildes e nem imaginava que pudesse se tornar um escritor. Mas quando convocado a falar sobre si e sua vida não se utilizava de uma ética ressentida, comum a muitos que parecem querer se vingar de empecilhos injustos do passado; ao contrário, apresentava-se de forma consistente e robusta como cidadão do mundo em seu estágio atual. Lúcido, doce e simpático, parecia afirmar reiteradamente o presente como forma de pensar o futuro, quem sabe um sinal de sua ânsia pela possibilidade de apreender definitivamente o sentido da vida, mas não para guardá-la para si. Fazia uso da condição de prêmio Nobel para reivindicar a escuta de sua voz. Aos 63 anos deixou-se afetar e viveu intensamente sua paixão por Pilar, a jornalista espanhola e sevilhana, 28 anos mais jovem, que se enamorou primeiramente do escritor, o que a fez desejar conhecer o ser atrás do livro. Todos os seus futuros livros mereceriam uma citação à sua musa inspiradora, como a reiterar uma de suas frases mais imponentes: a de que “nossa única defesa contra a morte, é o amor”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5697783671054851674?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5697783671054851674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/saramago.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5697783671054851674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5697783671054851674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/saramago.html' title='Saramago'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4051521448409339730</id><published>2010-07-01T06:49:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T06:50:01.664-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Possíveis razões de desrazões</title><content type='html'>Conhecido por suas afirmações que ora celebram a si próprio ora desmentem falcatruas que o envolvem, o deputado Paulo Maluf anda dizendo não temer que a Lei da Ficha Limpa impeça sua candidatura à reeleição à Câmara Federal, ou mesmo que seu registro seja negado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ao contrário, utilizando suas estratégicas frases repetiu: "A minha ficha é a mais limpa do Brasil". Condenado em decisão colegiada há dois meses por compra superfaturada de frangos em 1996, então prefeito de São Paulo, Maluf também é procurado pela Interpol fora do país, tem seus bens bloqueados pela Justiça brasileira, processos por crimes financeiros, de lavagem de dinheiro e contra a administração pública. Como é sabido, o projeto Ficha Limpa nasceu de uma campanha lançada em 2008 e coletou mais de 1,5 milhão de assinaturas de eleitores que exigiam uma “limpeza” em nossos órgãos representativos , graças às possibilidades de comunicação e intercâmbios que a internet propicia. Espaço democrático por excelência, muitas vezes a diversidade e velocidade com que as notícias daqui e do mundo circulam virtualmente permite que possamos conferir, avaliar, compartilhar, criticar, etc. Assim é possível saber que o PSDB de José Serra decidiu recentemente apoiar a candidatura do ex-governador Joaquim Roriz para o Distrito Federal, mesmo diante do fato deste ter tido que renunciar ao Senado em 2007, resultado de uma investigação sobre desvios ocorridos no Banco Regional de Brasília. Sabemos que às vésperas de eleições de tal porte como as de presidente do país e governadores, um número sem fim de acordos e apoios políticos tramita veladamente entre os candidatos, todos em busca de votos e lugares garantidos. Neste sentido tanto Maluf quanto Roriz (e sem dúvida poderíamos acrescentar muitos outros políticos brasileiros) representa algo que os transcende: mantêm uma eterna porcentagem de eleitores que, sem se importarem com suas contravenções ou seus discursos estritamente demagógicos, continuam fiéis em seus votos. Porque estes eleitores parecem permanecer impermeáveis às denúncias ou aos desmascaramentos públicos de seus favoritos? Como explicar o fascínio de muitos de nós diante de certos líderes que, ao contrário do que se espera de uma autoridade pública, não se importam em manter uma “ficha” pessoal pautada por uma ética transparente? É possível que a atração exercida por estes políticos (assim como por certas “celebridades”) esteja no fato destes serem portadores de uma audácia que a grande maioria de nós gostaríamos de ter com a lei, mas que ao longo de nossas vidas tivemos que interditar a favor de nossa convivência com os outros. É como se pudéssemos realizar através deles, nosso desejo de transgredir, de não precisar nos submeter às regras sociais que nos cerceiam e nos obrigam a levar em consideração os direitos iguais que a lei tenta garantir a todos. De forma simplória seria como se pudéssemos agir em interesse próprio sem que isso nos prejudicasse legalmente, nos comprometesse moralmente ou nos enlouquecesse internamente por nosso sentimento de culpa. E como não nos autorizamos a isso por todas as conseqüências que as transgressões às leis ou às normas demandam, alguns de nós desloca seu desejo através de votos ou devoção aos que conseguem driblar este funcionamento e sair aparentemente ileso. As razões destas desrazões não são fáceis de serem detectadas, mas podem ser explicadas. Quando