Conta a lenda que o diretor britânico Danny Boyle se irritou com aqueles que compararam seu filme ( Quem quer ser um milionário, prêmio de melhor filme no Oscar deste ano) ao brasileiro Cidade de Deus. A comparação não é fortuita, a começar pelo nome original em inglês, Slumdog Millionaire, referência direta ao favelado Jamal que participa de um programa televisivo de perguntas e respostas de enorme audiência na Índia e está prestes a se tornar um milionário. Além disso, o filme explora as tentativas de sobrevivência destas crianças excluídas de qualquer possibilidade de uma rota de vida decente, ao mostrar as mais variadas soluções que os três mosqueteiros ( dois irmãos e uma menina) encontram para driblar sua orfandade prematura e seu desamparo absoluto. Com todo o esmero da produção de Bollywood, o promissor setor cinematográfico e motivo de orgulho dos indianos, não é a história, quase um conto de fadas contemporâneo, que faz deste filme um vencedor. Também não é só o peso da miséria mostrada em seu lado mais cru e o seu contraponto, ou seja, toda a impotência dos que vivem à margem de qualquer assistência privada ou pública e que por isso ficam sujeitos a todos os tipos de exploração. A genialidade é do diretor, que soube aproveitar tais ingredientes para seu roteiro e criar uma nova linguagem , transformando a vida comum dos favelados do mundo em algo instigante. O trio formado pelos dois irmãos, Salim e Jamal e pela linda Latika, três sobreviventes de um ataque de hindus aos favelados muçulmanos de Mumbai, tenta seguir vivendo no jogo de vida e morte que lhes demanda um drible constante, mas deixa suas marcas e impõe suas escolhas. Nada que nossos meninos de rua também não façam, como servir de guias a qualquer tipo de turismo ou pedir dinheiro nos faróis acompanhados de bebês nos colos ou de crianças cegas, ou seja, fazendo uso de qualquer artifício que possa seduzir ou constranger aos que deixarão algumas moedas. O que transforma em beleza este espetáculo sórdido é o forte laço selado entre os três. Salim cumpre sua sina de irmão mais velho sob a lembrança do grito de sua mãe para que fujam e escapem da morte. Ele vai cuidar e proteger seu irmão. Jamal se encarrega de cuidar de Latika, a menina que ele adota à revelia de seu irmão, mais preocupado com as rasteiras de todas as ordens que ele terá que se livrar. Assim o filme anuncia desde o seu início que o privilegiado e, portanto premiado com a sorte maior, será Jamal. É ele quem deverá ser poupado por seu irmão de toda a cumplicidade obrigatória que o mundo do crime demanda. É ainda ele quem deverá receber o amor de Latika , que jamais deixará de reconhecer o carinho com que Jamal a embalou. Por isso a mensagem do filme é e não é ao mesmo tempo aquele tipo de frase que diz que o amor pode salvar. Na verdade, quando é possível que o espaço do amor entre as pessoas sobreviva, ele, o amor, pode funcionar como uma aposta. Não é pouco saber que se é amado.
Coluna do dia 24 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Valquírias
O filme que trouxe Tom Cruise ao Brasil em turnê de divulgação estreou neste final de semana na capital. Baseado em fatos reais, o título refere-se à Operação Valquíria, espécie de senha para que o exército reserva nazista entrasse em operação, caso acontecesse qualquer inquietação interna que ameaçasse ao partido ou a Hitler. É fato sabido que Hitler reverenciava o compositor alemão Wagner, anti-semita confesso e autor entre outras grandes obras, da ópera Valquíria. O nome desta operação guardava, portanto um valor de sustentação da posição do Führer, mas será re-utilizado por um grupo de militares para armar um golpe em que ele e sua alta cúpula seriam assassinados no intuito de devolver a dignidade e a ética ao exército alemão e à própria Alemanha. O filme começa com o coronel Stauffenberg, personagem de Tom Cruise, em meio aos ataques dos aliados, registrando em seu diário de guerra sua revolta sobre os rumos e os crimes da empreitada nazista, e a premência dos militares em planejarem este basta. Outro filme em cartaz na capital, O Leitor, mostra o julgamento de um time de mulheres trabalhadoras alemãs,condenadas por compactuarem com os crimes nazistas ocorridos dentro dos campos de concentração. Ambos os filmes encenam tímidas tentativas de dividir com o mundo, a radiografia da cumplicidade dos alemães com as atrocidades contra a humanidade cometidas na era nazista. Quando os militares envolvidos com a Operação Valquíria percebem que seu plano havia sido frustrado, alguns se suicidam e outros morrem fuzilados em meio a bravas palavras de urras a uma Alemanha livre. O tom do filme tenta ressaltar a dissidência e por isso,a preocupação destes alemães, em serem lembrados por