crianças podemos explorar, exagerar e transgredir seguindo somente nossas satisfações.Não importa muito se as nossas intenções ou se o que fazemos irá perturbar o outro. Mas é graças aos cuidados de nossos pais ou de quem quer que ocupe este lugar que seremos alertados sobre o que podemos causar aos outros e convidados a sentirmos o que os outros podem estar vivendo em suas dores ou desconfortos. É assim que construímos nossos sentimentos morais de vergonha, culpa e nojo e será de porte destes que poderemos ter consideração às misérias alheias, nos arrepender de atos danosos ou desejarmos repará-los. Muitos (espera-se que seja a maioria) irão fazer suas escolhas, mesmo que à custa de renúncias e resignações, pautados nestes sentimentos de consideração ao outro e ao coletivo. Alguns, porém, formarão o time dos que buscam incessantemente o poder ou a fama como lugares que os isentam de seus compromissos com os outros. Por isso a cultura (nós) precisa reiterar indefinidamente seus mecanismos de regulação das relações entre as pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4051521448409339730?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4051521448409339730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/possiveis-razoes-de-desrazoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4051521448409339730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4051521448409339730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/07/possiveis-razoes-de-desrazoes.html' title='Possíveis razões de desrazões'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4743866688655259131</id><published>2010-06-22T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T16:01:50.827-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Paixão consentida</title><content type='html'>Estréia do Brasil na copa do mundo de 2010. A maioria dos estabelecimentos, empresas, escolas e serviços se organizam para que o país possa parar. São poucos carros nas ruas, muitos almoços com telonas e o verde-amarelo a encher os olhos de todos. O técnico de futebol que vive em cada um de nós, brasileiros, seja homem, mulher, criança ou idoso, assume seu posto de análise e vigia, enquanto Dunga, tanto pode ganhar como perder pontos, a depender do desenrolar da partida. Não deixa de ser interessante perceber que quase todos nós temos lembranças significativas em torno do clima especial que se instala em épocas de Copas do Mundo. Das expectativas, das decepções nas derrotas, do júbilo pelas vitórias. Dos jogos acompanhados ao redor de um rádio (para os mais “antiguinhos”), na tela branca e preta ou finalmente nas coloridas. Dos buzinaços e cortejos de carros após algumas conquistas de títulos. Desde algumas décadas, os jogadores escolhidos um a um para jogar na seleção brasileira de futebol das copas mundiais, habitam este lugar de limbo, e tanto podem seguir direto ao paraíso, eternizados por suas jogadas inesperadas e criativas e seus gols de craques, ou ao inferno, por suas falhas imperdoáveis. Sendo ou não o país das chuteiras, a verdade é que por várias e nem tão simples razões, o futebol vem se mantendo como uma poderosa paixão, capaz de despertar um forte sentimento de irmandade e identidade nacional. Mas ainda que haja uma concordância em torno de seu alto valor sócio-cultural e uma reverencia à sua arte pelo mundo afora, parece difícil escrever sobre o tema ou sobre a forte emoção que ele provoca. Como explicar o que causa &lt;em&gt;frisson&lt;/em&gt; e admiração geral ao estilo de nossas partidas? Ou o fascínio de seus torcedores, capaz de derrubar as fronteiras raciais e sociais? Claro que existem outros tipos de esportes coletivos cujas características capturam torcedores, mas nenhum se compara ao futebol. Talvez por permitir que suas jogadas sejam mais abertas ao estilo e à intuição de cada jogador e menos submetidas às estratégias prévias que exigem somente técnica e perfeição, é que ouvimos comumente a expressão “futebol arte”. E assim como acontece em nossa música, difundida e reconhecida para além de nossas fronteiras geográficas, nosso futebol se alimenta desta liberdade que todos os brasileiros têm ao seu alcance, independente de origem e estudos. A de brincar com a bola nos pés desde que nascem ou a de gritar gol se a bola entra em qualquer trave improvisada. E pode se constituir em uma meta para centenas de jovens que sonham em vestir as camisas de seus clubes ou da seleção ou proporcionar uma experiência única de compartilhamento informal e gratuito de alegria. Claro, nem tudo são flores. Na medida em que nosso futebol se transforma no melhor do mundo, nos ombros de cada jogador eleito repousa o fardo que carrega a expectativa não só de todo um país, mas de muitos apreciadores estrangeiros. Não é difícil imaginarmos como cada um deles poderá se sentir intimidado e/ou temeroso diante da possibilidade de não conseguir corresponder a este tipo de exigência. Haja confiança!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4743866688655259131?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4743866688655259131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/06/paixao-consentida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4743866688655259131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4743866688655259131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/06/paixao-consentida.html' title='Paixão consentida'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-4372188495258450835</id><published>2010-06-11T05:11:00.000-07:00</published><updated>2010-06-11T05:12:47.071-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>O si mesmo</title><content type='html'>Fala-se muito no sentimento de si, no amor a si mesmo, na badalada auto estima e parece haver um certo consenso sobre o fato de em nosso mundo atual haver mais espaço para uma exaltação do eu. Para quem aprecia literatura, por exemplo, a estética das narrativas da época áurea do romantismo privilegiava o recato em relação a uma exposição vaidosa de si, o que fazia com que os personagens fossem discretos quando se descreviam aos outros, evitando valorizar em demasia seus talentos, atos ou renúncias. Eram tempos em que a etiqueta social carregava normas bastante específicas e a elegância implicava em uma reserva da intimidade de todos. Se pudéssemos ser simplórios com um tema tão complexo quanto as práticas sociais e culturais de cada época, era só fazer o jogo do “contrário”. Tornou-se prática comum o falar de si, o que inclui livros, blogs, entrevistas em que o personagem é o próprio sujeito, sua história, seu passado, suas idiossincrasias, suas receitas, sua maneira de estar e pensar a vida. E não há restrições de verbos e adjetivos enaltecedores. Transformamo-nos em narcisistas. Mas é bom que se saiba que o mito de Narciso não cabe apenas na frase do amor a si mesmo. Desde seu nascimento o belo Narciso estava condenado a não se olhar, pois isto implicaria em sua morte. Apaixonada por ele, Eco não consegue mais do que sua indiferença e acaba por morrer, deixando “ecoar” para sempre seu lamento. Responsabilizado pela morte dela, Narciso é conduzido à lagoa em que Eco morrera e ao contemplar sua imagem refletida nas águas, apaixona-se por si mesmo e morre. Estamos diante da característica principal do narcisismo, esta etapa a qual todas as crianças precisam passar como parte importante da formação de uma imagem de si mesmos, quando o olhar dos pais devolvem a elas sua adorável imagem e os outros são apenas reflexos deste si mesmo, não sendo possível enxergá-los como diferentes porque sua fragilidade não lhes permite saber que desde o começo de sua história, estes “outros”estão à sua volta para amar, cuidar, punir, frustrar, trair. Por isso Narciso oscila constantemente entre a euforia pelo reconhecimento de uma imagem engrandecedora e adorada e a agressividade contra o espelho que muitas vezes (e no decorrer da vida cada vez mais) lhe nega esta imagem idealizada de si. Mas Narciso é também um mito lembrado na era atual porque encarna nosso anseio de ser alguém que ao ficar fechado em um grande amor por si mesmo, não precisa de mais ninguém. Quem de nós já não teve seus sonhos de autonomia total, longe de todos e tudo, somente em “paz” consigo mesmo, sem a necessidade de ter que “responder” a todas as demandas de seu meio e mais, a todas as demandas de sua consciência crítica, aquela que mede de modo permanente e infernal a imagem que achamos que temos de nós, a imagem que achamos que os outros tem e aquela que queríamos ter? Ao contrário do que imaginamos, no entanto, para se ter uma boa “auto estima” é necessário reconhecer de alguma forma não só que o controle sobre esta “imagem de si” não está em nossas mãos mas que ela é altamente instável e precária. Portanto, um sentimento de si que possa compensar esta fragilidade é sempre uma conquista, pois implica “suportar” que os outros tenham uma imagem de si mesmos diferentes, assim como refletem nossa imagem de maneiras as mais inesperadas. Se esta descoberta nos expõe ao curso da vida, ela introduz ao nosso antes pobre vocabulário, uma infinidade de verbos e adjetivos novos. (Claro, nem todos prazerosos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-4372188495258450835?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/4372188495258450835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/06/o-si-mesmo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4372188495258450835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/4372188495258450835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/06/o-si-mesmo.html' title='O si mesmo'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-1313180546834002264</id><published>2010-06-08T17:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-08T17:40:36.152-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Busca-se sentido</title><content type='html'>O mundo hoje pede alegria, confiança, euforia, velocidade. Precisamos demonstrar que vamos conseguir nossos objetivos e que tudo vale a pena. Este parece ser “o segredo” do sucesso e da felicidade e muitas vezes embarcarmos na promessa de que a felicidade e o bem estar estaria ao alcance de todos que souberem se organizar para bem produzir e consumir. Seria esta nossa utopia pós moderna? Acreditar que o saber tecnocientífico que nos antecede guarda toda e qualquer interrogação sobre nossa humanidade e seu futuro e