discordarem das ações de seu chefe supremo. Mais intimista, O Leitor nos mostra com delicadeza a complexidade da alma humana e faz deste filme ( que recebeu 5 indicações ao Oscar) uma espécie de reflexão apurada sobre os caminhos da xenofobia, esta intolerância humana ao estranho e ao diferente, que geralmente justifica os piores momentos de nossa história . É assim que de tempos em tempos, vemos surgir no cenário global, movimentos coletivos de rejeições ao diferente, em geral alimentados por estratégias políticas que visam naquele momento, culpabilizar certos setores da sociedade como ameaçadores. Notícias daqui e dali sobre vítimas de grupos neo nazistas em diferentes partes do planeta nos parecem bizarras. Na Europa cresce o temor de que a concorrência de fora represente uma ameaça, e o imigrante se transforma em bode expiatório alimentando a idéia de que a classe média necessita se proteger. Perplexos, ouvimos tocar novamente o velho refrão da música da intolerância humana, insuflando os conflitos e as diferenças. Foi após décadas de sua morte que Richard Wagner, conhecido em seu tempo por manifestar-se contra os judeus, tornou-se o músico preferido de Hitler. Mesmo sendo reconhecidamente um gênio da música, que revolucionou a concepção de ópera, sua obra está proibida de ser executada em Israel, que acredita não ser possível admirar sua obra, dissociando-a de sua aversão ao povo judeu. A ópera Valquíria baseia-se na mitologia nórdica em que as valquírias seriam deusas da guerra prontas a resgatar os guerreiros mortos e transformá-los em heróis. Aos poucos as valquírias passaram a representar o lado obscuro da alma humana, capaz de odiar o estranho, tão familiar a cada um. De um lado a outro, ambos os filmes nos lembram que a história humana vive e revive períodos em que nos juntamos no intuito de avançar na conquista de nossa liberdade de pensamento e de respeito às nossas diferenças e outros em que as luzes se apagam e atribuímos aos nossos semelhantes- diferentes, a justificativa de nossos medos e nossa hostilidade.
coluna do dia 17 de fevereiro de 2009
coluna do dia 17 de fevereiro de 2009
Palavras de mulher II
Na semana passada eu quis marcar o nascimento desta coluna lembrando a todos a importância da existência na época atual, de espaços que divulguem as palavras das mulheres. A verdade é que não nos damos conta de que a história contada e escrita pelas mulheres é um fato recente. Também não levamos em consideração o quanto precisamos de outras mulheres que possam falar ou escrever sobre si mesmas, para que aos poucos possamos construir um acervo de pensamentos e reflexões ou sentimentos e intuições próprios, que nos permita sentir aquele gostinho bom de estarmos sendo compreendidas em nossas dúvidas e dilemas, ou em nossos anseios e sonhos. O século XIX produziu inúmeros romances, quase todos escritos por homens sobre as mulheres que eles viam, mas também sobre as mulheres que eles desconheciam e muitas vezes temiam. Também foi o século do amor romântico, do amor verdadeiro, que acabou nos presenteando com sua bandeira que prometia desbancar qualquer ato ou pensamento interesseiro. Como adeptas instantâneas deste romantismo, apostamos na possibilidade de sermos mais do que mães e mais do que esposas. Fomos além e às duras penas inauguramos um novo século com uma nova mulher. Com muitos erros e acertos, tentamos definir melhor nosso papel de mãe, de amante, de mulher, de profissional, de política, de intelectual. Ávidas pelo tempo desperdiçado em tão longa história da humanidade, muitas vezes nos perdemos em tentar conciliar tantas responsabilidades, ou tantos investimentos. Paciência. É necessário um tempo para a acomodação de tantas mudanças. É este tempo que pode fazer com que cada uma de nós reflita sobre suas experiências e contribua para que este gênero humano, tantas vezes mal interpretado, possa ocupar seu lugar no mundo com menos alarde. Para que a pergunta tantas vezes repetida sobre o que quer ou o que é uma mulher não fique pendurada no vestiário dos homens, como se não houvesse uma resposta digna e consistente. Para que possa simplesmente existir um espaço de respeito para o nosso gênero, com suas diferenças, idiossincrasias, jeitinhos, desejos. Ainda que seja para fazer sobreviver este nosso lado romântico, um pouco distante da matemática masculina, justamente porque desconstrói as certezas absolutas ao interrogar incessantemente o porvir e suas possibilidades. Afinal são as diferenças entre os gêneros humanos que podem aumentar o espectro das cores do arco –íris de nossas experiências. É também quando podemos colocar a dúvida e não a certeza no centro de nossas vidas, que ela, a Vida, passa a ser mais interessante e pode adquirir novos sentidos.
coluna do dia 10 de fevereiro de 2009
coluna do dia 10 de fevereiro de 2009
As palavras das mulheres
A frase era ao mesmo tempo simples na definição das direções, mas pretensiosa se houvesse uma afirmativa da minha parte. Há um ano nascia esta coluna, graças a minha querida editora Rosana Zaidan, que esperava que eu pudesse ser a Danuza Leão deste jornal. A referencia a esta corajosa colunista, que não se furtou em expor as mazelas do ser mulher não era gratuita. Afinal, ser mulher na era atual significa poder ser autora, poder falar, gritar, reclamar, pedir, negar, gostar, desgostar, discordar... tantos verbos poderosos que nos eram negados socialmente há muito pouco tempo atrás. Em geral as análises que são feitas hoje sobre o papel da mulher, mesmo quando feitas pelas próprias, ou privilegiam um certo ressentimento e portanto incitam a busca de uma igualdade dos sexos, ou apontam de forma nostálgica tudo o que a mulher perdeu ao se emancipar e passar a ser responsável por suas escolhas e atos. Impossível não mencionar um terceiro discurso utilizado por um verdadeiro exército de homens e mulheres que se ocupam em apontar um futuro sombrio para a humanidade desde que as mulheres-mães perderam o adjetivo sagrado e assim colocaram a família em risco de extinção. Mas as palavras só adquirem um sentido quando podemos utilizá-las após algum tempo em que estamos vivendo o novo, pois é assim que elas podem exprimir não só os sentimentos que nos assombram ou os que nos doem, e sim aqueles que passam a adquirir um significado importante para cada época. E o que talvez seja mais importante na atualidade é que aos poucos, muitas pessoinhas das novas gerações, vão tratando de realizar esta acomodação aos novos espaços, ao descobrir nichos e adjetivos inéditos, ajudando a compor um repertório próprio de mulheres contemporâneas, estes seres que já foram tão enigmáticos em sua essência, mas que hoje só desejam ser respeitados por sua condição humana. E o respeito como medida não cabe só às mulheres, mas a todos os que de alguma forma, ousam questionar as normas de tempos e tempos, e assim fazer a humanidade caminhar sempre em busca de um mundo melhor, ainda que isto não signifique extinguir o pior. Aos poucos estas pessoinhas que chegam e às duras penas conseguem assumir o leme de suas vidas, sejam homens ou mulheres, começam a nos mostrar um novo modo de se relacionar. E neste, o respeito aos cuidados que um tem que ter com o outro tem um peso muito maior do que os tratados convencionais. Sem esquecermos que em geral, só respeitamos aqueles que por seus atos e gestos cotidianos, nos fornecem pistas de serem respeitosos com os que os rodeiam. Palavra de mulher!
Coluna dia 3 de fevereiro de 2009
Coluna dia 3 de fevereiro de 2009
Cafonagens
Sem dúvida a comunicação veloz e em tempo real de fatos e idéias que acontecem por este nosso mundo afora, se não nos torna mais inteligentes, pelo menos nos oferece um panorama mais completo da diversidade e complexidade do caldo humano. Entre crises econômicas e políticas generalizadas e conflitos bélicos com data de vencimento ultrapassada, a posse de Barack Obama no último dia 20 de janeiro conseguiu mobilizar uma grande parte do contingente humano do planeta que, de olhos e ouvidos fixos em suas palavras e promessas, sentiu-se convocada a apostar em uma nova era. Imbuídos da responsabilidade de sua jornada, a ala dos democratas americanos se esmerou nos detalhes do cenário que mostrava ao mundo uma imensidão de pessoas reunidas à espera da consagração de seu novo e inusitado presidente. Silenciosos e emocionados, todos os presentes pareciam beber cada frase pronunciada. Por seu lado, Barack Obama não decepcionou aos que ao vivo ou virtualmente prestaram atenção ao seu discurso. De forma serena e calma, ele anunciou o fim de um período de infância ávida, feliz e sem limites da humanidade e pediu a cada um que se sentisse responsável pelo futuro da mesma. Jornais de todo o mundo encheram suas páginas para analisar ou prever os resultados deste momento histórico particular e dos tempos que nos esperam. Otimismo ingênuo e cafona? Ceticismo cínico? Desconfiança preconceituosa? Descrença árida e depressiva? Sim, há espaço para todos estes sentimentos. Mas há também uma tendência do mundo intelectual em encarar a figura carismática de Barack Obama como o messias certo no momento certo, e, portanto capaz de capturar e seduzir a massa humana, carente que está de líderes que acenem com alguma saída ou algum futuro que reconsidere a raça humana e restitua a crença de que é possível haver convivência justa, pacifica e respeitosa entre os humanos. Sim, é próprio da massa ávida e desamparada buscar figuras dispostas a vender algum discurso prometeico. Em 2003, empossado como presidente, o metalúrgico Lula não conteve as próprias lágrimas ao ver realizado o improvável. Mas, embora ele tivesse protagonizado uma mudança radical, ao permitir