a nós resta aprender a 'gerir' da melhor forma sua eficácia, a valorizar sua gestão? Caberia às futuras famílias e escolas transformarem-se em experts ,aptos a enquadrar cada novo ser humano em categorias ordenadoras previamente estabelecidas, que pressupõem uma descrição detalhada e cada vez mais refinada, em um movimento classificatório que tende ao infinito? Etiquetados, poderíamos finalmente ser “desviantes”, desde que com alguma causa cientificamente explicada, bem descrita. Alguns teriam pânico, bulimia, esclerose múltipla, outros TDAH (transtorno de déficit de atenção e de hiperatividade), depressão, transtorno bipolar, etc. A verdade é que o paradigma contemporâneo tenta anular qualquer interrogação frente ao sofrimento, ao improvável, em uma luta contra o insuportável da experiência humana da ambivalência. Insistimos em tornar o mundo legível, instrutivo, em naturalizar a experiência humana, transformando nossas opções (fruto de nossa subjetividade) em necessidades naturais. Mas o preço pelo congelamento de nossos conflitos é alto e produz um esvaziamento da vida subjetiva, um embotamento da criatividade. Perdemos uma parte importante de nós mesmos. Um fenômeno ilustrativo deste dilema é o aumento de drogaditos. Em geral fazemos um grande estardalhaço (com razão) em torno dos usuários de cocaína ou de crack , pessoas que se tornam zumbis, totalmente apassivados em sua anestesia diária e interminável.Mas estes “desviantes” nos informam, de alguma maneira, sobre nossos sintomas sociais, ao demonstrarem sua inaptidão para as experiências humanas de sofrimento, de dúvidas, de excesso ou carência de sentidos.&lt;br /&gt;E o que nos faz humanos?&lt;br /&gt;Poderia ser nossa possibilidade de falar, que em sua origem apontaria para a necessidade de nos comunicarmos uns com os outros. A condição humana não pode prescindir da relação com um outro. Nascemos prematuros e não conseguiríamos sobreviver se não fossemos cuidados por um outro. Mas não basta ser um outro anônimo, qualquer, sem um endereçamento para cada um de nós. Precisamos que seja alguém que dê um sentido à nossa existência, nos dê um nome, um legado simbólico, uma origem que nos anteceda. Algo que nos possibilite contar alguma historia sobre nós, nos situar, poder dizer de onde viemos e para onde queremos, sonhamos ou podemos ir. No percurso que cada um faz, levando suas heranças em busca de novas conquistas há sofrimentos, há dores que expressam nossas impossibilidades e que precisam e podem buscar circulação de sentidos,que permitam fluir, criar, inventar e produzir caminhos novos e inusitados. Se nossas escolhas forem por caminhos que se mostrem fechados, há sempre novas chances de "reconstrução" de nós mesmos e novos futuros à frente. Para quem como eu, que trabalha com a escuta de vidas humanas, é sempre alentador se deparar com o fato de que tenhamos recursos inimagináveis para lidar com situações as mais atrozes.Muitas vezes absorvemos essas experiências e as transformamos em novos sentidos para as nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-1313180546834002264?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/1313180546834002264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/06/busca-se-sentido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1313180546834002264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/1313180546834002264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/06/busca-se-sentido.html' title='Busca-se sentido'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-5443964396458935272</id><published>2010-05-27T04:04:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T17:05:35.044-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meu brasil brasileiro'/><title type='text'>Por que  Aline?</title><content type='html'>Na história recente de nosso país é possível mapear o surgimento e a consolidação das tirinhas de humor produzidas por artistas brasileiros, muitos deles reverenciados principalmente pelo público jovem. Ainda que as tiras em nossos jornais já existissem desde o começo do século XX, a partir dos anos 60 e 70, a despeito de uma maior divulgação das histórias em quadrinhos que cumpriam com êxito uma função mais política do que só de entretenimento, foi possível acompanhar as aventuras de personagens como os da turma de &lt;strong&gt;Charlie Brown&lt;/strong&gt; (do cartunista americano Shulz), ou da &lt;strong&gt;Mafalda&lt;/strong&gt; (criação do argentino Quino), a garota “filósofa”, questionadora e politizada, capaz de deixar seus pais perplexos diante de suas avaliações sociológicas. Ambos os autores utilizavam-se do universo infantil para produzir suas críticas sociais: crianças de classe média, que vão à escola, possuem amigos e se aproveitam deste cotidiano para questionar o tempo todo o mundo adulto burguês e engessado pelas formalidades, injustiças e preconceitos de sua época. É certo que a garotinha &lt;strong&gt;Mafalda&lt;/strong&gt; era mais ousada e não poupava sua mãe de suas sacadas irônicas ao enfatizar o papel inferior ocupado pela mulher, que não questionava suas obrigações de dona de casa e de mãe dedicada. Pode-se dizer que Quino soube ilustrar com firmeza e delicadeza a trajetória feminina na defesa de seus direitos. Se aqui já era possível perceber a construção de personagens menos heróicos e mais humanos, muito mais próximos das questões enfrentadas pela maioria de seus leitores, a partir da década de 80, com a queda de utopias sociais, religiosas ou moralistas, os quadrinistas passam a ficar mais próximos de sua existência cotidiana, da reflexão sobre seus valores, das questões de gêneros, em uma exaltação à liberdade de pensar e criar. Surge um número significativo e importante de cartunistas brasileiros, que começam a produzir histórias e personagens nascidos das entranhas de nossa cultura, mas também de uma cultura que já tomava o bonde do pós moderno, ou seja, de uma pós revolução dos costumes, da ordem social. Uma era em que caberia a cada um construir novas referências em cima das cinzas das passadas, líquido fértil para se recriar a realidade através do humor, um humor mais transgressor, mais urbano, embora mantendo uma verve política, erótica e comportamental. Passam a desfilar tipos masculinos caricatos como o &lt;strong&gt;Meiaoito,&lt;/strong&gt; o militante de esquerda que ainda se apega a seus ideais em um mundo em transformação, os velhos hippies &lt;strong&gt;Wood e Stock&lt;/strong&gt; deslocados no tempo, o punk &lt;strong&gt;Bob Cuspe&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Walter Ego&lt;/strong&gt;, o apaixonado por si mesmo, &lt;strong&gt;Osgarmo &lt;/strong&gt;e seus problemas de ejaculação precoce, &lt;strong&gt;Hippo-Glós&lt;/strong&gt; o hipocondríaco, ou o conquistador machista e mais do que confiante &lt;strong&gt;Bibelô&lt;/strong&gt;, todos criações de Angeli, que refletem a estupefação e os conflitos do homem de sua geração, que além de suas próprias questões de identidade, também têm que enfrentar uma mulher emancipada pelas conquistas feministas, cuja liberdade os assusta. Mas os tipos femininos não ficam atrás em suas angústias. Quem não se lembra da emblemática &lt;strong&gt;Rê Bordosa&lt;/strong&gt;, que passava a noite bebendo e paquerando nos bares e, no dia seguinte, instalada em sua banheira, tentava recordar o que lhe aconteceu? Ou da famosa &lt;strong&gt;Dona Marta&lt;/strong&gt;, a secretária imortalizada por Glauco, que assediava office boys ou chefes de seu escritório, intimidando-os? Glauco ainda nos presenteou com o &lt;strong&gt;Casal Neuras,&lt;/strong&gt; revelando os bastidores das relações amorosas sempre perpassadas pelos rompantes de ciúmes, o medo das traições e as ameaças de abandonos; e as aventuras de &lt;strong&gt;Geraldinho,&lt;/strong&gt; que com sua mãe, mostrava o cotidiano neurótico de uma relação simbiótica, de amor e ódio. Nos anos 90 foi a vez do gaúcho Adão Iturrusgarai criar personagens mais “conformados” aos novos tempos. Surgem os caubóis homossexuais &lt;strong&gt;Rock &amp;amp; Hudson&lt;/strong&gt;, caricaturas de um mundo gay que respira à nossa volta e &lt;strong&gt;Aline&lt;/strong&gt;, a jovem sensual, agitada e ousada que divide sua cama com seus dois namorados Pedro e Otto. De todos os personagens que comentamos, &lt;strong&gt;Aline&lt;/strong&gt; foi a “escolhida” pela Rede Globo e no ano passado ganhou uma série entre outubro e novembro, que este ano deverá voltar em uma segunda temporada. Por que &lt;strong&gt;Aline&lt;/strong&gt;?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-5443964396458935272?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/5443964396458935272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/por-que-aline.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5443964396458935272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/5443964396458935272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/por-que-aline.html' title='Por que  Aline?'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-378379066276280515</id><published>2010-05-20T20:27:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T13:21:00.766-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldeia global'/><title type='text'>Tempos modernos</title><content type='html'>Ao folhear o caderno &lt;strong&gt;Mais!&lt;/strong&gt; da Folha de São Paulo no último domingo não pude deixar de sentir um certo pesar ao ler a chamada de seu obituário estampada na página final. Em 1992, ano de sua criação, o caderno inovava para os moldes dos grandes jornais de então e acenava com o que havia de mais atual em termos de notícias e debates socioculturais do Brasil e do mundo. Nada parecia mais confortável do que ter acesso a textos de diferentes pensadores em busca de um confronto ou de reflexões sobre os motivos e destinos das idéias, permitindo a nós leitores, selecionar e identificar sua importância e significado. Ato imediato me lembrou os anos 70 quando o carioca &lt;strong&gt;Pasquim&lt;/strong&gt; abriu uma brecha na imprensa brasileira ao utilizar a inteligência e o deboche como resistência à rigorosa censura imposta pelo regime militar. Com doses maciças de humor, muita anarquia e sagacidade e com um time dos sonhos entre seus editores e colaboradores (Paulo Francis, Ziraldo, Jaguar, Millôr,Henfil são alguns) seu charme era também motivo de ásperas críticas morais de alguns setores da cultura da