que qualquer cidadão brasileiro pudesse almejar o cargo mais poderoso da Nação, também mostrou-se desastrado e atrapalhado nas negociações políticas que tal cargo demanda. Barack Obama pode até guardar certas semelhanças com a surpreendente chegada de Lula ao poder, que descartou de forma inédita a importância de sua origem humilde ou do seu parco currículo. Sabemos o significado de um presidente negro americano ter sido eleito com uma das maiores votações de seu povo. No mínimo muda a maneira como as crianças negras vão olhar para si mesmas. De resto não vejo nenhum impedimento até o momento, no fato de milhões de pessoas do mundo inteiro, depositarem na figura simpática e séria de Mr.Obama, aquilo que se tornou um dos bens mais preciosos da atualidade: confiança.
Coluna do dia 27 de janeiro de 2009
Coluna do dia 27 de janeiro de 2009
A gaze de Gaza
As atenções e os holofotes do mundo estão (novamente) voltados para o Oriente Médio, mais especificamente para a faixa de Gaza, território árido e retangular na ponta sudeste do Mediterrâneo, que abriga 1,5 milhão de palestinos, a maioria muçulmanos e pobres,um panorama bem diferente de seu vizinho Israel, gigante econômico e militar com seus 7 milhões de habitantes. Embora o conflito entre os dois povos venha se perpetuando há mais de meio século e muitas das cabeças mais brilhantes do mundo se debrucem sobre ele, não parece haver solução à vista. De tempos em tempos, assistimos o sofrimento e a destruição arbitrária de vida de pessoas de ambos os lados. Que a guerra é a mais insensata das criações humanas todos sabemos, mas ainda assim costumamos apostar que sejam quais forem os conflitos,eles tendem a ser solucionados, mesmo que seja pela exaustão dos argumentos ou ainda pela intervenção de órgãos internacionais como as Nações Unidas. Não parece ser o caso deste. Como conjecturou o maestro Daniel Barenboim, nem Israel irá desistir da legitimidade da ocupação de seu território, conquistado há apenas 60 anos graças às negociações internacionais do pós-guerra, nem a Palestina abrirá mão do que antes lhe pertencia o que significa que existem dois povos, ambos totalmente convencidos de seus direitos de habitarem o mesmo pedaço de terra. Mas apesar da semelhança dos propósitos que alimenta permanentemente a obstinação e o ódio mútuo, há diferenças importantes que compõem a história e a cultura de cada um destes povos, assim como há uma incontestável supremacia econômica e militar de Israel que controla não só o espaço aéreo e marítimo, como a maioria dos pontos de acesso à região. Talvez o fato de Israel haver confeccionado cuidadosamente e desde sempre uma nação armada até os dentes para se defender de quaisquer inimigos, em que cada cidadão é também um soldado, tenha promovido o aparecimento de grupos ditos terroristas ou fundamentalistas como o Hamas e o Hizbollah, configurando um círculo eterno em que sempre é possível a cada um dos lados responsabilizar um ao outro pelos litígios constantes.A nós, resto do mundo, que assistimos as muitas cenas de sangue e desespero, resta conviver com um incômodo sentimento de impotência, ou tentar perscrutar através de seus próprios habitantes, aquilo que somente eles podem nos revelar.Quando diretores como Amos Gitai e mais recentemente Eran Riklis passam a mostrar ao mundo através de seus filmes as mazelas do cotidiano e das vidas israelenses em seu convívio inevitável com os ex-donos( e supostos inimigos) de seu território, podemos construir uma imagem mais próxima da realidade conflitiva deste país, em que uma em cada três pessoas é imigrante, vindo de todas as partes do mundo.Se a ideologia sionista pós holocausto dava coesão à diversidade cultural de todos estes judeus na construção um país com um território e uma língua comum,aos poucos as diferenças étnicas e religiosas passam se impor. Percebe-se, por exemplo, uma falta de identidade nacionalista nas gerações mais jovens que começam a evitar aberta ou silenciosamente o Exército, desde sempre um fator aglutinador desta sociedade, ou a questionar a utilidade da ocupação de Gaza e da Cisjordânia, já que a guerra entre palestinos e judeus afeta a cada um dos que tem sua raiz naquela região. Por seu lado o diretor palestino Hany Abu-Assad permitiu que o mundo assistisse o questionamento de dois jovens palestinos, messias escolhidos por Alá para desenvolver a missão suicida, mas considerada sagrada por seu povo em sua eterna vingança pela ocupação israelense de seu território. Sem tradução para o português, Paradise Now ( em uma clara alusão sobre a crença de que estes mártires irão de encontro ao paraíso e receberão sua recompensa divina) mostra que muitos jovens palestinos se dividem entre sua fé religiosa que lhes exige uma submissão cega aos preceitos de Alá, e seus ideais menos sagrados, aqueles que todos os jovens do mundo compartilham, na esperança de poderem cantar,namorar, sonhar,estudar, trabalhar ,etc.