época. Sem abrir mão da liberdade de expressão, o &lt;strong&gt;Pasquim&lt;/strong&gt; inovava pelo descompromisso com o formalismo. Nascia ali um texto mais próximo da vida privada de todos, e não por acaso suas entrevistas eram ansiosamente esperadas, já que pela descontração com que eram feitas, traziam à tona discussões de temas diversos como a política, o sexo, o casamento, o poder, etc. Sentíamo-nos implicados em suas páginas. Em julho de 2006, durante a realização da FLIP, a feira literária internacional de Parati, foi lançada a &lt;strong&gt;Revista Piauí&lt;/strong&gt; uma publicação mensal idealizada para contar boas histórias que pudessem ser mais abrangentes e contextualizadas. Na contramão da mídia instantânea que tem o dever de anunciar tudo o que se passa no mundo agora, a &lt;strong&gt;Piauí &lt;/strong&gt;tinha como projeto dedicar tempo a esta tarefa, e sem o compromisso de cobrir a agenda cultural, cultivar a cultura brasileira. Para quem já teve o prazer de lê-la, seus artigos, reportagens, quadrinhos, poemas e ilustrações capturam a realidade nacional de forma criativa e inusitada. Impregnada por um certo ceticismo da verve carioca em que pouca coisa vale a pena sem humor e um pouquinho de deboche, a revista é divertida e revela ao mesmo tempo coisas curiosas, importantes e fúteis, boas e ruins sobre o Brasil. Como alguns leitores puderam perceber sou das que prezam uma ligação permanente e crítica com o atual por acreditar que ele carregue consigo a história da complexa trajetória da raça humana e suas produções. É fato, porém, que o novo traz inevitavelmente uma sensação de estranhamento, de se estar adentrando em territórios nunca habitados. Isto ficou particularmente claro quando visitei recentemente a exposição do americano &lt;strong&gt;Andy Warhol&lt;/strong&gt; em cartaz na Estação Pinacoteca de São Paulo. Nos anos 60 e 70 &lt;strong&gt;Warhol&lt;/strong&gt; chamava a atenção pela excentricidade, exibicionismo e por ser gay, mas ao percorrer os corredores de sua obra fica claro o quanto ele era sensível aos fenômenos políticos e sociais de sua época ao se apropriar de imagens do universo de consumo e da cultura de massa e transformá-los em seus temas de arte. Mais de 20 anos após sua morte é possível identificar não só sua postura crítica à política norte-americana do pós-guerra, mas a antecipação de uma era de exibicionismo da imagem de si, hoje fato consumado em sites como Orkut e Twitter ou em programas de reality show. Talvez esta continue sendo a grande contribuição da dimensão artística humana: captar o que perverte nossos sentidos e cria o novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-378379066276280515?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/378379066276280515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/tempos-modernos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/378379066276280515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/378379066276280515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/tempos-modernos.html' title='Tempos modernos'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8078581407742716787</id><published>2010-05-20T20:23:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T13:24:42.433-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>Como se livrar da culpa</title><content type='html'>A capa da revista &lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; do ultimo dia 5 de maio trazia a foto de uma mulher tentando equilibrar-se sob o peso de uma pedra imensa em suas costas. Ao lado da foto, uma espécie de lista de “mandamentos modernos” anunciava alguns dos possíveis conteúdos desta pedra, já que estaríamos todos tentando cumprir certos imperativos culturais impossíveis: fazer exercícios diários, seguir uma alimentação saudável com uma dieta restritiva, manter o corpo esteticamente aceitável, consumir com moderação, estar &lt;em&gt;up to date&lt;/em&gt; com a tecnologia, ser solidário e tolerante com os outros, namorar, casar, ter filhos e saber como fazer isso de forma estável e sem conflitos. Sabemos que esta lista pode ficar sem fim. Na reportagem, o fato de acreditarmos nestas metas ou de nos sentirmos cobrados em relação a estes “ideais modernos” faria com que vivêssemos constantemente nos sentindo culpados, um sentimento incômodo e danoso, que nos torturaria indefinidamente. De certa maneira, abrir o debate sobre as novas e cada vez mais diversificadas exigências que o mundo atual despeja sobre nós não deixa de ser importante não só para analisar como respondemos a isso mas também para computar as novas formas de exclusão que estas exigências criam, ao deixar de fora levas de indivíduos que não chegam a se sentir culpados e sim imergem em depressões diante do sentimento de impotência ou de inadequação. Como sempre, a cada modo de existir e se estar em nosso mundo moderno corresponde tanto um bem viver quanto seu contraponto, ou seja, os desconfortos e mal estares que hoje poderiam ser listados em oscilações de nossa auto-estima e do sentimento de identidade, intensas angústias, falta de esperança, alteração de ânimo, apatia, transtornos do sono e do apetite, ausência de projetos, crise de ideais e valores, compulsões, adições, instabilidade nos vínculos, transtornos psicossomáticos. Se aumentou a oferta de possibilidades de nos tornarmos algo ou alguém, também aumentou a cobrança e nossa vulnerabilidade e muitos de nós nos sentimos frágeis, desprovidos de valor, marcados pela vergonha e pela impossibilidade de fazer escolhas. Mas nos iludimos com a idéia de que em algum lugar existem seres perfeitos que cumprem à risca estas demandas, não tem problemas, dificuldades, carências, timidez ou conflitos. De certa forma tendemos a encarar nossas falhas, muitas delas inerentes a nossa condição de humanos, como sinais de desvios que podem ser sanáveis ou por medicamentos ou por um arsenal difuso de infinitas e desiguais referências oriundas das mais diversas fontes - da psicologia comportamental à religião, da programação neurolingüística à magia e às terapias alternativas. Tornamo-nos dependentes de ajuda e de direções já que nossas vidas parecem ficar no pêndulo infinito entre nossos ideais de conquistas e o que desconfiamos que não poderemos alcançar. Mas este conflito, que na reportagem é o responsável por nossas culpas, em certa medida é salutar. É ele que pode nos informar sobre o que desejamos, sobre o que nos autorizamos a desejar ou sobre o que não devemos, além do preço de nossas escolhas, ou a responsabilidade que conseguimos assumir por elas. Enfim, algumas medidas de nosso “eu”, suas potencialidades e seus limites.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-8078581407742716787?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/8078581407742716787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/como-se-livrar-da-culpa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8078581407742716787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/8078581407742716787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/como-se-livrar-da-culpa.html' title='Como se livrar da culpa'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-2836219807075251457</id><published>2010-05-20T20:12:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T13:29:39.779-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nós mulheres'/><title type='text'>Quando as filhas viram mães</title><content type='html'>Ainda não sou avó, embora tenha filhos que se quisessem já poderiam ser pais. Mas ao meu redor são muitas as amigas, algumas “do peito”, que já se tornaram avós. E quando a notícia dos ventos novos se espalha sou do time das que fazem torcida estrondosa . Além de parabenizar a futura vovó, costumo desfilar os sentimentos que imagino que eu estaria vivendo em um misto de euforia e de antecipação de uma ligação especial, de muito amor. A palavra “otimista” em geral banaliza ou empobrece as reflexões sobre as questões humanas, quase sempre trágicas porque conflituosas, exigindo trabalho psíquico e muita coragem. Quem sabe uma aposta no além do senso comum, na própria força criadora ou renovadora dos investimentos que fazemos na vida. Por isso tornar-se avó pode significar uma revisão de nossas vidas, já que funciona como mais um ciclo que se fecha, mas que pode abrir novos e inusitados futuros. Será? Durante nossas vidas temos que enfrentar todos os tipos de perdas e fazer seu luto para que o passado possa ser deixado por um porvir, um futuro. Parece óbvio e até simples, mas os lutos mobilizam em nós tal quantidade de afetos que nem sempre conseguimos enfrentá-los sem sucumbir à suas dores e seus restos. Quando o tornar-se avó é via a filha mulher, estes lutos podem assumir sentidos inesperados, o que às vezes explica porque algumas mulheres precisam de um tempo para poder elaborar esta nova etapa de suas relações com suas filhas. “Uma relação tão delicada” como tão bem diz o título da peça de Leilah Assunção em que, de forma sensível e tocante, mãe e filha mostram como entre uma e outra é possível existir desde fusão e paixão, identidade e dependência até ódio, rivalidade , cobrança, inveja. Se a relação entre uma mãe e sua filha tem sempre aspectos difíceis também tem outros surpreendentes, realizadores e prazerosos. É justamente porque esta relação tem suas singularidades já que a filha se identifica com a mãe e vice-versa, pertencem ao mesmo gênero e protagonizam a passagem de gerações, que se faz necessário um reconhecimento da individualidade de ambas. Das paixões infantis em que nós mães somos alvos quase incontestáveis não só do amor, mas da admiração de nossas filhas precisamos suportar que elas se decepcionem, busquem muitos outros modelos de identificação e algumas vezes esbravejem ou se ressintam conosco. Senão como ser diferentes, outras? Também para elas não é fácil perceber que nos decepcionam ou nos frustram. Jogo duro. Esta luta para a emancipação é sempre cheia de idas e vindas por isso, quando nossas pequenas conseguem buscar sua vida pessoal e profissional ou quando podem planejar serem mães, é a ambivalência que banha as primeiras águas. Para as mães, toca fazer o luto de sua juventude passada, seus sonhos ainda não realizados, etc. “Dar o que ainda não se tem” , disse uma de minhas amigas, mas só até o momento em que a pequena neta invade sem cerimônias o mais fundo de sua alma. Totalmente capturada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-2836219807075251457?