Coluna do dia 20 de janeiro de 2008
Coluna do dia 20 de janeiro de 2008
Última coluna
Não faltaram temas polêmicos, nem aqueles que revelam o que desejamos que permaneça oculto, na complexa rede de sustentação das sociedades humanas modernas. Crimes e violências em todas as camadas sociais, devastação contínua e cotidiana do planeta, conflitos inéditos e difíceis com seus imigrantes em países considerados evoluídos, eternos e insistentes embates étnicos e religiosos, são apenas alguns deles. Mas a crise financeira que estourou no final de 2008 não só surpreendeu a quase totalidade do mercado econômico mundial, como conseguiu quebrar a confiança que cada cidadão, independente de sua origem ou moradia, nutria em relação às promessas de um mundo cuja economia pairava acima de governos ou fronteiras geográficas e políticas. Como a história do rei que é convencido a desfilar para seu povo sem suas vestes majestosas, acreditando que só a ele eram invisíveis, em um primeiro momento a perplexidade e o medo nutrem nossa tentativa de negar a realidade. Preferimos imaginar alguns deuses reunidos em um Limbo Mundial, onde decisões sábias poderão modificar o destino dos estragos e amenizar as conseqüências futuras. Ou ainda quem sabe apostar que sendo parte de um país ainda não desenvolvido, estaríamos isentos dos tributos da crise por merecermos a misericórdia dos mais ricos. Impotentes, não sabemos ao certo o que nos reserva este tal Mercado que hoje dirige o grande trem da economia do mundo, o mesmo Mercado que abriu a todos os habitantes do planeta que quisessem e “pudessem”, a possibilidade de escolher e gerenciar sua vida financeira nos toques das teclas de seu computador. Moralmente destruído, o Mercado assiste seu poder em declínio acelerado, enquanto empresas de todos os lugares rezam para que seus respectivos governos coloquem a mão em seus bolsos ( via contribuição de cada cidadão) para evitarem um “mal maior”.Sem muitas instituições internacionais legítimas que possam ocupar um lugar que transmita a confiança necessária para se avaliar as raízes da tal crise ou delinear novos caminhos mais satisfatórios, o Mundo revela sua fragilidade. Um grande hiato, normalmente imperceptível, vem nos mostrar que entre o trabalho de cada cidadão que ajuda a produzir e a gerenciar os objetos ou serviços que serão consumidos e as ações de empresas as mais variadas, negociadas às vezes sem que seja necessário que tenhamos notícias de seu funcionamento ou importância, estão os milhares de habitantes, pequenos, médios e grandes investidores, que aprenderam a “jogar” a roleta do vai e vem, sobe e desce, compra e vende apenas em função de uma lógica que privilegia o número de apostas conseguidos muitas vezes sem ligação nenhuma com o valor real da empresa. Se é verdade que este descompasso tenha alimentado a crise de que falamos, talvez devêssemos apostar para 2009 na reflexão do que cabe a cada um de nós enquanto cidadãos deste Mundo, parte que somos deste planeta maior,nossa casa, nossa vida. Lembrando que a esperança precisa ser a última que morre, que venha uma Ano Novo!
Coluna do dia 30 de dezembro de 2008
Coluna do dia 30 de dezembro de 2008
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