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/2836219807075251457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/quando-as-filhas-viram-maes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2836219807075251457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/2836219807075251457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/quando-as-filhas-viram-maes.html' title='Quando as filhas viram mães'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-894408141266108807</id><published>2010-05-20T20:10:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T20:11:55.560-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicologia do cotidiano'/><title type='text'>As medidas de cada um</title><content type='html'>Meu percurso diário inclui atravessar um trânsito carregado, produto do excesso de carros em torno de uma grande escola particular do bairro. Acostumei-me assim, a prestar atenção aos estudantes (do colegial) que cruzam as ruas e calçadas à sua volta. Ainda que, em geral por motivos de segurança, a maioria dos pais, zelosos, leve seus filhos de carro ou contrate transporte escolar, há sempre alguns que vão a pé. Destes, a maioria são meninos e muitos caminham sozinhos. As meninas, em geral, vão em turma de duas ou mais e o clima entre algumas costuma ser animado, com muita conversa e risadas. Quanto aos que estão sós, há os que são mais populares e à medida que se aproximam do agrupamento que se forma nos portões já se anunciam ou são chamados pelos colegas. Mas há sempre aqueles “solitários”. Seja por serem esteticamente menos favorecidos ou simplesmente mais inibidos, suas feições são em geral mais sérias, seu andar mais rápido e cabisbaixo. Quase sem me dar conta, passo a imaginá-los mais frágeis, com mais dificuldades para suportarem as “crueldades” que fazem parte deste convívio entre adolescentes, fenômeno que na atualidade chamamos de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;bullying.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; É neste imbricamento entre o adolescente, sua família, sua escola e o mundo, que se dá o jogo de xadrez das experiências que em geral são boas e ruins, causam alegria e sofrimento, mas principalmente muita angústia, e às vezes são vividas em tons excessivos, além do que aquele (a) jovem pode suportar. Há os que militam os comentários irônicos, ou até sarcásticos, outros que se utilizam de um humor menos cáustico e mais acolhedor; de outro lado muitos podem ouvir e retrucar quando atingidos em seu orgulho ou imagem, outros sucumbem e se recolhem amargurados, alguns sentindo-se dolorosamente rejeitados. Estas são o que podemos chamar de “medidas” de cada um, e que estão relacionadas às próprias histórias e a maneira como cada qual conseguiu se virar para dar conta destes excessos ou carências que todos vivemos. Neste sentido em poucas décadas a Escola, que antes era apenas um espaço de aprendizagem e preparação para a aquisição de um futuro profissional, teve que desconstruir suas antigas bases e abrir-se para um fórum permanente de reflexões sobre as novas formas de se estar no mundo, e incluir, ao lado da Família, um “cuidar” de seus alunos. Verbos como acolher, reconhecer, questionar, interpelar passaram a ser comuns e entre família e escola, as “medidas” tiveram que ser repensadas. Tanto a escola quanto a família precisaram deixar de ser normativas para tornarem-se vivas, o que convenhamos, não é coisa fácil já que tendemos sempre a eleger uma norma,algo que possa ser um guia para nossas ações e julgamentos, ao invés do risco que o encontro e a troca anunciam quando há urgência em resolver dúvidas, aplacar angústias ou decidir competências. E tornar-se “viva” dá muito trabalho porque precisamos deixar as antigas “medidas” que nos ajudavam a repartir de forma mais objetiva as responsabilidades de uns e de outros, para estudar caso a caso, suas motivações, suas implicações e possíveis soluções. Algo que faça sentido para todos os implicados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571309420760636863-894408141266108807?l=giselahaddad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://giselahaddad.blogspot.com/feeds/894408141266108807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/as-medidas-de-cada-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/894408141266108807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571309420760636863/posts/default/894408141266108807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://giselahaddad.blogspot.com/2010/05/as-medidas-de-cada-um.html' title='As medidas de cada um'/><author><name>gisela haddad</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11219904499394110549</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571309420760636863.post-8604652404243744572</id><published>2010-04-28T15:01:00.000-07:00</published><updated>2010-05-07T03:43:33.958-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><title type='text'>O que as cores podem revelar</title><content type='html'>Lembro-me de ter sido invadida por certa euforia quando nas décadas de 80 e 90 houve um &lt;em&gt;boom &lt;/em&gt;na produção
